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O canalizador que puxou a alavanca, o dentista que amarrou o atacante. Quem são os quatro passageiros que evitaram o pior no voo da Flydubai

Mesmo ferido, o comandante do avião que fazia a ligação entre o Dubai e Telavive abriu a porta do cockpit. Quatro israelitas intervieram, imobilizando o atacante e estabilizando o Boeing 737.

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▲Yaniv Hayun com a bandeira israelita, foi um dos "heróis" aclamados à chegada ao aeroporto Ben Gurion

dpa/picture alliance via Getty I

▲Yaniv Hayun com a bandeira israelita, foi um dos "heróis" aclamados à chegada ao aeroporto Ben Gurion

dpa/picture alliance via Getty I

A tragédia só foi evitada porque quatro passageiros agiram a tempo. O voo da Flydubai que, esta quarta-feira, fazia a ligação entre o Dubai e Telavive, em Israel, foi interrompido de forma abrupta, quando o co-piloto (de origem omanita e cuja identidade não foi ainda revelada) esfaqueou repetidamente o comandante, Smit Machchhar. As autoridades israelitas acreditam que tinha como objetivo fazer despenhar o avião, onde seguiam 200 passageiros, a larga maioria israelitas.

Apesar de ter sido repetidamente atacado, o comandante do Boeing 737MAX8 conseguiu abrir a porta do cockpit, um gesto que acabou por se revelar decisivo para que outras pessoas pudessem entrar, imobilizar o atacante e contribuir para que o avião pudesse aterrar em segurança.

O Presidente de Israel anunciou esta quinta-feira que vai condecorar os quatro homens que conseguiram controlar a situação. “Yaniv Hayoun, Tzvika Mans, Asaf Rajuan e o Dr. Shota Musayev” serão homenageados pela “coragem extraordinária numa situação impossível”, disse Isaac Herzog em comunicado.


O chefe de Estado não esquece outras pessoas que “ajudaram a evitar a tragédia” como 
“Tali Mans, que ouviu os sons vindos do cockpit e chamou a atenção de todos; os pilotos fora de serviço, que entraram no cockpit e concluíram a missão até à aterragem; e o piloto indiano, o capitão Smit Machchhar, que, com as suas últimas forças, abriu a porta do cockpit e permitiu neutralizar a ameaça”.

Aliás, ao piloto indiano Herzog tem um agradecimento especial: “Ao capitão Smit Machchhar — obrigado, do fundo do coração, pela sua coragem, determinação e pelas ações que salvaram muitas vidas. Desejo-lhe uma recuperação completa e muita saúde. O Estado de Israel manifesta-lhe a sua enorme gratidão”, sublinhou.

O piloto, que está fora de perigo, foi também elogiado pelo primeiro-ministro indiano, bem como pela Presidente da Índia. “O Capitão Smit Machchhar é um herói”, escreveu Narendra Modi nas redes sociais. “Perante o mais grave perigo e, apesar de estar gravemente ferido, demonstrou imensa coragem e uma determinação inabalável para proteger a vida dos outros.”

Draupadi Murmu escreveu que a “nação se orgulha de Machchhar”, salientando a sua “coragem heróica e incrível presença de espírito”.

Já os vizinhos dos pais, que vivem num subúrbio de Bombaim, não ficaram surpreendidos com a coragem do piloto de 30 anos. Descrevem-no à Agência France Press como um homem tranquilo, prestável e “sempre a sorrir”, alguém que permanece calmo quando está sob pressão desde a sua infância. Com mais de 13 anos de experiência de voo, Smit Machchhar contou num podcast em 2025 que o seu primeiro voo comercial tinha sido assustador, face à responsabilidade de ter nas mãos a vida dos passageiros. Mas contou que aprendeu a gerir esse peso, lembra a AFP. “Estar stressado não vai ajudar, pelo menos nesta indústria”, afirmou.

Para além do piloto, quem são os quatro israelitas considerados heróis, e que, em conjunto com a tripulação, conseguiram evitar o pior e a quem Herzog vai atribuir o Prémio de Heroísmo Civil?

O canalizador fã da série Mayday Desastres Aéreos

O canalizador israelita Yaniv Hayoun foi um dos primeiros a entrar no cockpit assim que o comandante ferido conseguiu abrir a porta. Já no aeroporto de Telavive (para onde os passageiros foram repatriados depois de o avião ter feito uma aterragem de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita), Hayoun contou ao primeiro-ministro israelita o que aconteceu.

O comandante, de nacionalidade emiradense, e o copiloto omani ter-se-ão agredido, tendo o primeiro sido esfaqueado com um canivete. Os passageiros aperceberam-se também de que o copiloto “estava a tentar destruir os botões de forma a desestabilizar o avião”.

Agressões no cockpit e “heroísmo” dos passageiros: o dia em que se evitou uma “terrível tragédia” no avião da Flydubai

Yaniv Hayoun relatou também como imobilizou o suposto agressor e o arrastou para fora da cabine de comando junto com outros passageiros. Quando entrei vi o terrorista aos comandos, entre os dois lugares. Não havia pilotos nos assentos”, relatou a Netanyahu “Agarrei o agressor, fiz-lhe um mata-leão e antes do mais puxei-o para fora Chamei os outros israelitas e comecei a mexer nos controlos”, contou Hayun a Benjamin Netanyahu, citado pelo Ynet.

Hayoun disse que, em seguida, assumiu o controlo da aeronave, uma ação para a qual terá contribuído o facto de ser fã da série Mayday Desastres Aéreos, que retrata investigações a acidentes aéreos em todo o mundo. “Agarrei os comandos e comecei a puxar as alavancas para trás”, explicou Hayun, afirmando que tudo aconteceu numa questão de segundos. O gesto pode ter sido decisivo para ajudar a estabilizar o avião, que tinha perdido altitude de forma abrupta, baixando dos 34 para os 16 mil pés em apenas dois minutos.

Questionado pelo primeiro-ministro israelita sobre como sabia que devia puxar as alavancas para trás para ajudar a recuperar o controlo do avião, o canalizador israelita respondeu “Vejo Mayday Desastres Aéreos, senhor primeiro-ministro — a sério!”, disse depois, citado pela CNN.

O dentista que amarrou o copiloto com cabos de auriculares

Outro dos passageiros que ajudou a imobilizar o atacante foi o dentista israelita Shota Musaev. À CNN, o homem contou que entrou no cockpit, ajudou a amarrar o copiloto com cabos de auriculares e abraçadeiras de plástico, e em seguida prestou os primeiros socorros ao comandante Smit Machchhar, estancando os sangramentos causados pelo esfaqueamento.

O diretor de uma empresa de bolsa

Já Tzvika Manes — israelita que é diretor de uma empresa da bolsa, Barak Capital — contou que a mulher tinha ido acompanhar uma das três filhas do casal à casa de banho (situada na parte da frente do avião) quando ouviu gritos e viu um confronto físico em curso no cockpit.

“A minha mulher levou a nossa filha de seis anos à casa de banho… Ouviu barulhos vindos do cockpit, gritos, uma luta, sons muito invulgares”, contou Manes à CNN.

Tali Manes correu para acordar um dos dois pilotos que se encontravam a bordo do avião, para o alertar para o que se estava a passar. Foi então que viu a porta do cockpit aberta e percebeu que o piloto estava a ser atacado.

“Ela gritava como louca: ‘Alguém está a matar o piloto, estão a esfaquear o piloto”, relatou Manes que se lembra de como se levantou rapidamente e foi tirar a filha da casa de banho.

A seguir ele e outros dois israelitas correram para o cockpit e conseguiram imobilizar o agressor ao fim de 20 a 25 minutos, contou ao Canal 12, citado pelo Times of Israel.

Manes descreve o incidente como um “filme de terror”, dizendo que houve momentos em que pensou que não sairia vivo do avião. O homem recorda-se de as três filhas terem gritado “Não queremos morrer”, enquanto o avião mergulhava de nariz. “É algo traumático para qualquer pai ouvir”, realçou, acrescentando que “foi uma situação muito difícil”.

O homem que ajuda, filma e pede socorro

Nas redes sociais circulam vídeos de um homem com sangue a escorrer da testa até ao nariz. É Assaf Rajuan, um dos passageiros que entrou no cockpit e ajudou a imobilizar o atacante. “Não sou um herói, foi um trabalho de equipa”, disse às televisões quando chegou a Telavive. “Havia dois pilotos a bordo, pilotos britânicos. Estavam sentados na fila à minha frente, fila seis, eu estava na sete. Foram eles que pilotaram depois o avião”, adiantou à CNN.

Dono de uma agência de seguros, Rajuan filmou-se com o telemóvel, ensanguentado, a explicar o que estava a acontecer e a pedir ajuda. “Sentíamo-nos impotentes, suspensos no ar, e eu não sabia a quem recorrer. Mas foi tudo instintivo: sobreviver, salvar a família, as pessoas e as crianças” contou mais tarde.

A rápida reação de passageiros e tripulantes a bordo permitiu imobilizar o co-piloto assegurar que o avião recuperava a estabilidade. De emergência, a aeronave acabou por aterrar no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita. Para além do comandante, que ficou gravemente ferido (permanece internado num hospital saudita, mas não corre risco de vida) e do agressor, alguns passageiros sofreram ferimentos ligeiros, nomeadamente escoriações resultantes da imobilização do atacante.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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