O ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru declarou esta terça-feira que o seu país pretende estreitar os laços com o Brasil, nomeadamente no campo económico e comercial, sublinhando que Lima “felicitou rapidamente” Lula da Silva pela sua reeleição como Presidente do país.

“Nós temos uma excelente relação com o Brasil. A Presidente [do Peru, que assumiu o cargo em julho] Keiko Fujimori felicitou rapidamente o Presidente Lula da Silva pela sua vitória eleitoral [em 25 de outubro]. Nós antecipamos que nos próximos anos, vamos estreitar as nossas relações com o Brasil”, afirmou Carlos Espá à agência Lusa, à margem do Fórum EuroAmérica 2026, realizado em Lisboa.

“Estamos interessados em tornar-nos um hub portuário e aeroportuário, que permitiria ao Brasil alcançar o mercado da região da Ásia-Pacífico através dos nossos portos e aeroportos”, sublinhou.

Segundo o ministro peruano “a excelente relação com o Brasil não se antepõe aos laços que temos com os Estados Unidos, porque lutar pela segurança, contra a criminalidade e estas organizações criminosas transnacionais que, por exemplo, destroem a Amazónia peruana e brasileira”.

“Isto será benéfico para todos os países ocidentais e, seguramente, para os laços de amizade entre o Peru e o Brasil”, acrescentou.

O Brasil e o México não fazem parte do Escudo das Américas, demonstrando que não estão alinhados com a política de segurança do Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que é conhecida como “doutrina Donroe”, referindo-se à antiga doutrina Monroe [implementada pelo Presidente dos EUA James Monroe em 1823], na qual a América Latina é zona de influência dos norte-americanos.

Já o Peru integra o Escudo das Américas, criado em março de 2026, sob os auspícios de Trump e integrado por países latino-americanos e os Estados Unidos, tendo como objetivo combater as organizações de narcotraficantes no continente americano – 24 no total, incluindo dois grupos brasileiros: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Espá afirmou que o Peru é um país democrático, que respeita firmemente a liberdade de expressão, de opinião, a liberdade religiosa e promove a separação de poderes, lembrando ainda que é signatário da Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas apontou que há nações, como a Nicarágua, que ferem vários destes princípios basilares da democracia.