Professores classificadores receberam na quarta-feira à noite itens para correção e vão estar a corrigir já esta quinta-feira, após o prazo para concluir o processo de classificação, afirmou à Lusa fonte do movimento Missão Escola Pública (MEP).
Cristina Mota, porta-voz do MEP, indicou conhecer relatos de colegas que receberam na quarta-feira à noite itens para classificar e que, por isso, não iam terminar essa classificação até às 00h00, o prazo para concluir o processo de classificação dos cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário.
“Entendemos que esse não é o problema. Não existe e não deverá existir uma guilhotina sobre a cabeça de Fernando Alexandre”, ministro da Educação, sublinhou a porta-voz do MEP à Lusa, defendendo que a classificação deve decorrer “de forma a se garantir o rigor de todo o processo”.
Cristina Mota realçou que “efetivamente o processo não vai estar concluído agora à meia-noite [de quinta-feira]” e que os relatos dizem sobretudo respeito às provas de português e matemática.
Relatou ainda que o movimento recebeu um print das 21h00 de quarta-feira, em que um professor tinha recebido 70 itens para classificar.
“Temos inclusive informação de colegas que acabaram de receber os itens e que se depararam com aqueles constrangimentos que já têm vindo a ser reportados, a ausência de folhas de continuação ou folhas com caligrafia diferente“, detalhou.
“Acreditamos que durante o dia de amanhã (quinta-feira) ainda vai decorrer a classificação e a necessidade da correção de alguns itens”, acrescentou.
A agência Lusa procurou obter uma reação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) mas não foi possível até ao momento.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI adiou os prazos inicialmente previstos.
Exames Nacionais. Ministro da Educação diz que “99% das respostas” estão classificadas
Na quarta-feira de manhã, o ministro Fernando Alexandre revelou que 99% das respostas dos exames nacionais do ensino secundário estão corrigidas e que na sexta-feira serão publicadas “todas as avaliações com rigor e transparência”.
Cristina Mota apontou ainda que o movimento coloca a hipótese de na sexta-feira as pautas divulgadas não conterem todas as classificações.
“Embora os professores estejam a fazer de tudo para conseguirem cumprir a tarefa que lhes foi atribuída, não podem colocar o rigor por cima de qualquer outro objetivo, seja ele político, seja de preservação de imagem. O rigor da classificação dos alunos é o mais importante”, concluiu.
Também Pedro Brito, do movimento MetaPROF, referiu à Lusa na quarta-feira à noite que continuava a receber alguns testemunhos de professores que relatavam terem sido chamados de emergência para classificar itens.
Pedro Brito explicou ainda que o movimento estava a reorientar todos os recursos para “mais um projeto dentro do MetaPROF”, que envolve a recolha de testemunhos de alunos e das suas famílias sobre o processo.
“Começámos há cerca de uma semana a recolher os testemunhos (…) que têm a ver com o seu estado de alma, das famílias e alunos”, referiu.
O MetaPROF divulgou também na quarta-feira um comunicado em reação às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que considerou existir “alguma resistência” por parte dos professores à digitalização dos processos.
“A acusação de resistência ao digital é o recurso retórico habitual, proferido em momentos de manifesto desespero político, por quem resiste obstinadamente a compreender o que é, na sua essência, a profissão docente. Trata-se de uma narrativa vã, destituída de valor e fundamento, perante a evidência da realidade e da história recente das escolas portuguesas. Os professores não rejeitam as mudanças operadas pela tecnologia; opõem-se, sim, ao caos procedimental, à injustiça pedagógica e à ausência de rigor técnico que têm marcado este processo”, refere o comunicado.
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