O Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, apelou ao voto nas eleições legislativas deste fim de semana, justificando que a participação representa o apoio da população aos militares que combatem na Ucrânia, e garantiu resiliência perante quaisquer tentativas de dividir os russos.
“A vossa escolha e vontade mostrarão novamente que milhões de pessoas apoiam os nossos combatentes, que somos um povo unido, ligado por valores comuns, pela memória histórica e pelo amor à pátria. Que ninguém conseguirá dividir-nos, nem intimidar-nos, nem tão-pouco minar a nossa soberania e o nosso sistema sociopolítico”, refere, citado pela agência de notícias russa TASS.
O líder russo sublinha que as eleições são a “resposta conjunta” a quem pretende enfraquecer a Rússia, impedir o desenvolvimento do país e o exercício da “soberania” e da “autodeterminação”. Putin sublinha que estas são as primeiras eleições realizadas “nas condições de uma operação militar especial” e destaca a participação de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia no ato eleitoral, após a anexação dos territórios ucranianos em 2022. Do mesmo modo, ressalta que a participação nas eleições é tão importante para a “vitória” da Rússia na Ucrânia como os combates militares.
“A vitória é forjada pelos nossos heróis no campo de batalha. Aproximam-na todos aqueles que trabalham honestamente pela Pátria e compreendem a sua responsabilidade pelo seu futuro”, sublinha, acrescentando que a participação, que decorre no Ano da Unidade dos Povos da Rússia, “é também uma responsabilidade e um contributo para o fortalecimento do país”.
As eleições legislativas russas realizam-se entre os dias 18 e 20 de setembro e estão a ser marcadas por temas como a guerra da Ucrânia, a economia e a crise energética, mas também pela proibição da participação do único partido antiguerra, o Yabloko (Maçã, em russo).
A proibição foi decretada a 10 de agosto pelo Supremo Tribunal Russo por “violações em matéria de direito eleitoral”, após o partido ultranacionalista Rodina ter interposto uma ação em que acusava o Yabloko de ter recebido financiamento estrangeiro e usado redes sociais da Meta, que são proibidas na Rússia. Além disso, a acusação referia que o partido tinha utilizado imagens geradas por Inteligência Artificial e fotogramas do filme “Guerra e Paz”, de 1966.
O partido recorreu da decisão, mas o Supremo manteve a decisão. No entanto, os candidatos do partido podem concorrer nos círculos uninominais, como refere a Reuters, mas muitos têm sido detidos e outros desqualificados.