O PS voltou esta quarta-feira a criticar a “opacidade total” da Câmara Municipal de Lisboa (CML) sobre o acidente do elevador da Glória, inclusive as indemnizações às vítimas, depois de ter recebido informação da Carris de que falta concluir autópsias.

“Foi dito que havia autópsias que ainda não estavam feitas, nomeadamente por responsabilidade do Ministério Público”, indicou o vereador do PS Pedro Anastácio, referindo que essa informação foi dada em junho pela administração da Carris, empresa municipal responsável pelo elevador da Glória, na qual também adiantou que estavam concluídos dois processos de indemnização às vítimas.

No entanto, o Ministério da Justiça, que tutela o Instituto de Medicina Legal, garante que todas as autópsias foram concluídas. Num esclarecimento enviado ao Observador confirma que “as autópsias foram todas realizadas em 24 horas e que todos os relatórios dos 16 casos foram concluídos”.

Na reunião pública desta quarta-feira da CML, um mês após a reunião entre a administração da Carris e os vereadores do executivo municipal, o socialista Pedro Anastácio procurou saber qual o ponto de situação dos processos de indemnização às vítimas do descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 3 de setembro, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

“Já fez alguma diligência para as situações em que nem autópsias temos concluídas, fez algum tipo de intervenção, o que é que fez?”, interrogou o vereador do PS, dirigindo-se para o presidente da CML, Carlos Moedas (PSD).

“Que reporte tem a dar à Câmara? É o mínimo que se exige. Eu percebo que existe aqui uma espécie de tática de amortecimento para não se falar disto, para ver se as pessoas esquecem, mas isso não é estar à altura das responsabilidades”, insistiu Pedro Anastácio, considerando que a atuação do município perante este acidente “envergonha Lisboa, envergonha o executivo da Câmara Municipal e, pessoalmente, envergonha e muito o presidente da Câmara Municipal de Lisboa”.

Considerando as questões do vereador do PS repetitivas, Carlos Moedas remeteu as respostas para o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), que reforçou que “a Carris tem vindo a fazer um trabalho cuidadoso, rigoroso, robusto, técnico, de grande seriedade”, referindo que as auditorias que estão em curso, uma interna junto da Carris e outra externa por parte de uma comissão técnica, não têm um prazo específico para estarem concluídas, referindo que tal não era possível definir.

“Por exemplo, alguns dos equipamentos, nomeadamente os equipamentos danificados, estão em segredo de justiça, estão à guarda do Ministério Público. Ora, enquanto a Carris não tem acesso a esses equipamentos, como é que a Carris pode terminar uma auditoria? Como é que isso é possível?”, expôs.

Quanto ao pagamento às vítimas, Gonçalo Reis sublinhou que todas as despesas de saúde apresentadas foram já pagas, enquanto as indemnizações ainda estão em processo de negociação por parte da seguradora da Carris.

“A seguradora da nossa parte tem carta branca para negociar o mais rápido possível, o melhor possível, da maneira mais justa, da maneira mais humana, todas as compensações adequadas. Até porque todas essas compensações têm a cobertura total do nosso seguro, portanto nós não temos incentivo nenhum, nenhum, a que essas compensações não venham a ser fechadas”, declarou o autarca do PSD, escusando-se a revelar quantos processos foram já concluídos.

Sublinhando que estes processos são “altamente técnicos e complexos”, o vice-presidente da CML frisou que os mesmos têm de ser feitos pela seguradora: “A Carris não pode, legalmente, substituir-se à seguradora e negociar diretamente compensações com famílias.”

Perante esta resposta, o vereador do PS lamentou a postura do presidente e do vice-presidente da CML e a “opacidade total” perante o evento “mais trágico dos últimos 60 anos” na cidade de Lisboa, defendendo que o município deve ter informação da seguradora sobre quantos processos já foram concluídos.

Sobre as auditorias, Pedro Anastácio criticou a resposta do vice-presidente, a qual considerou que serve “para enganar as pessoas”, argumentando que esse trabalho de análise não envolve a cabine do elevador da Glória que está à guarda do Ministério Público.

Nesta reunião, o PCP voltou a questionar sobre “obras ilegais” no quiosque do Jardim da Estrela, tendo PS e BE também procurado respostas sobre alegadas irregularidades na concessão deste espaço.

O PCP apresentou uma moção contra o atraso na construção do novo aeroporto de Lisboa, de 2034 para 2037, mas a proposta foi rejeitada com os votos contra da liderança PSD/CDS-PP/IL, que governa com maioria absoluta.

Novo aeroporto de Lisboa pode custar até 8,9 mil milhões. Será servido por comboio rápido em 20 minutos e 250 km de novas vias

Notícia atualizada às 13h13 do dia 31 de julho com o esclarecimento do Ministério da Justiça.