Acompanhe o nosso liveblog sobre conflitos internacionais
O primeiro-ministro da Eslováquia ofereceu-se esta quinta-feira a Kiev para mediar com Moscovo um potencial acordo de paz, após acusar a União Europeia (UE) de não ter empenhado esforços para pôr fim à guerra.
“A União Europeia é incapaz de desenvolver iniciativas que ajudem a pôr fim a esta terrível guerra”, declarou Robert Fico num comunicado divulgado a partir da cidade ucraniana de Lviv, onde participou numa reunião entre o Governo eslovaco e o ucraniano.
Embora tenha admitido que é difícil falar de negociações de paz ao mais alto nível, Fico considerou que “continuam a ser possíveis os contactos a nível técnico, os quais poderiam contribuir para a paz na Ucrânia”.
“A Eslováquia está preparada para ajudar a alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia”, sublinhou o líder eslovaco que é considerado próximo de Moscovo.
Ao homólogo ucraniano, Serhii Koretskyi, o político populista deixou clara a sua disponibilidade para se reunir com ele a qualquer momento e em qualquer lugar.
“Basta ligar-nos e organizaremos tudo imediatamente”, afirmou o chefe do Governo eslovaco, que se opõe ao fornecimento de armas à Ucrânia para que esta se defenda da invasão russa.
Em simultâneo, representantes norte-americanos, franceses, alemães, britânicos e da NATO reuniram-se esta quinta-feira novamente em Bruxelas para debater, desta feita, as garantias de segurança que a Ucrânia receberia no âmbito de um eventual acordo de paz com a Rússia.
Este foi o segundo encontro diplomático realizado na capital belga em apenas dois dias e poucos dias antes das negociações entre Kiev e Moscovo previstas para a próxima semana em Abu Dhabi, sob a mediação de Washington.
O chefe dos serviços de informações externas da Ucrânia, Rustem Umerov, confirmou a natureza das conversações e explicou que o objetivo-chave das mesmas foi debater como deveriam ser articuladas as garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos, Europa e por outros parceiros internacionais, bem como uma nova estratégia europeia de segurança.
Today in Brussels, we held two important meetings with our partners.
The first focused on the Prosperity Plan for Ukraine. This is one of the key documents we are currently working on with our partners. It will define how we rebuild Ukraine after the war, attract investment, and…
— Rustem Umerov (@rustem_umerov) November 4, 2026
Umerov, numa mensagem nas redes sociais, salientou que, para o seu país, é fundamental que “as garantias de segurança não sejam meramente uma declaração política, mas sim um sistema que funcione na prática”.
Por seu lado, a porta-voz da NATO, Allison Hart, confirmou em declarações à imprensa que a reunião deu continuidade aos contactos diplomáticos mantidos recentemente em Miami e Oslo “para debater os próximos passos rumo a um fim justo e sustentável da guerra na Ucrânia”.
Fontes da Aliança Atlântica esclareceram pouco depois que se tratou de uma reunião “a nível de trabalho” e recordaram que a NATO também participou no encontro organizado na quarta-feira pela Comissão Europeia, no qual estiveram presentes delegações da Ucrânia, dos Estados Unidos, da França, da Alemanha, do Reino Unido e do Banco Mundial.
Assim, Bruxelas acolheu, pelo segundo dia consecutivo, contactos entre Washington e os aliados europeus no âmbito dos esforços diplomáticos para pôr fim à guerra, embora com objetivos diferentes em cada encontro.
A reunião de quarta-feira na Comissão Europeia foi dedicada a estudar diferentes fórmulas para financiar a reconstrução do país após a guerra e atrair investimentos internacionais que permitam impulsionar a recuperação económica de Kiev.
As conversações na capital da UE inscrevem-se no chamado “quadro de prosperidade”, desenvolvido em conjunto por Kiev e Washington no início deste ano, e ocorrem a poucos dias das negociações técnicas entre a Ucrânia e a Rússia previstas para os próximos dias 10 e 11 de novembro nos Emirados Árabes Unidos.
Nestas conversações não está prevista a participação da União Europeia, segundo indicaram fontes do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), que enquadraram o encontro num formato trilateral: Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.
Esta sucessão de encontros diplomáticos suscitou críticas da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que enviou esta quinta-feira uma carta ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, para denunciar a falta de coordenação entre os 27 e exigir que a UE nomeie “de uma vez por todas” um representante com um mandato claro para participar nas negociações de paz em nome de todo o bloco comunitário.