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Visitantes no Museu de Mayeux observam a famosa Tapeçaria com o mesmo nome, em setembro de 2019

AFP via Getty Images

Visitantes no Museu de Mayeux observam a famosa Tapeçaria com o mesmo nome, em setembro de 2019

AFP via Getty Images

A Tapeçaria de Bayeux vai regressar a Inglaterra: o que conta o bordado do século XI e que polémica envolve este empréstimo histórico?

Trata-se na verdade de um bordado complexo, que conta a história da conquista normanda de Inglaterra em 70 metros de tecido. Mais de 900 anos depois, chega a Londres no meio de um empréstimo polémico.

“Um empréstimo histórico.” Foi assim que tanto o Museu de Bayeux, em França, como o Museu Britânico, no Reino Unido, descreveram o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux, o famoso bordado do século XI que relata, como nenhuma outra peça de arte medieval, a derrota anglo-saxónica na Batalha de Hastings (1066) e o início do domínio normando em Inglaterra. Provavelmente produzida no sudeste de Inglaterra nos anos que se seguiram ao confronto e à coroação de Guilherme, duque da Normandia, como rei inglês, desde então que a Tapeçaria não mais regressa ao seu país de origem. A exposição que será inaugurada no Museu Britânico em setembro e que terá dez meses de duração constituirá uma oportunidade única de ver o complexo trabalho decorativo fora da Normandia.

O evento foi anunciado no verão de 2025, quando o protocolo de empréstimo da Tapeçaria de Bayeux foi assinado entre as duas instituições. Na altura, foi explicado que a transferência do bordado de França para o Reino Unido acontecerá numa altura em que o Museu de Bayeux, onde se encontra permanentemente exposto, estará encerrado para renovações e a peça estará guardada num armazém. Uma “oportunidade única” para a realização da exposição há muito desejada pelos britânicos. Não se sabe em que momento exato a peça será transportada para Londres, mas, uma vez na capital inglesa, ficará ao cuidado de uma equipa de “conservadores qualificados e experientes”, que trabalhará em conjunto com os serviços de conservação franceses para garantir a sua segurança, indicou o Museu de Bayeux. A Tapeçaria de Bayeux será exposta na galeria Sainsbury do Museu Britânico, sobre uma mesa, por estar demasiado frágil para ser pendurada. Em troca, o Museu Britânico vai emprestar alguns dos seus objetos mais preciosos, como o tesouro de Sutton Hoo, do período anglo-saxónico, e as peças de xadrez de Lewis, do século XII, que serão colocadas em exposição na Normandia.

O acordo firmado entre os governos francês e britânico incluiu a realização de um seguro contra danos e perdas que pode ser ativado caso a Tapeçaria fique danificada ou desapareça durante a transferência de França para o Reino Unido. O valor estimado do seguro (o Governo britânico ainda não recebeu a avaliação definitiva da peça) é de 800 milhões de libras (918 milhões de euros), mais do dobro do que foi pago pela obra de arte mais cara de sempre — Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci —, que foi arrematada por 380 milhões de euros em novembro de 2017, lembrou a Smithsonian Magazine. Este será pago com dinheiro proveniente dos impostos pagos pelos contribuintes britânicos. Apesar dos elevados custos associados, o Museu Britânico mostrou-se confiante quanto ao sucesso da exposição. O organismo espera receber, no mínimo, 850 mil visitantes, entre setembro de 2026 e junho de 2027, mas os responsáveis acreditam que o número pode vir a ser muito superior e ultrapassar as 1,7 milhões de visitas registadas em 1972 (que incluíram a rainha Isabel II), quando foi inaugurada no museu a exposição “Tesouros de Tutankhamon”, que reuniu 50 artefactos provenientes do túmulo do faraó no Vale dos Reis, incluindo a icónica máscara funerária dourada.

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Em setembro de 2025, funcionários do Museu da Tapeçaria de Bayeux e voluntários preparavam a mudança da peça histórica, que está num local secreto, em França, antes do empréstimo ao British Museum

POOL/AFP via Getty Images

Do outro lado do Canal da Mancha, os franceses não se têm mostrado tão otimistas. Há seis meses, por altura do anúncio da exposição em Londres, a revista de arte La Tribune d’Art e o historiador de arte Didier Rykner lançaram uma petição online contra o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux, que reflete a opinião de muitos em relação à transferência da peça para Londres. Esta não tem parado de crescer e conta atualmente com mais de 77 mil assinaturas. Rykner acredita que o bordado é demasiado frágil para ser submetido ao rigor da viagem para Inglaterra e que o Presidente francês Emmanuel Macron está a cometer um erro ao permitir que a exposição se concretize. Um ponto de vista que foi recentemente apoiado pelo artista plástico britânico David Hockney.

Num artigo de opinião publicado no Independent, Hockney, que vive atualmente na Normandia e que vai inaugurar em março uma exposição nas galerias Serpentine, em Londres, inspirada na Tapeçaria de Bayeux, classificou a transferência da peça como uma “loucura”. Destacando a beleza e a importância histórica do bordado, “a mais completa peça de arte narrativa na Europa”, o artista britânico de 88 anos declarou que a peça será colocada “em risco se for mudada para Londres”. “Algumas coisas são demasiado preciosas para se arriscar com elas. Mudar a Tapeçaria de Bayeux é uma dessas coisas”, afirmou. O diretor do Museu Britânico, Nicholas Cullinan, disse compreender as preocupações de Hockney, mas garantiu que a instituição tem na sua equipa alguns dos melhores conservadores e especialistas do mundo “no manuseamento e tratamento deste tipo de material” e que nada de mau acontecerá à Tapeçaria, reagiu, citado pela BBC. Para Hockney, a exposição é apenas uma jogada do museu para aumentar a sua fama e o número de visitantes, e que pode correr muito mal.

Um bordado inglês numa cidade francesa

A Tapeçaria de Bayeux é uma das obras artísticas mais importantes do período medieval inglês, e também uma das mais estudadas. Apesar do nome pelo qual é conhecida, não se trata de uma peça de tecelagem, mas de um enorme bordado feito com fios de lã sobre 70 metros de tecido de linho com 50 centímetros de largura. O equívoco surgiu em 1729, quando Bernard de Montfaucon, monge e antiquário francês, publicou uma série de gravações, feitas a partir de um desenho do bordado. Bernard usou a expressão tapisserie, “tapeçaria”, para descrever a peça, entretanto redescoberta na Catedral de Bayeux. E o nome ficou.

A obra só deixou a sala do museu de Bayeux durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) e durante a Segunda Guerra Mundial (1938-1945), quando teve de ser deslocada para evitar ser danificada ou até mesmo destruída. Volta a fazê-lo agora, para as obras de renovação, que têm como objetivo melhorar o próprio espaço de exibição, mas também as condições de conservação da peça com quase mil anos.

Com um formato retangular e várias cenas e personagens, a Tapeçaria de Bayeux faz lembrar uma grande tira de banda desenhada — ao todo, inclui 58 cenas narrativas em que participam 626 personagens (a maioria homens) e nas quais são retratados 37 edifícios e 202 cavalos. Entre as figuras reconhecíveis, as que surgem com mais frequência são: Guilherme, duque da Normandia; o seu meio-irmão, Odo de Conteville, bispo de Bayeux e conde de Kent; Eduardo, rei de Inglaterra; e Haroldo Godwinson, conde de Wessex. Os painéis principais surgem enquadrados entre dois frisos (superior e inferior), decorados com diferentes animais (reais e imaginários) e uma das fábulas de Esopo (“A Raposa e o Corvo”). O friso inferior foi também usado nas cenas finais para retratar aqueles que morreram na Batalha de Hastings.

O bordado terá sido encomendado pelo meio-irmão de Guilherme, um dos seus aliados mais próximos na conquista de Inglaterra, após a Batalha de Hastings e terá sido executado nas duas décadas seguintes. A teoria baseia-se apenas em conjecturas, mas o papel de Odo enquanto patrono tem sido mais ou menos dado como certo. Entre os argumentos apresentados por historiadores ao longo dos anos, incluem-se o destaque dado ao bispo de Bayeux e a presença na Tapeçaria de três personagens obscuras — Turold, Wadard e Vital — que estariam associadas a Odo e que teriam sido incluídas a pedido do eclesiástico. A peça é também o único documento histórico em que o juramento de fidelidade de Haroldo a Guilherme acontece em Bayeux, onde a Tapeçaria foi redescoberta no século XVIII e onde aparece listada no inventário da catedral de 1476. De acordo com o inventário, o único registo medieval conhecido do bordado, esse costumava ser pendurado uma vez no ano ao longo da nave da igreja.

Alguns historiadores defendem que, ao ordenar a execução da Tapeçaria, Odo tinha um evento específico em mente: a consagração da Catedral de Bayeux, comissariada pelo próprio. O bispo terá escolhido um local em Inglaterra, provavelmente no condado de Kent, que lhe pertencia, para a concretização do projeto. Os desenhos do bordado são semelhantes a outros trabalhos artísticos do final do período anglo-saxónico e parece certo que a peça não foi executada na Normandia, mesmo que fosse esse o seu destino. A Abadia de Barking, que era conhecida pela qualidade dos seus bordados, tem sido sugerida como o local de origem da Tapeçaria, que chegou a estar associada a Matilda de Flandres, mulher de Guilherme I — de acordo com uma história antiga, teria sido a própria rainha a bordar a peça.

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O Museu Britânico mostrou-se confiante quanto ao sucesso da exposição. O organismo espera receber, no mínimo, 850 mil visitantes, entre setembro de 2026 e junho de 2027

POOL/AFP via Getty Images

A cerimónia de consagração da catedral aconteceu a 14 de julho de 1077 e contou com a presença do próprio Guilherme I. Foi provavelmente o último grande ato público de Odo que, pouco tempo depois, caiu em desgraça por abuso de poder e foi encarcerado por ordem do irmão. O bispo morreu em 1097, depois de ter passado cinco anos na prisão, de onde foi libertado devido à pressão de vários eclesiásticos, que se mostraram preocupados com o impacto do seu encarceramento na alma do rei de Inglaterra.

Mas há quem acredite que a produção da Tapeçaria de Bayeux não teve nada a ver com a catedral do bispo Odo. David Musgrove e Michael Lewis, autores de um livro sobre a história do famoso bordado, sugeriram que, talvez, nunca tenha sido produzido com o intuito de ser mostrado ao público, mas apenas como uma “peça de arte impressionante para documentar uma história impressionante”. Isso porque, além da entrada no inventário da catedral, não existe mais nenhuma evidência da sua apresentação pública durante o período medieval. Só mais tarde, após a sua redescoberta na Catedral de Bayeux, onde estaria guardada num baú na cripta da igreja, é que a Tapeçaria se tornou alvo do interesse público e começou a ser exibida.

A primeira exibição pública aconteceu em 1803, quando foi transportada para Paris, onde esteve exposta na Galeria Apolo do Louvre a pedido do ministro do Interior de Napoleão. Em 1804, regressou a casa, onde tem estado desde então. Foi primeiro guardada no edifício da câmara municipal de Bayeux, onde era mostrada todos os anos em setembro, e depois no museu municipal, na Galeria Matilda, assim chamada em honra da mulher de Guilherme. Só deixou essa sala durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) e durante a Segunda Guerra Mundial (1938-1945), quando teve de ser deslocada para evitar ser danificada ou até mesmo destruída, e agora, para as obras de renovação, que tem como objetivo melhorar o próprio espaço de exibição, mas também as condições de conservação da peça com quase mil anos.

Um documento histórico como nenhum outro

A importância da Tapeçaria de Bayeux está não só na sua qualidade artística, mas também no retrato vívido e pormenorizado que faz dos eventos que levaram ao fim do período anglo-saxónico em Inglaterra. Na história da ascensão normanda, a Batalha de Hastings, travada a 14 de outubro de 1066, ocupa o papel principal, mas a narrativa que preenche os diferentes painéis de linho da Tapeçaria de Bayeux começa antes, em 1064, com as maquinações políticas que levaram à invasão de Inglaterra por Guilherme, duque da Normandia.

Em 1064, os ingleses eram governados por Eduardo, mais tarde conhecido como o Confessor, depois da sua canonização no século XII. Eduardo tinha ascendido ao trono em 1042, com quase 40 anos, depois de um período de domínio dinamarquês. Após a morte do seu pai, Etelredo II, em 1016, o reino, que há muito era acossado por vikings, caiu nas mãos do príncipe dinamarquês Canuto. Com a ascensão de Canuto, o jovem Eduardo viu-se obrigado a fugir. Exilou-se do outro lado do Canal da Mancha, no domínio da família materna, a Normandia, um ducado no norte de França que tinha sido criado em 911, no âmbito de um acordo de paz firmado entre o rei franco Carlos II e o viking Rolo. Em 1042, após a morte de Canuto e um breve período em que a liderança do reino inglês esteve entregue aos filhos do rei dinamarquês, Eduardo foi coroado rei. Após décadas de conflitos internos e externos, Inglaterra era uma nação fraca e vulnerável, à mercê dos interesses políticos de diferentes fações.

O bordado revela como, numa noite de setembro de 1066, Guilherme partiu da costa normanda a bordo do seu navio, o Mora, à frente de uma frota de centenas de outros navios, que transportavam cerca de 700 soldados e 200 cavalos. No cimo do mastro do navio ducal, é possível identificar a lanterna abençoada pelo Papa Alexandre II, símbolo do apoio papal e do caráter divino da missão de Guilherme.

Eduardo, que não tinha filhos, terá decidido, a determinada altura, nomear Guilherme, duque da Normandia e seu primo em terceiro grau, como seu sucessor. Assim, em 1064, terá decidido enviar Haroldo Godwinson, seu cunhado e membro de uma das mais poderosas famílias nobres anglo-saxónicas, à Normandia para informar Guilherme da sua decisão. Haroldo terá confirmado a escolha de Eduardo junto do duque normando e ter-lhe-á jurado fidelidade enquanto sucessor do rei de Inglaterra.

Eduardo morreu em 1066 e o trono foi ocupado por Haroldo. Segundo a narrativa divulgada para legitimizar a pretensão de Haroldo, pouco antes de morrer, Eduardo tê-lo-ia nomeado, e também à sua irmã, a rainha Edite, protetores do reino. O conde foi coroado em janeiro de 1066 por Stigand, cuja controversa nomeação como arcebispo da Cantuária tinha levado à sua excomunhão. A coroação aconteceu tão depressa quanto a sua contestação — pouco tempo depois, começaram a surgir em Inglaterra relatos de que Guilherme estava a reunir uma frota para atravessar o Canal da Mancha e tomar o reino à força. Na base da sua reivindicação estava a promessa que lhe tinha sido feita dois anos antes por Haroldo e que este, ao usurpar o trono, tinha quebrado.

O bordado revela como, numa noite de setembro de 1066, Guilherme partiu da costa normanda a bordo do seu navio, o Mora, à frente de uma frota de centenas de outros navios, que transportavam cerca de 700 soldados e 200 cavalos. No cimo do mastro do navio ducal, é possível identificar a lanterna abençoada pelo Papa Alexandre II, símbolo do apoio papal e do caráter divino da missão de Guilherme. A imagem da frota normanda é antecedida pelo surgimento, nos céus de Inglaterra, de uma visão aterradora— o cometa Halley, cujo aparecimento foi interpretado na época como um sinal de desgraça iminente.

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Detalhes inscritos na Tapeçaria de Bayeux: de uma lado, Eduardo no trono; do outro, Haroldo no trono e a passagem do cometa Halley

Pictures from History/Universal

A cena seguinte mostra o culminar da invasão normanda: a Batalha de Hastings. Primeiro, surgem os arqueiros, que lançam uma chuva de setas sobre os inimigos; depois, arranca a cavalaria normanda, que arrasa a infantaria inglesa. É possível distinguir normandos e ingleses pela forma como estão caracterizados: os primeiros têm cabelo comprido e os segundos, bigode. As vítimas acumulam-se e ocupam quase a totalidade do friso inferior do painel. No chão, veem-se corpos despedaçados e cavalos mortos. Haroldo é atingido num olho por uma seta e morre. Com a morte do rei anglo-saxão, os ingleses decidem abandonar o campo de batalha, mas a retirada é desordenada e o caos instala-se.

Termina assim a história da Tapeçaria de Bayeux, que é tanto a narrativa de uma épica vitória no campo de batalha como um tratado espiritual sobre as consequências de jurar falsamente — de acordo com o bordado, Haroldo não era digno de usar a coroa, porque tinha quebrado o juramento feito a Eduardo e a Guilherme, o legítimo herdeiro do trono inglês. É provável que a história continuasse para além da Batalha de Hastings e terminasse com a coroação de Guilherme I, na Abadia de Westminster, a 25 de dezembro de 1066. Porém, a parte final do bordado não sobreviveu.

Com quase mil anos de história, a Tapeçaria de Bayeux é um incrível testemunho artístico e histórico de um dos períodos mais conturbados, mas também mais importantes, da história medieval inglesa.

Além da sua óbvia importância para o estudo da arte anglo-saxónica, a Tapeçaria de Bayeux é relevante pelos dados preciosos sobre o momento histórico em que foi produzida. Além de fornecer informações sobre a arquitetura, o equipamento e as táticas militares de anglo-saxões e normandos, a peça inclui elementos relacionados com navegação, caça, agricultura e até alimentação.

A invasão normanda foi um momento de viragem. O seu impacto foi profundo e as suas consequências ainda podem ser sentidas em aspetos tão distintos da sociedade inglesa como a língua ou a paisagem arquitetónica.  Por exemplo, antes da chegada dos normandos, não existiam castelos em Inglaterra. Esses começaram a ser construídos por ordem de Guilherme, para assegurar o controlo do território numa altura em que persistiam focos de resistência um pouco por todo o país. A língua também era diferente. Quando se estabeleceu em Inglaterra, Guilherme fez-se rodear por nobres normandos, que ocuparam os cargos e as terras que antes pertenciam aos ingleses. A nova elite não falava a língua local, mas francês normando, que rapidamente se estabeleceu como língua oficial do reino. A emergência do normando provocou o desaparecimento do inglês dos registos escritos. A língua dos conquistadores substituiu a dos conquistados. Em meados do século XII, o inglês, que tinha sobrevivido apenas na oralidade, reapareceu na literatura produzida em Inglaterra. Mas já não era a mesma língua, mas outra, profundamente influenciada pelo francês falado pelos normandos. É essa influência que explica o facto de o inglês contemporâneo, uma língua de origem germânica tal como o alemão ou o norueguês, ser tão rico em vocábulos de origem latina.

Além da sua óbvia importância para o estudo da arte anglo-saxónica, a Tapeçaria de Bayeux é relevante pelos dados preciosos sobre o momento histórico em que foi produzida. Além de fornecer informações sobre a arquitetura, o equipamento e as táticas militares de anglo-saxões e normandos, a peça inclui elementos relacionados com navegação, caça, agricultura e até alimentação. Os frisos são também relevantes para o estudo das fábulas e dos animais fantásticos na Idade Média.

Tudo isso poderá ser visto, muito em breve, em Inglaterra, a onde a Tapeçaria de Bayeux vai voltar, vários séculos depois.

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