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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

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Carpool com João Paulo Correia: "Tenho frescura política, intelectual e física para governar Gaia"

João Paulo Correia pretende regressar à política local após ter sido presidente de junta de freguesia e tem como principal adversário Luís Filipe Menezes, que critica pela forma como deixou a câmara.

João Paulo Correia, ex-secretário de Estado e ex-presidente da Junta da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, é o candidato do PS à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e procura travar o regresso de Luís Filipe Menezes, após 12 anos de governação de Eduardo Vítor Rodrigues. Apesar de o autarca socialista ter renunciado ao mandato — após uma decisão do Tribunal Constitucional que o condenou a uma perda de mandato pelo crime de peculato —, João Paulo Correia considera que o legado é positivo e não quer misturar justiça e política.

Quanto a Luís Filipe Menezes, além das acusações à “estratégia de mimetização” da campanha eleitoral, o ex-secretário de Estado acusa o principal adversário de ter tentado “diminuir e desvalorizar” Vila Nova de Gaia na altura em que tentou chegar à presidência da Câmara Municipal do Porto. E faz questão de sublinhar, diversas vezes, que os atuais candidatos à autarquia podem fazer propostas graças às “contas certas” que atribuiu a Eduardo Vítor Rodrigues.

No Carpool do Observador, João Paulo Correia reconhece que ambiciona “estabilidade governativa”, mas assegura que a prioridade será respeitar os resultados eleitorais, mesmo que isso obrigue a uma “negociação permanente” com os vereadores eleitos pelos partidos de oposição. Linhas vermelhas, sim, para “partidos mais extremistas” e tendo em conta os princípios e valores do PS.

Legado de Eduardo Vítor Rodrigues é mais positivo do que negativo? “Sem dúvida”

Esta candidatura surge depois de 12 anos de gestão socialista, com um legado de Eduardo Vítor Rodrigues, que que saiu devido a uma questão com a Justiça. É um legado pesado para o socialista que vem a seguir?
Quando decidi ser candidato à câmara municipal de Gaia foi em nome do futuro do concelho e foi isso que levou o PS a apoiar a minha candidatura. E também não sou candidato contra ninguém. O que me motiva a 100% é sentir que posso contribuir para um projeto de desenvolvimento para Vila Nova de Gaia. O ponto de partida tem muita obra feita que tornaram Vila Nova de Gaia numa referência nacional. E também as contas certas, que permitem aos candidatos às câmaras municipais, agora em 2025, assumir compromissos maiores para o futuro de Vila Nova de Gaia, porque a câmara Municipal tem um orçamento que não está capturado por dívidas. Ao longo dos 12 anos, a Câmara Municipal conseguiu pôr as contas no verde e baixar os impostos. Há 12, 13, 14 anos, Vila Nova de Gaia, para além de ter um prazo de pagamento a fornecedores que era o mais elevado do país, para além de ter dificuldades em pagar os salários aos seus funcionários, tinha impostos no máximo.

Com tudo isso, pode-se concluir que esse legado é mais positivo do que negativo?
Sem dúvida.

Independentemente da forma como Eduardo Vítor Rodrigues teve de abandonar a autarquia.
Não comento casos judiciais e sempre fiz uma separação daquilo que é a política da justiça e a justiça da política.

Eduardo Vítor Rodrigues marcar presença na sua apresentação de candidatura, como aconteceu, traz mais benefícios do que causa prejuízo?
É uma leitura que cabe a cada cidadão fazer. O Eduardo Vítor Rodrigues esteve presente na apresentação da minha candidatura à Câmara Municipal de Gaia, é um militante do partido e é um autarca que deixou obra muito forte em determinadas áreas.

Encontramo-nos a passar na Rotunda das Devesas, que está em obras neste momento…
É mais uma frente de obra da Metro em Vila Nova de Gaia, a futura linha Rubi. A linha ferroviária entre Espinho e Vila Nova de Gaia foi completamente requalificada, uma das maiores obras feitas em Vila Nova de Gaia na última década e foi a Câmara Municipal que conquistou este grande investimento. Na mobilidade, a extensão da linha Amarela entre Santo Ovídio, o hospital e Vila d’Este foi uma conquista destes 12 anos. A nova linha Rubi, com uma nova travessia no Douro, que será batizada com o nome Ponte Ferreirinha, também é mais uma grande conquista, é uma das maiores obras públicas está a ser feita no país.

Já percebi que está totalmente em modo de campanha, é mais fácil fazer campanha quando há uma obra para apresentar, mesmo não sendo incumbente?
Temos noção de que a obra da Câmara Municipal nos últimos 12 anos não foi excelente em todas as áreas, mas nenhum presente de Câmara chega ao fim de 12 anos a dizer que fez uma obra fantástica em todas as áreas. Houve prioridades e houve um ponto de partida tenebroso. Foi o ponto de partida mais difícil do país, foi pôr em ordem as contas da Câmara Municipal de Gaia. Os gaienses pagaram impostos no máximo anos a fio de IRS, de IMI, de IMT e a Câmara Municipal de Gaia, nesse tempo, teve que pedir ajuda à troika dos municípios. Esse tempo acabou, felizmente, e os últimos 12 anos viraram a página. Hoje partimos não só com obra feita em muitas áreas que são referência nacional em muitos sectores, como também com as contas da Câmara Municipal num patamar que permite aos candidatos apresentar novidades para os próximos 12 anos, que obviamente representam um grande investimento, mas que só é possível porque a Câmara tem orçamento, liquidez e tesouraria para isso.

Já passámos por vários buracos desde que entrámos no carro, há poucos minutos, tem como uma das suas prioridades arranjar as ruas de Gaia. O que é que se passa para as ruas de Gaia estarem nas condições em que podemos ver?
O que sentimos é o desnível das tampas na faixa de rodagem. Vila Nova de Gaia tem ruas que não estão em bom estado e algumas delas em mau estado. Vila Nova de Gaia é um concelho gigantesco, com uma frente de rio, uma frente de mar que também são únicas no país, e tem uma rede viária secundária de 1500 quilómetros. Ter todas as ruas em bom estado é uma tarefa praticamente impossível. Não assumo esse compromisso por todas as ruas em bom estado, porque sei que não há orçamento municipal para isso. Sei que há necessidade de fazer um esforço maior e o meu compromisso é ir mais longe e vamos duplicar a reabilitação dos arruamentos. A câmara pode ir mais longe com duas receitas extraordinárias, a taxa turística em Gaia ainda é inferior à taxa turística do Porto e queremos aumentá-la, não para o valor que é praticado no Porto em 2025, mas para aquele que será praticado em 2026.

Para ficar equivalente à do Porto?
O objetivo é ter a taxa turística alinhada com a do Porto. Ao alinharmos a taxa turística com a do Porto arrecadamos mais 4 milhões de euros de receita ao fim de quatro anos, uma média de um milhão de euros por ano. E vamos também lançar o do concurso do estacionamento pago no centro urbano de Vila Nova de Gaia e com isso arrecadar algumas dezenas de milhões de euros, cerca de 20 milhões de euros, que somados aos 4 milhões de euros do aumento da taxa turística, permitirá à Câmara Municipal de Gaia, que hoje investe 24 milhões de euros na reabilitação de arruamentos, investir 48 milhões de euros na reabilitação da rua e uma prioridade.

Sente que é preciso taxar mais, neste caso os turistas, quando o orçamento do município é grande?
Não vamos aumentar os lugares de estacionamento que estão neste momento debaixo da concessão de estacionamento pago no centro urbano. Este estacionamento permite a rotação do lugar de estacionamento, o que beneficia moradores e também comerciantes. Estas foram concessões lançadas em 2008 e 2010 por valores muito baixos, que já não se praticam no mercado nacional, que são assustadoramente baixos e que passados 20 anos e com o mercado a responder da forma como está a responder, acreditamos que vamos arrecadar uma receita de cerca de 20 milhões de euros.

"O operador [da UNIR] que aqui está não foi uma escolha política, venceu um concurso público internacional porque apresentou a proposta mais baixa, mas não tem sido minimamente capaz de cumprir. Estou a falar dos partidos mais extremistas"

“Quem prometer mais do que [1100 habitações] está a mentir aos gaienses”

Esta é uma das avenidas principais de Gaia e estamos a chegar perto de Santo Ovídio, local aprovado para a paragem do TGV. É fundamental que o TGV passe em Gaia?
Sim, a estação em Vila Nova de Gaia faz mais sentido do que ter uma estação no Porto, porque é o concelho mais a sul do distrito do Porto e é o que está mais interligado com os restantes concelhos da Área Metropolitana do Porto que pertencem ao distrito de Aveiro. Olhando para a Área Metropolitana do Porto, rapidamente se verifica que, pela sua dimensão territorial, populacional e pelo sistema de mobilidade, Vila Nova de Gaia representa um eixo e uma centralidade no sistema de mobilidade. Para os concelhos mais a sul, uma estação em Vila Nova de Gaia representa uma proximidade e uma grande oportunidade de desenvolvimento e para Vila Nova de Gaia o nosso projecto de desenvolvimento tem na estação de alta velocidade um dos grandes motores.

Como é que vai lidar com a proposta que pretende a demolição de 135 habitações em Vila Nova de Gaia?
Temos noção que haverá demolições ao longo de praticamente todos os concelhos que serão atravessados pela linha de alta velocidade, é algo inevitável, até porque o custo de não se demolir nenhuma habitação entre Porto e Lisboa seria um custo se calhar insuportável para o país e inviabilizaria a linha do projeto a alta velocidade. A questão é que só muito recentemente, na segunda quinzena de julho, é que o consórcio a quem está condicionada a obra informou o município da inevitabilidade de poder demolir, no máximo, 135 habitações, armazéns e indústrias. A nossa intervenção política aqui é no sentido de que o Governo, que é quem é o responsável pela obra de alta velocidade no país, através das Infraestruturas de Portugal, intercedam junto do consórcio para que o consórcio regresse aos números que tinha apresentado no estudo prévio deste troço de alta velocidade.

Que rondava quantas demolições?
Menos de metade. É o número que foi compreendido e não mereceu o protesto que está a merecer agora. Eu próprio e o PS liderámos esse protesto quando soubemos da intenção do consórcio.

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Há um mês foi colocada a primeira pedra para a construção de 90 habitações em Laborinho, a freguesia que presidiu. A Câmara deu também conta da reabilitação de outras casas municipais. Considera que foi feito o suficiente nos últimos anos?
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia conseguiu o maior contrato do país com o Instituto da Habitação, o IHRU, um contrato de 146 milhões de euros para construção de habitação pública para renda acessível. A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, através deste contrato, tem todas as condições de, até 2029, construir 1100 habitações e colocá-las na renda acessível.

Esse investimento de 143 milhões de euros tinha como primeiro objetivo a construção de praticamente duas mil casas até 2026 e tem havido algumas críticas de não se ter chegado nem perto do objetivo. Acha que ainda é possível, pelo menos esse patamar ser atingido neste um ano e pouco que falta?
O objetivo não foi imediatamente atingido, mas não foi só em Vila Nova de Gaia, foi praticamente no país todo, porque os decretos e as portarias apontavam para valores de metro quadrado que já não eram praticados no mercado e não houve a procura que se contava quando o legislador definiu os preços por metro quadrado para a construção desta habitação. Houve alterações, houve uma redefinição de valores que, sim, mereceu resposta do mercado e por isso é que agora está em força. Podíamos ir a seis freguesias neste momento que tenha em obra de habitação pública a ser construída e mostra que se está a caminhar a passos largos para o objetivo. Até porque as nossas urbanizações sociais, que são da responsabilidade da Câmara Municipal, onde temos 3300 famílias, todos os anos, em média, têm 150 habitações que ficam disponíveis. Queremos reabilitar essas habitações e colocá-las também neste programa de renda acessível. Ou seja, não só construir de raiz, mas também colocando na renda acessível as habitações das organizações sociais que vão ficando disponíveis todos os anos.

E há espaço na sua proposta para reabilitar edifícios devolutos ou o preço é mais elevado?
Tenho ouvido um pouco por todo o país candidatos a prometer milhares de casas públicas, numa espécie de corrida para ver quem é que promete mais casas públicas, tudo numa perspetiva muito eleitoralista. Já fui presidente de junta e sempre primei a minha atuação com compromissos exequíveis. Nunca quis apresentar números nem fazer promessas e assumir compromissos que não tenho a certeza que possa cumprir. Neste momento, até 2029, Vila Nova de Gaia tem todas as condições para construir 1100 habitações. Quem prometer mais do que isto está a mentir aos gaienses e isso eu não quero fazer. Sei que 1100 habitações não respondem a todas as necessidades, mas acho que é preferível assumir que quando o Governo abrir novamente uma linha de financiamento ou quando a própria Comissão Europeia, através do quadro comunitário de apoio ou de um programa específico como o PRR, e a possibilidade dos municípios e dos países se candidatarem novamente à construção da habitação pública, Vila Nova de Gaia estará preparada para ir a jogo e para ter novamente o maior contrato do país.

Os inquilinos dos bairros municipais que não paguem renda devem ser despejados?
Temos casos muito pontuais de não pagamento de renda e isso não é tema de campanha em Vila Nova de Gaia e, não sendo um problema, também não queria estar aqui a transformar a situação num caso mediático ou até dar-lhe alguma dimensão política.

E uma Câmara Municipal deve demolir de imediato qualquer construção ilegal que surja no município de imediato?
De imediato, não. Sou um político humanista, tenho um respeito enorme pelas pessoas, pelas famílias, também cresci no meio de classe média baixa e de classe baixa e sei o esforço e o sacrifício que muitas pessoas fazem para sobreviver. Nunca se pode tomar uma decisão de demolição de uma habitação precária, que chamamos barracas, de ânimo leve. Há aqui uma componente social que tem que ser a primeira ação do autarca, tem que encontrar todo o tipo de respostas que protejam as famílias, porque dentro de uma casa há crianças, menores, idosos desprotegidos, que precisam de auxílio e só, em última instância, é que se pode partir para uma situação dessas. Não excluo, mas nunca seria a minha primeira opção.

Durante vários anos foi prometido que pela Avenida Vasco da Gama passaria o Metro Metrobus. Está aqui a faixa, mas considera que isto é um metrobus ou é uma faixa para autocarros normais?
É uma faixa dedicada ao autocarro e tem servido a milhares de gaienses que que residem ou trabalham nesta zona do concelho e que precisam muito desta deslocação.

Mas considera que é um Metrobus?
Convém recuar e perceber que para todos os automobilistas, veículos ligeiros e agora, no caso concreto, nos autocarros, a rapidez em que o autocarro se desloca da Avenida da República, que é uma avenida central em Vila Nova de Gaia, até ao seu destino, Oliveira do Douro, por exemplo, é muito mais rápido do que era antes desta obra. Antes da construção de duas faixas dedicadas ao autocarro, uma em cada sentido, era muito mais difícil de atravessar por causa do trânsito. Quem era obrigado a recorrer ao autocarro demorava muito mais tempo nesta deslocação e hoje isso não acontece.

Mas concorda que o que existe não é um Metrobus e nem sequer tem intenções de trazer o Metrobus para aqui?
Este serviço funciona. Vila Nova de Gaia tem um problema grave que se chama UNIR, que é o serviço de autocarro, a concessão que a Área Metropolitana fez a Vila Nova de Gaia e Espinho, um concurso público internacional. Houve aqui uma alteração legislativa e uma alteração da política de transportes do serviço de transportes em autocarro no país e também na Área Metropolitana do Porto, que dividiu a região em lotes. O concorrente iniciou a operação em dezembro de 2023, mas de lá até agora falha constantemente carreiras e horários e prejudica diariamente milhares de gaienses na deslocação para o trabalho, para a escola ou para os seus afazeres. A nossa posição é muito clara: a Entidade Metropolitana de Transportes a quem compete fiscalizar e representar o Estado nesta concessão tem que substituir rapidamente este operador por um outro que tenha capacidade para servir este território gigante.

Substituir o operador é suficiente para resolver o problema?
Tem que substituir por um operador que garanta qualidade e garanta a resposta, que é o contrato assinado entre a área metropolitana e quem venceu o concurso. O operador que aqui está não foi uma escolha política, venceu um concurso público internacional porque apresentou a proposta mais baixa, mas não tem sido minimamente capaz de cumprir.

A Câmara não tem nenhuma responsabilidade nisso?
Houve um tempo inicial, esgotou-se, o operador continuou a falhar e a Câmara Municipal foi pressionando a entidade metropolitana para que tomasse uma decisão ou pressionasse o operador para que, de uma vez por todas, passasse a cumprir o contrato e deixasse de falhar nas carreiras e nos horários. Isso não tem acontecido. Entrámos num período eleitoral e julgo que competirá à próxima Câmara Municipal, já totalmente legitimada por estas eleições, dizer às entidades que tem de substituir o operador que neste momento opera o serviço de autocarros em Vila Nova de Gaia e também em Espinho, porque é a mesma concessão.

"O operador [da UNIR] que aqui está não foi uma escolha política, venceu um concurso público internacional porque apresentou a proposta mais baixa, mas não tem sido minimamente capaz de cumprir. Estou a falar dos partidos mais extremistas"

“Luís Filipe Menezes fez questão mesmo de diminuir e desvalorizar Vila Nova de Gaia”

Ao contrário do PAN, o Bloco de Esquerda e o Livre optaram por fazer uma candidatura própria, coligados. Fez algum esforço para tentar ir buscar o apoio destes partidos?
O diálogo do PS, localmente, com os partidos políticos da área do centro de esquerda acontece desde há muito. Mas o momento mais próximo que tivemos foi no 25 de Abril de 2024, quando procurámos ter uma comemoração mais significativa, a intenção era que houvesse um desfile que partisse de Vila Nova de Gaia em direção ao Porto, onde para o palco habitual das comemorações do 25 de Abril. E esse diálogo aproximou os partidos do centro de esquerda.

Não o suficiente para haver este apoio. Tentou e não conseguiu ou nem sequer houve essa tentativa?
Não houve um avanço nesse sentido. E claramente houve intenção do Livre e do Bloco de Esquerda avançarem conjuntamente. Foi isso que senti desde a primeira hora e, portanto, as conversações nem sequer acabaram por acontecer. Houve um diálogo, uma troca de impressões, mas não houve negociação, não houve conversações. Mas não me parece que seja relevante no plano autárquico, porque eu sou daqueles que acredita que as pessoas votam cada vez mais no candidato, no seu projeto e naquilo em que o candidato representa do que propriamente no partido político.

Olhando para o que o candidato representa e não só para o partido político. O que é que está disposto a fazer no day after: com quem é que prefere sentar-se à mesa se for mesmo eleito?
Essa decisão só posso tomar depois das eleições. Há oito candidatos à Câmara Municipal e terei de esperar pelo resultado de cada partido, perceber também, através do resultado, aquilo que são as prioridades dos gaienses em determinadas áreas e o comportamento dos candidatos e dos partidos políticos, para depois formular, se houver essa necessidade… Espero que não, espero que o resultado dê uma estabilidade governativa, mas se não der, respeitarei da mesma forma. Quer ganhe por um voto, quer ganhe por maioria absoluta, respeitarei totalmente a vontade dos gaienses e mesmo que represente mais dificuldade de governação, a minha responsabilidade e a minha missão passa por respeitar esse resultado, nem que isso obrigue a uma negociação permanente com os vereadores eleitos pelos partidos de oposição.

E coloca alguma linha vermelha nessas negociações?
Sim, há linhas vermelhas, mas eu também não sei se esses partidos vão eleger vereadores. Essas linhas vermelhas estão muito identificadas com aquilo que são os princípios do partido que represento e, acima de tudo, aquilo que é a minha forma de estar na política e os meus princípios e valores.

Está a falar do Chega?
Estou a falar dos partidos mais extremistas.

E Luís Filipe Menezes não é uma linha vermelha?
Luís Filipe Menezes é candidato a presidente da Câmara Municipal de Gaia, mas não sei se ficará como vereador no dia das eleições.

O resto da equipa não é uma linha vermelha?
O resto da equipa não é uma linha vermelha, dependerá muito dos vereadores em causa que sejam eleitos. Quero recordar que Luís Filipe Menezes já foi presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, demitiu-se para ser candidato à Câmara Municipal do Porto e quando apresentou a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto, disse que esteve cerca de 15 anos em Vila Nova de Gaia, fazer uma comissão de serviço porque o sonho dele sempre foi ser presidente da Câmara do Porto e que foi sempre dormir ao Porto. Ou seja, fez questão mesmo de diminuir e desvalorizar Vila Nova de Gaia. Na altura foi muito criticado e conheço muitos sociais-democratas e muitos simpatizantes e militantes do CDS que não perdoam a Luís Filipe Menezes essa traição à Vila Nova de Gaia.

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Chegou a dizer que as pessoas tinham boa memória. Acha que só têm boa memória para o que aconteceu de mau na governação de Luís Filipe Menezes?
Não, claro que não. Todas as governações tem aspetos positivos. Luís Filipe Menezes, na altura em que não tinha vontade de ser mais presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, candidatou-se em 2009 e podia não se ter recandidatado, não para ser presidente da Câmara de Gaia, mas para aproveitar a Câmara de Gaia para uma rampa de lançamento para outros voos, como se veio a provar quando se candidatou à Câmara Municipal do Porto. Governar Vila Nova de Gaia, pela dimensão do concelho, determina uma dedicação exclusiva sete dias por semana, de muitas horas por dia a este concelho gigantesco que tem muitos desafios e que é uma missão altamente exigente. Também sei que uma boa parte dos presidentes da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia foram eleitos na casa entre os 40 e os 50 anos, tenho 48 anos e sinto que a minha carreira, o meu trajeto político e as funções que exerci, aquilo que provei no exercício das funções e também esta vontade e este sentido de responsabilidade, colocam-me com a frescura política, intelectual e física que são absolutamente necessárias para governar este município gigantesco.

Luís Filipe Menezes já não tem essa frescura?
Não queria estar a fazer esse comentário. Falo de mim, não quero falar dos meus adversários, não preciso.

Chegou a ser criticado quando foi para secretário de Estado por ter saído da presidência da junta. Acha que isso lhe pode ser cobrado?
Não ouvi e não li nenhuma crítica. A oposição neste momento está a tentar explorar uma situação que ocorreu há três anos, mas na altura não recebi nenhuma crítica, pelo contrário, recebi mais de mil mensagens a felicitar a nomeação e senti também que as pessoas que confiaram em mim para presidente de Junta de Freguesia ficaram muito orgulhosas da minha nomeação. É um não-tema, um não-assunto que só surge agora por parte de algumas vozes porque não tem praticamente nada para atacar o meu trajeto político.

Chamou populista Luís Filipe Menezes por causa de uma proposta, pediu-lhe mais rigor. Considera que a campanha em Gaia está a ser feia ou considera que estas questões fazem parte?
Não deviam fazer parte. Faço política com fair play e não tenho nenhuma inimizade política. Gosto muito de debater propostas e detesto debater pessoas. Neste caso concreto, candidatura da AD e IL está numa estratégia de mimetização da minha campanha. Avancei com a proposta de abolição de portagens e a seguir veio o candidato adversário também apresentar uma proposta de abolição de portagens. Depois, não contente por ter imitado a proposta, acusou-me de ter votado contra uma proposta na Assembleia da República que foi apresentada por um suposto deputado — e aí apelei para a seriedade e rigor, porque a pessoa disse que era deputado, que era deputado e, não sendo deputado, não pôde apresentar nenhuma proposta na Assembleia da República e, como não houve proposta, não foi votada. Portanto, era tudo falso e respondi dizendo que não só era tudo falso, mas que o meu comportamento na Assembleia da República foi sempre coerente. Em abril de 2024 o Bloco de Esquerda apresentou um projeto de lei que propunha a abolição de portagens, também na A29, e votei a favor. E, na verdade, o ponto de partida para esta proposta de abolição de portagens foi a conquista que o país teve em janeiro deste ano.

Fez questão de que o Carpool passasse na piscina da Granja. Porquê?
É um dos lugares especiais de Vila Nova de Gaia e que será uma aposta também no próximo mandato, mas, acima de tudo, a piscina tem a ver com um dos principais programas que queremos implementar em Vila Nova de Gaia: queríamos que as nossas crianças entre os cinco e os dez anos de idade possam, de forma gratuita e duas vezes por semana, ter aulas de natação, aprender a andar de bicicleta e iniciar a sua formação musical. É um programa que casa o desporto com a cultura, neste caso natação, ciclismo e música e temos um público alvo máximo de 23.800 crianças entre a idade pré escolar e primeiro ciclo. Acreditamos que ao fim de quatro anos possamos ter 50% destas crianças neste programa. Estamos a falar de um concelho que já deu vencedores ao ciclismo nacional e também uma das medalhas de ouro dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

A sua veia de secretário de Estado da Juventude e Desporto ainda não saiu?
Nem vai sair, o desporto será uma das prioridades nos próximos anos, quer ao nível de dar continuidade ao que tem sido a infraestruturação desportiva, mas também nos programas transformadores.

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