Um ataque de colonos israelitas em Till, na Cisjordânia, provocou seis mortos — quatro palestinianos e dois israelitas — e oito feridos. Os colonos atacaram várias casas e abriram fogo contra palestinianos, segundo as autoridades locais, citadas pela Al Jazeera.

Na quinta-feira, dois episódios de esfaqueamento por parte de palestinianos tiveram lugar em Beit Furik e Tubase que resultaram em incursões lançadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa).

Os incidentes provocaram uma escalada de confrontos numa região já muito tensa e que levou ao aumento dos ataques de colonos contra palestinianos e ao reforço da presença das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa) na Cisjordânia.

Num comunicado conjunto, citado pelo The Times of Israel, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram a intensificação das operações militares contra “focos de terrorismo” na região, incluindo a demolição da casa do suspeito de um tiroteio que na quinta-feira matou um israelita, em Till.

Além disso, os dois governantes anunciaram o reforço da presença militar de Israel em toda a Cisjordânia, juntamente com a legalização de postos avançados agrícolas de colonos e a criação de novos postos de controlo. Do mesmo modo, Netanyahu ordenou a aceleração da legalização de colonatos na Cisjordânia, que são ilegais perante o direito internacional.

Na região de Nablus, colonos abriram fogo contra residentes e atacaram uma ambulância perto do posto de controlo israelita de Zaatara, tendo disparado contra palestinianos e incendiado uma casa em Urif. Além disso, ocuparam Odala, onde instalaram um acampamento, referem a Al Jazeera e a agência de notícias palestiniana Wafa.

Na mesma região, militares israelitas invadiram o hospital central e prenderam duas pessoas — que estavam feridas — suspeitas do ataque em Till.

Na aldeia de Surra, colonos israelitas incendiaram casas, campos e veículos civis, enquanto em Madama houve confrontos entre jovens palestinianos e militares israelitas. Os ataques em Surra provocaram três feridos, segundo a Wafa.

Em Ramallah, colonos danificaram canos de água em Ein Samia e bloquearam acessos à cidade, refere a agência de notícias. Em Al-Naqoura, colonos incendiaram campos e casas, sendo que os residentes temem um “pogrom”, de acordo com o ativista cristão palestiniano Ihab Hassan, no X.

Em Haris, as forças israelitas isolaram a entrada da aldeia e abriram fogo contra a população, além de lançarem granadas de atordoamento. Do mesmo modo, fecharam os acessos às cidades de Deir Istiya e Deir Ballut, na região de Salfit da Cisjordânia.

Os ataques foram condenados pela Organização para a Cooperação Islâmica, que pediu a responsabilização de Israel e dos colonos, e pela Presidência da Autoridade Palestiniana, cita a Wafa.

A Organização para a Cooperação Islâmica condenou “a escalada de terrorismo dos colonos e os crimes hediondos cometidos contra civis palestinianos com a proteção e participação das forças de ocupação de Israel e gangs de colonos” e pediu “proteção internacional para o povo palestiniano”.

A Presidência da Autoridade Palestiniana apelidou os incidentes de “terrorismo” e denunciou os ataques às várias cidades e vilas, assim como ao Hospital de Nablus.

Do mesmo modo, os Médicos Sem Fronteiras condenaram a ação das IDF por prenderem as duas pessoas suspeitas da morte dos dois cidadãos israelitas e afirmaram que estes casos “não são isolados”, mas “inserem-se num padrão mais amplo de incursões israelitas, violência de colonos patrocinada pelo Estado, interrupção de serviços essenciais e crescente pressão sobre civis e o sistema de saúde“.

Os ataques por parte de colonos na Cisjordânia têm aumentado nos últimos meses. Desde o início do ano, foram registados mais de 1.330 incidentes, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, 50 dos quais resultaram em vítimas, danos materiais ou ambos. Cerca de 60% dos ataques aconteceram nas regiões de Nablus e Ramallah.