“Isto é suposto ser divertido? Devo ser sério? Devo fazer de comediante?” As dúvidas de Donald Trump quando se dirigiu aos jornalistas no jantar dos correspondentes na Casa Branca anteciparam uma hora de “discurso errático”, segundo o jornal The New York Times, em que o Presidente dos EUA fez ataques pessoais, tentou fazer piadas e enviou mensagens sobre o Irão. No final, Trump usou e atirou um boné onde se lê “Trump 2028”.

O jantar no Waldorf Astoria, antigo edifício do Trump International Hotel em Washington DC, juntou centenas de jornalistas, três meses depois de o jantar ter sido interrompido pela entrada de um homem armado que conseguiu passar a segurança.

O convívio aconteceu numa altura em que a administração de Trump tem intensificado a perseguição a jornalistas, mas foram premiados profissionais do setor, desde logo um grupo de jornalistas do The Wall Street Journal pela “corajosa cobertura da relação passada do Presidente Trump com o financeiro Jeffrey Epstein”.

Enquanto foram sendo distribuídos os prémios, Trump chegou a erguer as mãos de forma teatral e chegou a atirar: “Enfim, o que se pode fazer?” O jornal norte-americano nota que os risos iam surgindo de forma envergonhada, chama-lhes até “risos nervosos” vindos da plateia.

O Presidente dos EUA ia tentando amenizar o ambiente com piadas e, numa referência ao jantar que ficou a meio, atirou: “Espero que todos tenham finalmente conseguido apreciar por inteiro o vosso delicioso lombo de vaca, uma carne muito especial”. E acrescentou: “E quero que saibam que Bobby Kennedy, que está aqui, atropelou pessoalmente a vaca com o carro, cortou-a e trouxe-a até aqui para vocês comerem esta noite.” “É um tipo de pessoa muito diferente”, concluiu Trump sobre o governante.

O ambiente piorou quando Trump começou a ridicularizar alguns jornalistas. Um dos momentos mais constrangedores foi quando contou que já confundiu a repórter da CNN Kaitlan Collins, que descreveu como alguém que “nunca sorri”, com uma personalidade transgénero das redes sociais, Dylan Mulvaney.

E também o fez com inimigos políticos, assumindo que “há pessoas que odeia”, como Adam Schiff. Mas também atacou a comediante e atriz Rosie O’Donnell, a congressista e ativista Alexandria Ocasio-Cortez, Chris Christie, advogado e ex-governador de New Jersey e Jerry Nadler, também membro da Câmara dos Representantes.

Acabou por tentar uma piada sobre a gerontocracia no Capitólio ter fracassado, já quando os jornalistas mostravam não estar a gostar da conversa, e, quando viu que não funcionou, atirou: “Na verdade, essa era a única parte que eu achava boa em todo este maldito discurso estúpido. Era a única boa, e não foi propriamente recebida com grandes gargalhadas.”

Pouco antes do final do discurso, Donald Trump tirou um boné e colocou-o na cabeça. Lia-se “Trump 2028”, como um assumir de que irá ser recandidato à Casa Branca daqui a dois anos. Porém, de acordo com a 22.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, os Presidentes só podem ser eleitos para o cargo duas vezes — mesmo de forma não consecutiva. É o caso do atual Presidente, que está a cumprir o segundo mandato.