A ministra da Justiça garantiu esta quarta-feira que “ninguém mentiu” quando foi dada a informação de que o orçamento de 144 mil euros não visava apenas a destruição de material apreendido no âmbito da Operação Pacoba, mas também o de outros processos. Rita Alarcão Júdice garante que foi a Polícia Judiciária quem passou ao Ministério da Justiça essa informação, que está agora a ser novamente confirmada, uma vez que é contraditória com as declarações do ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves.
“Nunca houve qualquer mentira, ninguém mentiu. Houve uma informação que foi veiculada pelos serviços da Polícia Judiciária e que eu incluí na resposta que dirigi ao Chega”, afirmou Rita Alarcão Júdice, durante uma audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
Em causa está o orçamento de 144 mil euros apresentado para a destruição de produtos químicos apreendidos na Operação Pacoba. Na terça-feira, Luís Neves afirmou no Parlamento que “todo o material da Operação Pacoba era para ser destruído com este valor”, sublinhando que “não há dúvida nenhuma” sobre o orçamento apresentado por uma empresa. Ou seja, o orçamento visava apenas destruir o material daquele inquérito. E, segundo o ministro, o preço elevado levou a que se tivesse de arranjar uma solução, armazenando uma parte dos químicos nas instalações da Construbarcelos.
No entanto, o Ministério da Justiça tinha adiantado, na semana passada, que os 144 mil euros diziam respeito à destruição de material relacionado com vários processos e não apenas o da Operação Pacoba.
Esta quarta-feira, a ministra disse estar agora a tentar esclarecer a discrepância e afirmou que a informação mais recente aponta para que o orçamento esteja, afinal, relacionado apenas com a operação. “O orçamento que foi apresentado tem uma quantidade de equipamento e material para ser destruído. A pergunta que eu fiz e os esclarecimentos que aguardo são a confirmação de que todos esses itens que estão nesse orçamento pertencem apenas ao processo Pacoba”, explicou.
“Há uma nuance: é muito mais material [apreendido na operação] do que o material que estava [na galera que estava na Construbarcelos] e daí, como é natural, imagino eu, tenha estado na origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária”, afirmou Júdice.
A ministra garantiu ainda que está “bastante incomodada” com a situação e revelou ter pedido diretamente ao diretor nacional da Polícia Judiciária que apure a origem da informação transmitida ao Governo. “Pauto as minhas respostas pelo rigor, não escondo informação e, por isso, como pode imaginar, estou bastante incomodada com esta questão”, disse, acrescentando: “Já pedi ao diretor da Polícia Judiciária para assumir pessoalmente a responsabilidade de apurar ponto por ponto o que se está a passar e qual é a informação que tem de ser dada”.
Rita Alarcão Júdice acrescentou que aguarda novos esclarecimentos e pediu que a investigação interna em curso inclua “uma informação específica sobre esta matéria”.
O atrelado com produtos químicos destinados à produção de droga, apreendido no âmbito da Operação Pacoba, esteve armazenado nas instalações da Marinha, no Seixal, antes de ser levado para um armazém da empresa Construbarcelos, em Barcelos. Segundo Luís Neves, a decisão de procurar uma solução alternativa esteve relacionada com o custo estimado de 144 mil euros para a destruição do material.