A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu neste domingo uma solução para o conflito na Ucrânia que “não penalize” a Rússia e que seja escolhida pelo “povo ucraniano”, numa entrevista à cadeia televisiva pública ARD. “Quero encontrar uma via que não penalize a Rússia”, declarou Merkel, um dia depois de uma visita simbólica a Kiev, interpretada por alguns analistas como um “sinal de apoio” às autoridades ucranianas.

A chanceler congratulou-se com a realização, na terça-feira em Minsk, de uma cimeira regional que reuniu os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, assim como responsáveis da União Europeia. “É necessário dialogar. Só pode haver uma solução política. Uma resolução do conflito pelas armas não pode resultar”, insistiu Merkel. Segundo a chanceler, à semelhança dos alemães após a reunificação, “o povo ucraniano deve ter a possibilidade de escolher o seu caminho”.

O ministro da Economia alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel, defendeu no sábado uma Ucrânia “federal”, um conceito promovido por Moscovo, mas categoricamente rejeitado por Kiev. Merkel não fez comentários sobre o assunto. A chanceler disse que se os ucranianos optarem por aderir à União Euroasiática, criada pela Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão, os europeus não criarão um “grande conflito” e insistiu que a Europa deseja ter “boas relações” com Moscovo.

Merkel defendeu, por outro lado, que o Qatar devia pressionar o movimento islâmico palestiniano Hamas para tornar possível uma solução pacífica para o problema do Médio Oriente. “Certamente que o Qatar tem a possibilidade de o fazer e deve usar a sua influência para encontrar uma solução pacífica e não para que se caminhe numa direção completamente diferente”, disse.

O governo alemão tem insistido desde que começou a nova crise na faixa de Gaza de que Israel tem o direito de se defender, mas alertou que a reação deve ser “proporcional”. Interrogada sobre o projeto alemão de entregar armas aos curdos iraquianos para combaterem o grupo fundamentalista ultra-radical Estado Islâmico no norte do Iraque, que será debatido na câmara baixa do parlamento alemão a 01 de setembro, Merkel excluiu qualquer envolvimento alemão no terreno. “Em caso algum enviaremos tropas alemãs para o Iraque”, assegurou.

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