Chama-se Alec e já fez história à nascença: é o primeiro bebé conhecido na história moderna dos EUA a nascer de uma segunda-dama em exercício, com o marido no cargo de vice-presidente. O anúncio oficial foi feito no domingo através das redes sociais, onde JD Vance e a mulher, Usha Vance, deram as boas-vindas ao quarto filho.

“Usha e o bebé estão felizes e saudáveis, e os nossos filhos estão radiantes por conhecerem o irmãozinho”, escreveram na publicação que assinam juntos.

O casal conheceu-se em 2010 na Faculdade de Direito de Yale e casaram no Kentucky quatro anos depois. Além de Alec, o casal Vance tem outros três filhos pequenos: dois rapazes, Ewan (com nove anos) e Vivek (de seis), e uma rapariga, Mirabel (com quatro).

Com este nascimento, o vice-presidente parece colocar em prática a sua própria visão política sobre a família a partir de casa. Conhecido pela defesa apaixonada do aumento da natalidade no país, Vance tinha sido perentório na Marcha pela Vida de 2025, em Washington: “Quero mais bebés nos Estados Unidos da América”.

A chegada de Alec insere-se num recente “mini baby boom” — como descreveu a imprensa internacional — no núcleo duro da Casa Branca. Nos últimos meses, também a secretária de imprensa Karoline Leavitt teve o seu segundo filho, em maio, e Katie Miller, casada com o chefe de gabinete adjunto Stephen Miller, recebeu o quarto filho do casal.

É raro que os ocupantes dos mais altos cargos públicos dos Estados Unidos aumentem o agregado familiar durante o mandato. Para encontrar a última vez que um vice-presidente em funções foi pai é preciso recuar até ao século XIX, com o nascimento do filho de Schuyler Colfax e da esposa, Ellen Colfax, em 1870.

Mas, em relação à altura de Ellen Colfax, há uma “mudança notável”, aponta o The New York Times: as escolhas de vestuário. Quando Cherie Blair surpreendeu o Reino Unido ao engravidar enquanto o marido, Tony Blair, era primeiro-ministro, o seu estilo de maternidade assentava sobretudo em túnicas e peças folgadas. O mesmo aconteceu com Jacqueline Kennedy, que, ao ficar grávida durante a campanha presidencial do marido em 1960, optava por vestidos que desenhavam a silhueta, mas sem expor a gravidez em pleno.

Poderá parecer uma questão superficial, mas desengane-se quem veja a questão dessa forma. Ao mesmo tempo que os lutadores musculados do UFC [Ultimate Fighting Championship] — evento promovido por Donald Trump no Dia da Bandeira — encarnam a imagem de masculinidade do movimento MAGA, as mulheres grávidas do círculo íntimo da Casa Branca são o contraponto feminino. A par dos habituais cuidados na indumentária, da maquilhagem e cabelos impecáveis, encarnam uma feminilidade idealizada que dá corpo — aqui, literalmente — ao movimento pró-natalista da administração Trump.

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[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]