A central nuclear de Gravelines, no norte de França, teve de desligar três dos seus reatores e reduzir a atividade de um quarto a 50% durante a noite desta segunda-feira devido ao surgimento de uma grande concentração de alforrecas.

A operadora energética responsável por esta central, a EDF, confirmou às agências noticiosas Reuters e AFP que teve de ativar medidas preventivas implementadas em 2025 depois de um incidente semelhante ter levado toda a instalação a ficar fora de serviço.

Em causa está o facto de esta central se localizar junto ao Canal da Mancha e recorrer a água salgada para arrefecer os seus reatores através de um canal ligado ao Mar do Norte. Esta central é a maior do país, com cada uma das suas unidades capaz de produzir 900 megawatts de energia, perfazendo um total de 5,4 gigawatts.

No entanto, a sua produção foi fortemente afetada esta noite, já que um enxame de alforrecas entrou pelas condutas e entupiu as bombas utilizadas para arrefecer os reatores. Como tal, a EDF confirma só ter, de momento, uma unidade plenamente funcional, já que os reatores 2, 3 e 4 tiveram de ser desligados. O reator 1 foi limitado a trabalhar a 50% da potência total como medida preventiva e o reator 5 já se encontrava fora de serviço para manutenção.

A elétrica assegura que “esta situação não tem qualquer impacto na segurança das instalações, do pessoal ou no ambiente”. A unidade prepara-se para ser reativada na medida em que as alforrecas presentes no local estão a ser removidas e não chegaram novos espécimes entretanto.

Apesar de insólito, este tipo de incidente não é incomum. Não só provocou uma situação idêntica em Gravelines em 2025, como já levou, por exemplo, a um encerramento de três dias de uma central na Suécia, em 2013. Por essa razão, um engenheiro da unidade contou à Reuters que a EDF instalou câmaras nos canais de captação de água e nas grelhas dos tambores de filtragem para detetar o mais rapidamente possível qualquer obstrução na entrada.

Além disso, a elétrica começou a trabalhar com duas organizações locais — uma de pesca e outra de salvamento marítimo — para monitorizar a presença destes animais. Na eventualidade de surgir um enxame, é emitido um alerta para que os pescadores lancem operações de arrasto direcionadas, reduzindo assim a densidade do grupo antes de este chegar à central. O mesmo engenheiro revelou que esse protocolo foi ativado no sábado, o que reduziu o impacto do enxame.

Esta situação, todavia, tem tendência para agravar-se, já que a sobrepesca dos predadores naturais das alforrecas, a poluição marítima com plásticos e o aquecimento dos mares devido às alterações climáticas estão a criar condições que permitem a estes animais prosperar e reproduzir-se, avisam os especialistas.