O acordo entre PSD, CDS e IL para Lisboa está fechado a sete chaves, mas o Observador teve acesso a vários detalhes que mostram que os democratas-cristãos tiveram de ceder parte da sua quota de 2021 para acomodar os liberais nas listas da coligação “Por ti, Lisboa”. Na vereação, os centristas tinham quatro dos nove primeiros lugares (elegíveis num bom resultado) e agora passam a ter os mesmos do que a IL: dois. Nas juntas de freguesia, a tendência é a mesma: o CDS passa de ter o candidato a presidente em nove juntas para apenas seis. No novo acordo, ao qual o Observador teve acesso, a IL vai indicar o candidato a presidente de três juntas de freguesia: Campolide, Olivais e Alcântara.
Fonte oficial da coligação “Por Ti, Lisboa” explica que os lugares em que cada partido segue na lista vão ser conhecidos esta quarta-feira, dia 23 de julho. A mesma fonte diz que o acordo atingido “é bastante equilibrado, pacificou e acabou com melindres” existentes entre os dois parceiros do PSD (IL e CDS). Falta ainda saber se o líder do CDS, Nuno Melo, marcará presença nesse evento, uma vez que — ao contrário de Luís Montenegro e Miguel Rangel, então presidente interino da IL – não esteve na apresentação de Carlos Moedas na Estufa Fria, em Lisboa.
A lista de vereadores mostra que Carlos Moedas é o todo-poderoso nas escolhas e pode indicar os três nomes a seguir ao seu (a expectativa é que vá buscar Gonçalo Reis, que Observador já tinha avançado ser hipótese para vice-presidente e que mantenha Filipa Roseta). A dúvida que subsiste é se o quarto lugar vai para Filipe Anacoreta Correia ou se o atual vice é desviado para outros voos, como a presidência da Carris.
Além dos quatro primeiros nomes com a marca PSD, os lugares do 5.º ao 8.º — todos potencialmente elegíveis — são repartidos entre o CDS e a IL. Os dois nomes indicados pela IL para vereadores, de acordo com o documento submetido ao Conselho Nacional dos liberais, a que o Observador teve acesso, são Rodrigo Mello Gonçalves, que é o atual coordenador do núcleo de Lisboa e deputado municipal, e ainda Vasco Anjos.
Apesar de ficar 2-2 em número de vereadores para os parceiros da coligação, a ordem é um pouco indiferente em termos práticos, uma vez que os quatro são potencialmente elegíveis, mas pode criar melindres. Ainda assim, é provável que o partido que indicar uma mulher (o que, tendo em conta os nomes conhecidos, só pode acontecer no caso do CDS) esteja mais bem posicionado. O nono lugar, que também é elegível nestas contas, é escolhido pela distrital de Lisboa: o mais provável é que Rui Cordeiro continue nessas funções.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Assembleia Municipal: IL com seis elegíveis, CDS perde (para PSD) candidato a presidente da AML
Há quatro anos, o CDS — que ainda vinha com a força toda do resultado de Assunção Cristas de 2017, que tinha ficado à frente do PSD — conseguiu indicar o candidato à presidência da Assembleia Municipal pela coligação Novos Tempos. A lista à AML era encabeçada pela centrista Isabel Galriça Neto. Desta vez, sabe o Observador, o nome será indicado pelo PSD e por Carlos Moedas.
A Iniciativa Liberal, que atualmente tem três deputados municipais, conseguiu negociar a indicação de seis em lugares elegíveis. De acordo com o documento que foi submetido ao Conselho Nacional da IL, a que o Observador teve acesso e vai a votos esta terça-feira, dá-se conta de que o partido vai ter 57 representantes de freguesia dos quais três são cabeças de lista. Já na Assembleia Municipal estão seis em lugares elegíveis: Pedro Bugarin, Angélique da Teresa, José Pedro Barros, Maria Miguel Malhão, José Cerdeira e Nuno Moller Miranda (diretor financeiro da Observador On Time, empresa detentora do Observador).
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
CDS tem candidato a presidente em seis juntas, IL em três
Nas juntas de freguesia, que também fazem parte do acordo da coligação “Por ti, Lisboa”, o CDS fica com candidatos a presidente em seis juntas de freguesia, a IL em três e o PSD mantém as mesmas 15. Mas as trocas não são diretas.
Ao que o Observador apurou os liberais indicam o candidato a presidente de junta em Alcântara (que era CDS), onde conseguiu eleger um membro para a Assembleia de Freguesia. A primeira indicação para os Olivais também será liberal (em 2021, tinha sido do PSD) onde também será difícil conquistar a junta ao PS, embora a coligação acredite que tem possibilidades. Nestas duas juntas de freguesia, a IL também teve resultados superiores ao seu a nível nacional nas eleições legislativas de 2025: 7,21% nos Olivais e 8,96% em Alcântara. Quanto à terceira junta de freguesia com lista encabeçada pela IL, há fortes possibilidades que seja Campolide.
O CDS vai voltar a indicar os seus dois atuais presidentes de junta: Carlos Ardisson (Parque das Nações) e Madalena Natividade (Arroios). Os centristas vão voltar a indicar na Ajuda, como já tinha acontecido em 2021. No caso Misericórdia, Benfica, Penha de França e Campo de Ourique — quatro freguesias onde o CDS indicou o candidato a presidente de junta em 2021 — vai passar a ser o PSD a escolher o potencial presidente de junta. Em sentido inverso, o CDS deve indicar o candidato a presidente da junta de freguesia em Marvila, Santa Maria Maior, Ajuda e Beato (antes indicados pelo PSD).
Ao que o Observador apurou, os atuais presidentes de junta de freguesia que não atingem o limite de mandatos vão ser indicados pelo PSD em Alvalade (Tomás Gonçalves), Avenidas Novas (Daniel Gonçalves), Lumiar (Ricardo Mexia) e São Domingos de Benfica (José da Câmara), Pedro Jesus (Areeiro). Na Estrela, Santo António e Belém Luís Newton, Vasco Morgado e Fernando Ribeiro Rosa estão de saída por isso o PSD terá de indicar outros nomes.
Fonte da candidatura “Por Ti, Lisboa” faz um aviso prévio aos parceiros de coligação do PSD: “A lista definitiva de nomes só ficará oficialmente fechada a 18 de agosto.” Isto ao contrário da posição em que segue cada partido que será divulgada já na próxima quarta-feira.