O Bica do Sapato, um dos restaurantes mais emblemáticos de Lisboa, deixou de funcionar como restaurante e passará a dedicar-se exclusivamente à realização de eventos. A decisão foi anunciada esta segunda-feira através das redes sociais do espaço, sete meses depois da reabertura, em dezembro de 2025.

“A Bica do Sapato deixou de funcionar como restaurante e passou a receber eventos em exclusivo”, lê-se na publicação no Instagram. Desde o final de junho que os conteúdos publicados nas redes sociais do espaço já incidiam quase exclusivamente sobre a vertente de lugar para eventos, antecipando a mudança agora confirmada.

O restaurante tinha reaberto em dezembro, depois de seis anos fechado, pela mão dos empresários Francisco Lacerda e Celso Assunção, que adquiriram a concessão do mítico espaço no final de 2019. Inicialmente pensado como um investimento imobiliário para reabilitar e arrendar o edifício, o projeto acabou por evoluir para a recuperação de uma das marcas mais icónicas da restauração lisboeta, com uma aposta numa cozinha portuguesa contemporânea, com os chefs Milton Anes e Hugo Guerra ao leme.

Em entrevistas, os proprietários assumiam o objetivo de devolver ao “Bica” o papel de ponto de encontro da cidade. “Queremos recuperar o lugar onde diferentes mundos se cruzavam, onde havia cultura, diversão, boa comida e, acima de tudo, autenticidade”, afirmava Celso Assunção à revista Forbes.

O Observador tentou contactar ambos os proprietários para apurar o que motiva esta nova estratégia para o espaço e se há postos de trabalho em risco, sem sucesso. Já o chef Hugo Guerra declinou fazer qualquer comentário.

Um ícone da restauração lisboeta

O Bica do Sapato abriu portas em junho de 1999, pelas mãos de Fernando Fernandes e José Miranda, fundadores do Pap’Açorda, juntamente com Manuel Reis, criador do Frágil e do Lux, tendo como sócio o ator John Malkovich.

Após uma década de forte crescimento, a crise financeira de 2008 marcou o início de um período de maior instabilidade. As mortes de José Miranda, em 2016, e de Manuel Reis, em 2018, fragilizaram ainda mais o projeto, que acabaria por encerrar em 2019, oficialmente “para obras”, mas numa altura em que a venda já se dava como certa. Seis anos depois, o histórico restaurante regressou com nova gestão e uma imagem renovada, com o desfecho que agora se conhece.

[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]