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Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia manifestaram esta quarta-feira “apoio firme” à presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), alvo de sanções dos Estados Unidos.
“Von der Leyen e eu apoiamos firmemente o Tribunal Penal Internacional, a presidente Tomoko Akane e os funcionários que asseguram a sua missão”, escreveu António Costa numa mensagem divulgada nas redes sociais.
President @vonderleyen and I stand firmly with the @IntlCrimCourt, President Tomoko Akane and the officials who uphold its mission.
The ICC helps deliver justice to the victims of some of the world’s most horrific crimes.
To carry out this essential work, its judges and…
— António Costa (@eucopresident) August 19, 2026
Costa e Von der Leyen afirmaram que o Tribunal Penal Internacional “ajuda a fazer justiça às vítimas de alguns dos crimes mais horríveis do mundo”.
“Para desempenharem este trabalho essencial, juízes e funcionários devem poder agir de forma independente e sem pressões externas”, defenderam.
Numa declaração divulgada posteriormente, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, “lamenta profundamente a decisão dos Estados Unidos de impor sanções” a Akane e ao procurador Abdoulaye Seye.
“O Tribunal Penal Internacional é um pilar fundamental do sistema de justiça penal internacional e da luta global contra a impunidade”, sublinhou Kallas, acrescentando que “a independência, imparcialidade e capacidade para cumprir o seu mandato devem estar livres de qualquer pressão, intimidação ou interferência”.
“As sanções impostas ao tribunal, aos responsáveis e aos funcionários comprometem o seu trabalho”, advertiu.
A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança afirmou que o bloco mantém o “firme apoio” ao Tribunal Penal Internacional e “continuará a prestar-lhe todo o apoio, garantindo a proteção do tribunal e do seu pessoal contra pressões ou ameaças externas”.
“A UE mantém-se firmemente empenhada no Estatuto de Roma e na defesa da independência e da integridade do tribunal”, referiu.
Japão e Alemanha apoiaram já o TPI e apelaram para a defesa do tribunal como organização independente.
Na terça-feira, os Estados Unidos incluíram Akane e um membro da procuradoria, o advogado senegalês Abdoulaye Seye, na lista de sanções, numa decisão que implica o congelamento de bens, isolamento financeiro ao proibir transações com entidades norte-americanas e restrições de entrada nos Estados Unidos.
“Estas pessoas participaram diretamente nos esforços envidados pelo TPI para investigar, deter, colocar em prisão preventiva ou processar responsáveis cujos Governos não aceitaram a competência do TPI”, justificou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, num comunicado.
O TPI, com sede em Haia, nos Países Baixos, alertou que as novas sanções impostas pela administração do presidente Donald Trump “subvertem o Estado de direito” e põem em risco a ordem jurídica internacional.
“Quando se ameaçam os atores judiciais por aplicarem a lei, o que se põe em risco é a própria ordem jurídica internacional”, disse o TPI.
O tribunal rejeitou as pressões e assegurou que continuará a desempenhar as funções “com independência e imparcialidade”, e de acordo com o Estatuto de Roma, o tratado fundador do tribunal.
Os Estados Unidos, bem como Israel, Rússia ou China, não ratificaram o Estatuto de Roma, pelo que não reconhecem a jurisdição do TPI.
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