Os diretores escolares notaram um ligeiro aumento dos pedidos de reapreciação dos exames nacionais, mas nenhuma “subida abrupta como se chegou a pensar”, revelou esta quinta-feira a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
“Falei com vários diretores e o número de pedidos de reapreciação é semelhante ao ano passado ou então subiu apenas ligeiramente. Ninguém referiu nenhuma subida abrupta como se chegou a pensar, tendo em conta todos os problemas relatados durante o processo de classificações”, disse à Lusa o presidente da ANDAEP.
Filinto Lima não tem números concretos dos pedidos, mas sublinha que os serviços do Ministério “têm, porque o processo é online”.
Nos últimos dias, a Lusa questionou o gabinete do Ministério da Educação e o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQa) sobre os pedidos de reapreciação, mas ainda não obteve qualquer resposta.
Os alunos têm dois dias úteis para pedir a reapreciação após receberem as provas para consulta. A grande maioria teve os exames durante o fim de semana, mas ainda há estudantes sem notas atribuídas ou sem acesso às provas.
Por isso, o período para pedir a reapreciação ainda está a contar para alguns alunos.
Os problemas por causa da digitalização das provas têm vindo a ser corrigidos e, segundo dados do ministro da Educação, na quarta-feira havia “680 erros de digitalização” num universo de 290 mil exames realizados na 1.ª fase.
Também na quarta-feira, o Júri Nacional de Exames (JNE) revelou que tinham sido reclassificadas mais de cinco mil provas, porque tinham sido identificados erros nos parâmetros de correções de quatro disciplinas: Física e Química A, Geografia, História A e Português Língua Não Materna.
As novas pautas foram enviadas na quarta-feira e foi dada a possibilidade aos alunos de se inscreverem para a 2.ª fase dos exames nacionais, que começou na terça-feira e termina na sexta, ou na época especial, que acontece em setembro.
Os alunos que pedem a reapreciação da prova podem candidatar-se à 2.ª fase e, caso a nota seja alterada, a classificação é automaticamente corrigida, podendo o aluno alterar os cursos que tinha colocado na candidatura. Se não quiser alterar as opções escolhidas, não precisa realizar nenhum procedimento adicional.
Os alunos já inscritos nesta 2.ª fase aumentaram ligeiramente em relação ao ano passado, “mas não foi um aumento em massa”, revelou Filinto Lima, garantindo que as escolas se prepararam para todos os cenários.
“Tivemos de disponibilizar mais recursos humanos, mais salas do que o inicialmente previsto e fizemos um pedido do número de provas por cima”, contou à Lusa.
O presidente da ANDAEP não tem relatos de problemas nas escolas e sente que “as coisas estão mais calmas”: “Estão a circunscrever o incêndio. Neste momento estão a tentar apagar os fogos”, disse.
Para Filinto Lima, ainda “há a hipótese de a credibilidade deste modelo ser resgatada, até porque o futuro é este, o da digitalização dos exames. Os professores dizem que é mais fácil de trabalhar”.