A entrada na política

Theresa May estudou em Oxford e trabalhou no Banco de Inglaterra. A chegada à política nacional veio tarde, aos 41 anos, quando conseguiu ser eleita deputada para a Câmara dos Comuns à terceira tentativa, em 1997. No início da década de 2000 começa a afirmar-se como figura promissora do Partido Conservador.

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Entrar a pés juntos

Em 2002, é nomeada presidente do partido — a primeira mulher a assumir esse cargo. No primeiro discurso, aproveita para deixar críticas: “Sabem o que nos chamam? O Partido Perverso”, diz, referindo-se à falta de mulheres e minorias entre os tories. Os fotógrafos, contudo, concentram-se mais nos seus sapatos.

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Tão amigos que eles eram

Enquanto presidente do Partido, May cruza-se com figuras políticas de relevo como Iain Duncan Smith, líder dos tories à altura. Duncan Smith escolhe May para o seu governo-sombra, mas a proximidade do passado não o impediu de, em 2018, a criticar duramente.

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Tão amigos que eles eram, parte II

Outro dos conservadores com que May se cruzou foi David Davis, seu antecessor no cargo de presidente do Partido Conservador. Em 2018, no pico da crise do Brexit, Davis pediria aos deputados que “espetassem uma estaca no coração” do acordo da primeira-ministra.

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O governo-sombra

Do governo-sombra de Duncan Smith, May transitou para o governo-sombra de David Cameron. Ao todo, na oposição, teve as pastas dos Transportes, da Família, da Cultura, dos Assuntos Parlamentares e, por fim, do Trabalho.

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O padrinho

David Cameron acabaria por ser uma espécie de padrinho político. Com ele ocupou vários cargos na oposição e é pela sua mão que chega ao governo efetivo: como ministra do Interior, ultrapassando Chris Grayling, que ocupava o cargo na oposição.

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Ministra do Interior

Acabaria por ser a ministra do Interior que mais tempo durou no cargo, nos últimos 60 anos. Com a pasta da segurança interna, levou a cabo reformas na polícia, aplicou uma política mais dura contra as drogas e restringiu a imigração.

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A primeira tragédia

O tiroteio de Cumbria, em 2010, seria o seu primeiro grande desafio no cargo. Com 13 mortos, naquele que é um dos tiroteios mais letais na história do Reino Unido, Theresa May visitou as vítimas e fez o seu primeiro grande discurso na Câmara dos Comuns.

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Ministra da Igualdade

No segundo governo de Cameron, a May é dada a pasta da Igualdade. A decisão provoca tumulto na comunidade LGBT por causa da decisão da ministra, em 2002, de votar contra direitos de adoção para gays. Em 2010, acabaria por confessar ter “mudado de opinião” no tema.

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Tão amigos que eles eram, parte III

Com Boris Johnson, à altura presidente da Câmara de Londres, em vésperas dos Jogos Olímpicos de 2012, que seriam na capital britânica. Anos depois, Boris faria parte do grupo que tudo faria para retirar May do cargo de primeira-ministra.

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A “relação especial”

Britânicos e norte-americanos consideram “especial” a sua relação e May sempre fez por alimentá-la. Em 2012, esteve com Hillary Clinton, à altura secretária de Estado dos EUA. Mais tarde, já como primeira-ministra, receberia um telefonema encorajador de Barack Obama ao perder a maioria absoluta em 2017.

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Primeira-ministra

A 13 de julho de 2016, dois dias depois de vencer a corrida à liderança do seu partido (após a demissão de David Cameron), é nomeada pela Rainha como nova primeira-ministra. É a segunda mulher a consegui-lo, a seguir a Margaret Thatcher.

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O casamento

Casada com Phillip May desde 1980, os rumores dizem que o casal foi apresentado pela antiga líder do Paquistão, Benazir Bhutto, em Oxford. Mantêm-se juntos até hoje, mas nunca conseguiram ter filhos — algo que May assume lamentar.

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O Conselho de Ministros

Theresa May lidera a sua primeira reunião de Conselho de Ministros, a 19 de julho de 2016. À altura ainda não o sabia, mas pela frente viria a ter muitas demissões: ao todo foram 50, a grande maioria relacionada com o Brexit.

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Negociar, negociar, negociar…

O grande desafio dos seus governos foi sempre um e apenas um: Brexit. May encetou negociações com a UE em 2017, mas teve muitas dores de cabeça. Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, chegou a dizer-lhe que “não podia ficar com o bolo todo e comê-lo”.

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…e marchar, marchar, marchar

Na política externa, um dos temas que provocou algum sobressalto foi a sua decisão de manter um apoio firme à Arábia Saudita, mesmo estando este país a bombardear o Iémen. A relação com os sauditas, afirmou, “está a manter os britânicos seguros”.

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O caso Skripal

Mas o ponto mais crítico de toda a política externa dos governos May — aparte o Brexit — foi a relação com a Rússia de Vladimir Putin. O alegado envenenamento do antigo espião Sergei Skripal levou à expulsão de diplomatas russos e a trocas de palavras azedas.

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A pedra no sapato chamada Gibraltar

A negociação do Brexit nunca se fez apenas e só com a União Europeia. Com alguns governos em concreto, como a Irlanda, havia mais arestas a limar. Outro exemplo é o do governo espanhol, por causa de Gibraltar. Com Mariano Rajoy terá, certamente, abordado o assunto.

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Soft ou hard?

Enquanto negociava fora de casa, as divisões internas sempre se acentuaram. O seu ministro das Finanças, Phillip Hammond, sempre defendeu um modelo de Brexit soft, contra os que preferiam uma saída sem acordo, como Boris Johnson.

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Espaço para respirar

Um dos poucos momentos de descontração de May com o marido. A primeira-ministra adora caminhadas e gosta de passar as férias nos Alpes Suíços, a caminhar.

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A aliança com o DUP

Em junho de 2017, May fez um cálculo errado ao convocar eleições antecipadas. O tiro saiu-lhe pela culatra, perdeu a maioria absoluta e teve de se aliar aos unionistas da Irlanda do Norte. Aqui com a presidente do DUP, Arlene Foster (esquerda), a quem teve de ceder, aumentando o orçamento para a região.

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O golpe de Chequers

No verão de 2017, May apresentou ao seu governo, em Chequers, o primeiro plano negociado com a UE para o Brexit. Levou um “não” redondo, traduzido também em demissões de ministros, como Boris Johnson e David Davis. O golpe foi duro e levou-a de novo à mesa das negociações com Bruxelas.

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Olhando além-mar

A relação com a China viria a ser um ponto quente da sua governação. A possível atribuição da rede 5G à tecnológica chinesa Huawei foi motivo de divisão dentro do seu executivo — e levaria até a que a primeira-ministra demitisse o ministro da Defesa por ter divulgado conversas internas do governo sobre isso.

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O polícia bom

A relação com a chanceler alemã Angela Merkel sempre foi, aparentemente, positiva. A Alemanha foi a escolha para a primeira visita de Estado de May enquanto primeira-ministra e Merkel sempre assumiu uma postura de “polícia bom” nas negociações para o Brexit.

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Dancing Queen

Em outubro de 2018, May protagoniza um momento de humor. Depois das críticas aos seus passos de dança numa visita em África, a primeira-ministra entra em palco no congresso dos tories dançando ao som de “Dancing Queen”, dos Abba. Um momento “de improviso”, segundo a sua equipa.

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Moções de censura

No final desse mesmo ano, o cerco começa a apertar. May apresenta um novo acordo com a UE, que desagrada a todos. Sobrevive a uma moção de censura interna, mas por pouco. Sobrevive a uma moção de censura da oposição, apresentada por Jeremy Corbyn, em janeiro do ano seguinte. Pelo meio, o seu acordo é chumbado.

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Idas e vindas a Bruxelas

Os europeus também não lhe dão qualquer margem. Com o backstop para a fronteira entre as Irlandas a dificultar a aprovação do acordo, May tenta encontrar-se várias vezes com Jean-Claude Juncker, para conseguir cedências ou garantias, mas com pouco sucesso.

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Isolada

Os primeiros meses de 2019 são de pesadelo para a primeira-ministra. O seu acordo para o Brexit é chumbado três vezes no Parlamento. Corbyn pede sucessivamente novas eleições. E, dentro do Partido Conservador, afiam-se as facas, com muitos a pedirem a sua demissão.

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O polícia mau

Em Bruxelas, May acaba por pedir uma extensão do prazo de saída do Reino Unido da UE. Para a maioria dos chefes de Estado, tal não é problema. Mas o Presidente francês Emmanuel Macron bate o pé e arrasta a reunião. No final, surge nova data: 31 de outubro.

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Uma mulher de fé

Mas May não desiste e garante que está para continuar como PM e líder do seu partido. Talvez a determinação vá buscá-la em parte à sua fé. Filha única de um pastor anglicano, continua a frequentar a Igreja ainda hoje.

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Separatismos dentro de casa

Para além dos trabalhistas, também os nacionalistas escoceses tentam ir moendo o seu governo. “Sempre soube que Nicola Sturgeon não estava interessada em que houvesse um bom acordo para o Brexit”, diria May em maio sobre a primeira-ministra escocesa, que defende novo referendo à independência da região.

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O anúncio da saída

A 24 de maio de 2019, Theresa May anunciou a sua demissão da liderança do Partido Conservador e, consequentemente, do cargo de primeira-ministra. Foi em lágrimas que se despediu.

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O último

A manutenção da “relação especial” fez com que May fosse a primeira líder estrangeira a encontrar-se com Donald Trump Presidente. O destino ditaria que fosse também o último com quem se encontraria enquanto primeira-ministra, em junho de 2019.

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O adeus

Theresa May sai assim da cena política britânica 20 anos depois de ter entrado. Foi ministra do Interior muito tempo, teve a pasta da Igualdade e chegou à liderança do partido e do governo. Ninguém a pode acusar de não ser uma sobrevivente — mas o Brexit revelou ser um desafio demasiado complexo para resistir.

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