No passado sábado, as imagens do fogo a avançar sobre Serra d’Espadà, no leste de Espanha, eram acompanhadas por um som pouco característico num incêndio: o de explosões. Em causa está o facto de as chamas terem detonado munições da Guerra Civil espanhola. As explosões, por sua vez, alimentam os incêndios, criando um ciclo que dificulta o trabalho dos bombeiros no local.

Terão sido estas mesmas explosões que provocaram o incêndio de Vall d’Uixó, na província de Castellón a norte de Valência, no passado sábado, que obrigou a evacuar 18 municípios e a emitir ordens de confinamento para três localidades. O caso foi relatado esta segunda-feira por um bombeiro da Generalitat Valenciana, a combater os incêndios no local. “Ainda há muitos artefactos explosivos não detonados que explodem com a propagação do fogo. Isso representa um risco adicional para os bombeiros”, afirmou Xevi Bolumar, em declarações à emissora pública espanhola, citadas pela imprensa de Castellón.

Fontes do Consórcio de Bombeiros do Conselho da Província de Castellón confirmaram esta realidade ao El Mundo, mas explicaram que o protocolo de combate a incêndios é o mesmo, com ou sem munições, uma vez que não é possível definir uma área específica onde estas podem aparecer. Portanto, as mesmas precauções têm de ser aplicadas no combate em qualquer região.

Esta não é a primeira vez que as marcas da Guerra Civil espanhola se fazem sentir no combate aos incêndios, uma realidade que é documentada com regularidade durante a época mais crítica. Serra d’Espadà foi, ainda assim, um dos palcos mais ativos do conflito, há 90 anos, devido ao seu terreno montanhoso. Foi aí que as forças nacionalistas de Francisco Franco construíram a Linha do Levante, uma ofensiva em que tentaram, sem sucesso, tomar a cidade de Valência.