Lindsay Clancy, a mulher que foi acusada de matar os três filhos num caso que os seus advogados descreveram como tendo sido provocado por uma “psicose pós-parto“, pode sentar-se novamente no banco dos réus já na próxima primavera. Numa audiência esta segunda-feira, a equipa de procuradores admitiu pela primeira vez exigir um novo julgamento. As partes voltam a reunir-se no espaço de duas semanas para definir as próximas etapas do processo.
O julgamento foi anulado no início de setembro, depois de o júri não ter chegado a um veredito unânime. Onze dos jurados consideraram Clancy inocente por motivo de insanidade, o que a tornava inimputável, mas o último jurado discordou deste veredito. Depois de vários pedidos de reconsideração, o juiz William Sullivan acabou por declarar o julgamento como nulo.
O advogado de defesa Kevin Reddington chegou a tribunal esta segunda-feira com uma moção para arquivar o caso, argumento que tem vindo a utilizar nos últimos dois meses. A equipa de defesa apresentou ainda uma moção para preservar os documentos relativos ao jurado que votou contra a declaração de inocência, criando um momento de tensão na sala de audiências quando se referiu ao jurado pelo seu nome, algo a que o juiz se opôs, tendo ameaçado mesmo terminar a audiência — oficialmente, o jurado é referido apenas como “jurado Doe”.
Já a procuradora Jennifer Sprague apresentou uma moção para impedir as partes de falarem à imprensa. “[A minha equipa] não está à procura de 15 minutos de fama com este caso”, afirmou, atirando contra a defesa, que tem falado de forma regular à imprensa. Na sua intervenção, a procuradora admitiu ainda avançar com uma nova acusação, que desencadearia um novo julgamento, mas acrescentou ainda não saber “que aspeto é que isso teria”.
Contudo, a acusação exigiu ao tribunal que tomasse uma decisão sobre as três moções apresentadas antes de se avançar com um novo julgamento. Caso essa decisão dos procuradores avance, o juiz Sullivan apontou que o caso deveria voltar a ser julgado por volta de março de 2027.
O caso de Lindsay Clancy — alvo de um mediático julgamento este verão — ocorreu em janeiro de 2023, quando a enfermeira norte-americana, à data com 33 anos, matou os três filhos e tentou depois matar-se cortando os pulsos e saltando da janela de um segundo andar. Clancy foi acusada de três crimes de homicídio qualificado, pelo assassinato de Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]