Leonor Beleza, primeira vice-presidente do PSD e conselheira de Estado, diz não conseguir compreender as reiteradas críticas que Pedro Passos Coelho tem feito ao Governo de Luís Montenegro e atribui as declarações do antigo primeiro-ministro à forma como foi tratado depois de vencer as eleições legislativas de 2015 e, mesmo assim, não ter tido a oportunidade de continuar no poder.
Em entrevista à jornalista Fátima Campos Ferreira, no programa “Primeira Pessoa”, da RTP, a ex-ministra da Saúde lamenta que assim seja. “Ele passou por coisas complicadas, como sabemos. Não foi objeto da manifestação de apreço que talvez tivesse o direito de esperar. Penso que pesa muito. Tenho muita dificuldade em compreender porque é que ele hoje diz um certo número de coisas.”
Leonor Beleza, antiga presidente da Fundação Champalimaud, foi uma das principais ministras de Aníbal Cavaco Silva, que, esta quarta-feira, veio denunciar o “ruído mediático” criado em torno de Luís Montenegro. Depois de muitos anos afastada da política ativa, Leonor Beleza foi recuperada por Montenegro para a direção do partido precisamente como prova dessa aproximação do atual presidente do PSD ao universo cavaquista.
Esta não é a primeira vez que Leonor Beleza responde diretamente a Passos. Em janeiro de 2024, e numa altura em que Luís Montenegro se tentava lançar à conquista das eleições legislativas, a AD organizou uma convenção no Estoril que deveria servir como demonstração de força. Passos e Montenegro já estavam de costas voltadas, e o antigo primeiro-ministro fez saber que não ia à convenção por falta de convite. Quando finalmente subiu ao palco para falar, Beleza não o esqueceu: “Estou aqui porque resolvi vir aqui. Ninguém me convidou. Não é um tempo de cerimónias. É um tempo em que precisamos de estar todos mobilizados”.