Tal como acontece nos carros de competição, também nos automóveis de série, concebidos para circular na via pública, as caixas automáticas modernas de dupla embraiagem são a melhor solução para serem rápidas e eficientes em condução desportiva, sendo simultaneamente suaves e confortáveis em ritmo de passeio, daí que sejam utilizadas em quase todos os modelos da Ferrari. Contudo, a marca transalpina também tem de agradar aos amantes das soluções do passado, em que as caixas da casa do Cavallino Rampante eram exclusivamente manuais, com a alavanca na consola a deslizar por entre os recortes de uma grelha metálica que, além de produzir uns ruídos característicos e típicos dos anos 50, impede ainda o condutor de engrenar a mudança errada, protegendo a mecânica. Pois bem, para satisfazer estes clientes mais saudosistas, a Ferrari concebeu uma nova caixa que é automática, mas também manual.

A nova caixa da marca italiana estreou no 12Cilindri Manuale, trazendo de volta, após 14 anos de ausência, as caixas manuais com grelha metálica e três pedais, uma vez que a mais recente criação da marca de Maranello, em matéria de caixas de velocidades, também necessita de pedal de embraiagem. Os condutores saudosistas podem, assim, desfrutar de algo que há muito não se via num Ferrari, ou seja, da alavanca à grelha metálica, passando pelo tradicional pedal de embraiagem.

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Se os saudosistas ganham uma caixa manual por que há muito suspiravam, os condutores mais racionais da marca continuam a poder usufruir de uma caixa rápida, que permite ao coupé desportivo ir de 0-100 km/h em apenas 2,9 segundos, para depois atingir 340 km/h. E isto porque basta ao condutor seleccionar o modo de condução D, para a caixa do 12Cilindri Manuale se converter numa caixa automática. Além das opções habituais D, R (marcha-atrás) e P (parque), para que o modelo possa ser extremamente rápido em aceleração, a nova caixa disponibiliza a opção L, de Launch, em que tudo se conjuga para atingir a velocidade máxima no mínimo período de tempo.

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Essencialmente, a nova caixa do Manuale é a mesma caixa automática de oito velocidades com dupla embraiagem que equipa os restantes 12Cilindri, mas equipada com a mais recente criação da Ferrari: um sistema manual by-wire (que integra o sistema shift-by-wire e o clutch-by-wire). Este inclui uma embraiagem que reproduz a pressão do pedal como se accionasse uma embraiagem convencional, além da alavanca que tem de cumprir os entalhes da grelha metálica, como se estivesse a deslocar os diferentes carretos para os engatar correctamente na mudança seleccionada. E vai mesmo ao pormenor de replicar os ruídos das tradicionais caixas manuais com grelha da marca e de deixar o motor ir abaixo caso o condutor não execute o ponto de embraiagem correctamente, nos arranques ou nas manobras.

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O 12Cilindri Manuale monta o mesmo motor 6.5 V12 atmosférico dos restantes 12Cilindri com caixa automática, que fornece 830 cv e “grita” até às 9500 rpm, um regime brutal para um V12 com esta capacidade. Importa realçar que, tanto no exterior como no habitáculo, há uma série de diferenças entre o 12Cilindri normal e o Manuale, mas o mais importante é que, em modo automático, o desportivo italiano oferece oito relações de caixa, ao passo que, em modo manual (e como se pode ver pelas fotos), há apenas seis relações para a frente, mais marcha-atrás.

A Ferrari anunciou que pretende fabricar somente 1499 unidades do 12Cilindri Manuale, visando manter a oferta abaixo da procura para garantir que o preço de 590.000€ (em Itália) é visto como uma “pechincha” para um veículo de colecção. As entregas do novo modelo arrancam no primeiro trimestre de 2027.