Tudo começou na competição, em 1962, quando a Ferrari corria com o 250 GTO, tido como o modelo mais competitivo da época que a equipa liderada por Enzo Ferrari fornecia aos melhores teams privados. O Conde Volpi, proprietário da Scuderia Serenissima, encomendou um dos novos GTO mas, em simultâneo, reforçou a sua equipa técnica contratando Giotto Bizzarrini, um dos engenheiros da equipa oficial da Ferrari, o que irritou Enzo, que prontamente suspendeu a encomenda do aguardado GTO. Volpi não era homem para se deixar ficar para trás e tratou de transformar o seu 250 GT SWB — o antecessor do GTO — com as dicas de Bizzarrini e o génio do carroçador Piero Drogo para criar um Ferrari de competição ainda melhor que o GTO. O objectivo foi alcançado (batia os 250 GTO nas 24 Horas de Le Mans de 1962 antes de abandonar) com a adopção da lubrificação por cárter seco, deslocando o 3.0V12 mais para trás para uma melhor distribuição de peso e, sobretudo, com uma carroçaria mais aerodinâmica, com uma traseira mais alta e truncada, característica que valeu ao modelo o apelido de Breadvan, ou “carrinha do pão” em português.

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O primeiro Daytona Shooting Brake foi concebido em 1972, encomendado para o cliente Bob Gittleman pelo importador da Ferrari para os EUA. A base para a transformação foi um Ferrari 365 GTB/4 Daytona e a sua mecânica (um 4.4 V12 com 345 cv), com a alteração da carroçaria a pertencer aos britânicos da Panther Westwinds, que admitiram que a traseira elevada e truncada foi inspirada na “carrinha do pão” que surgiu 10 anos antes. Porém, desta vez não estava em questão uma aerodinâmica mais apurada, mas sim uma bagageira mais generosa, uma das exigências de Gittleman para o seu Ferrari 365 GTB/4 Daytona Shooting Brake.

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Avançando rapidamente para 2026, o gabinete do estilista neerlandês Niels van Roij Design, que tem por hábito conceber carrinhas a partir de todo o tipo de coupés e berlinas — uma das suas últimas criações foi o Rolls-Royce Wraith Shooting Brake —, decidiu produzir uma homenagem ao Daytona Shooting Brake de 1972, tendo como base para o chassi e para a mecânica um Ferrari 599 GTB Fiorano, equipado com um 6.0 V12 atmosférico com 620 cv.

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O gabinete de design não se poupou a esforços, não só para respeitar as formas gerais do Ferrari 365 GTB/4 Daytona Shooting Brake de 1972, como na essência as próprias linhas da “carrinha do pão” encomendada pelo Conde Volpi. O designer dos Países Baixos esforçou-se para conceber uma Shooting Brake mais atraente e fluida — que denominou Daytona Shooting Brake Hommage —, mantendo a carroçaria original até às portas laterais, para depois (e mantendo o alumínio como material) criar os novos painéis para o tejadilho, laterais traseiras e zona posterior. Até as curiosas tampas da bagageira, que abrem em borboleta, são agora mais perfeitas e adaptadas ao estilo do modelo. Tudo isto consumiu mais de 15.000 horas de trabalho artesanal, uma vez que todos os painéis de alumínio foram moldados à mão.