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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Carpool com Alexandra Leitão. "Não pedirei nunca a demissão de Moedas a 15 dias das eleições"

Candidata do PS/BE/LIVRE/PAN sugere que houve "ocultação" de acidentes recentes no elevador da Glória. Numa entrevista a dois tempos (pré e pós tragédia), Alexandra Leitão atira sobretudo a Moedas.

A 3 de setembro, cerca de uma hora antes do acidente com o elevador da Glória, o carpool do Observador tinha terminado o percurso por Lisboa com a candidata socialista Alexandra Leitão. A volta, mereceu, por isso, um extra para falar exclusivamente de um tema que acabou por se tornar central nesta campanha. A candidata da coligação PS/BE/LIVRE/PAN exige explicações a Carlos Moedas, sugere que estarão a ser ocultados factos, mas promete não fazer deste “o tema único” desta campanha.

Continua a não entrar por pedidos de demissão e diz que não o fará neste período, ainda que insista na necessidade de esclarecimentos “rápidos” sobre dúvidas que entretanto surgiram na comunicação social sobre a manutenção dos equipamentos elétricos na cidade: “Parece-me grave”. Começamos precisamente por esse trajeto extra até aos Restauradores, junto à paragem do elevador da Glória.

Fazemos este extra, porque calhou gravarmos a entrevista do Carpool no dia do acidente do Elevador da Glória, o que desatualizou a conversa. Achámos que era importante voltarmos a conversar até porque este episódio pode influenciar esta campanha, certo?
Não sei se vai ou não marcar a campanha no sentido do resultado, portanto eu não me vou pronunciar sobre se vai beneficiar A ou beneficiar B, ou prejudicar A ou prejudicar B, não é tanto para mim esse o ponto. Influencia no sentido em que é um tema novo de campanha que não existia naturalmente se este trágico acidente não tivesse ocorrido.

O PS pediu uma reunião extraordinária na Câmara para averiguar alguns dos novos dados que existem. A sua posição desde o início tem sido de esperar pelas conclusões das várias averiguações que estão a ser feitas, o que mudou para de repente o PS já ter esta pressa em avançar com mais pedidos de esclarecimento?
A minha posição foi, numa primeira fase, obviamente de honrar as vítimas mortais, apoiar as famílias e também os feridos, e de deixar que as averiguações que tenha que haver e que estão a acontecer, tanto quanto sabemos, ocorram de forma serena, tranquila e com o tempo que os técnicos precisam para isso. Agora, há dois factos novos que não são, ao contrário do que Carlos Moedas tenta fazer crer, estritamente técnicos. Sabemos agora, pelo menos, foi dito numa reportagem e depois entretanto já confirmado, que houve dois acidentes: um no final de 24 e em maio de 25, que não foram referidos abertamente. Não sei se terão sido ocultados ou pelo menos não foram referidos, e que agora foram assumidos como tendo ocorrido. E o outro facto novo, também, de acordo com essa reportagem televisiva, é de que teria havido, ou terá havido cartas, umas públicas, outras dirigidas diretamente e apenas ao presidente da Câmara de Lisboa, da Comissão de Trabalhadores, manifestando severas preocupações com a manutenção de várias infraestruturas e equipamentos da Carris. Estes dois factos não foram tidos em conta na reunião de Câmara que ocorreu porque eram desconhecidos, em grande parte por terem sido ocultados e são factos de conhecimento posterior que têm uma relevância autónoma que exige um esclarecimento rápido e na sede própria. A sede própria, não é a rua, é na Câmara de Lisboa.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Esse esclarecimento por parte de Carlos Moedas poderia mudar o curso da campanha? 
O ponto não é se vai mudar ou não o rumo da campanha eleitoral, não é isso que nos preocupa, o que nos preocupa é outra coisa, é o escrutínio democrático e a garantia de que as instituições servem cada uma para a sua coisa e no caso a Câmara Municipal para escrutínio democrático. É ao escrutínio democrático que o presidente da câmara atual se está a furtar ao não querer fazer uma reunião de Câmara, se vai ou não.

Não se furtou, marcou para o dia depois das eleições. Se não existe cálculo político qual a importância de ter de ser antes das eleições?
Desde logo há uma regra regimental que determina que quando pelo menos um terço dos vereadores da Câmara de Lisboa, como foi o caso, pedem uma reunião extraordinária, ela deve ser marcada após oito dias subsequentes. Portanto essa regra já foi violada com a marcação para o dia 13, que eu acho que é um bocadinho provocatória a dois níveis. Primeiro porque o atual presidente da Câmara não sabe se vai ganhar as eleições; e em segundo lugar porque eu, se fosse presidente da Câmara neste momento, a 15 dias ou a 3 semanas de eleições, era a primeira a querer que os lisboetas fossem votar tendo todos os dados e todos os conhecimentos prestados.

"Há uma aparente ocultação de factos importantes" sobre acidentes em elétricos

Mas há uma averiguação a ser feita, não é estar só a extrair alguns pontos de uma averiguação que ainda não está concluída, podendo até contribuir para contra-informação?
Esta averiguação que está em curso não é sobre acidentes que a Carris ocultou, não é uma averiguação sobre cartas que o presidente da câmara supostamente, ou tanto quanto sabemos, recebeu. E depois há aqui um fator autónomo que é, se efetivamente, como foi dito nessa reportagem, a Carris ocultou a existência desses acidentes. Há aqui um fator também a ter em conta, que é a própria ocultação em si. Nós esperamos pacientemente — se vier, quando vier — os resultados da averiguação técnica. Quando estamos a falar da ocultação de factos, ou da aparente ocultação de factos relevantes, que têm uma dimensão técnica, mas também têm uma dimensão da própria responsabilidade dos envolvidos, então o sítio próprio para se fazer essa discussão é a Câmara de Lisboa, não é a praça pública.

Até que ponto a carta de que está aqui a falar, que Carlos Moedas pode ter recebido da Comissão de Trabalhadores da Carris, tem de ser específica para a conclusão ser que Carlos Moedas sabia que havia um problema na manutenção?
Mas eu não preciso de tirar conclusões, o presidente da Câmara é que tem de tirar as suas conclusões, eu não pedi, nem pedirei nunca, a 15 dias de eleições, a demissão do presidente da Câmara de Lisboa. Não vou estar aqui a medir se foi técnica, não estou a medir se a carta era específica, se não era específica, mas gostaria de saber o teor da carta e que sequência foi dada, isso acho que os lisboetas têm o direito de saber. Houve ali aspetos de manutenção graves, de vários equipamentos, que sequência foi dada? O que é que se fez? O que é que a Câmara fez? Mandou averiguar, mandou ir ver, ouviu os trabalhadores? Isso é que é importante.

Neste momento desconfia que Carlos Moedas possa estar a esconder essa informação?
Não desconfio de nada, não há aqui nenhuma suspeição, não há nada. Há dois factos novos, grandes, graves, e que exigem esclarecimentos que a nosso ver devem ser obtidos em tempo útil e com urgência. E além do mais, há uma regra legal que determina que um terço dos vereadores podem pedir uma reunião extraordinária que deve ser marcada nos oito dias subsequentes, portanto, já agora cumprir a lei também não era mau.

"A confiança entre os lisboetas e este conselho de administração da Carris está irremediavelmente quebrada"

Muito se tem falado da questão da manutenção e há alguns dados até que já foram sendo conhecidos depois do acidente. Nesta altura já devia ter havido alguma responsabilidade assumida por alguém, como por exemplo a administração da Carris? Carlos Moedas fez bem em travar essa saída?
A confiança entre os lisboetas e este conselho de administração da Carris está irremediavelmente quebrada, e acho que isso deve ser um critério para a sua manutenção ou não. Agora, não vou julgar a decisão do presidente da Câmara de ter mantido ou não. Só quero esclarecimentos e a Carris não prestou esses esclarecimentos, ocultou a existência de acidentes muito recentes, neste mesmo equipamento que teve agora um acidente tão grave, e isso parece-me grave e que exige esclarecimentos da parte de todos. Também não sei qual é o problema, esta ideia da politização e da partidarização é um biombo, é uma forma de se furtar ao escrutínio democrático. Se a seguir me perguntar, mas é para quê o escrutínio democrático? É para demitir? Não, não estou a dizer isso, nunca disse, nunca direi, não vou dizer, não estou a dizer. Quero é que haja um escrutínio democrático na sede própria e que não se chame partidarização àquilo que é escrutínio democrático normal. É muito grave, até para o futuro, até como presidente, se agora sempre que alguém quer nas sedes próprias discutir, esclarecer, pedir informações que estão no âmbito das competências dessas entidades, isto for vendido como politização. Irá muito mal o escrutínio democrático.

A gestão socialista também pode não ficar incólume, até porque já se percebeu que a questão da externalização da manutenção, por exemplo…
Não é líquido em que Governo foi feita a externalização. E foi feita no Governo, não na Câmara. Já foi público que o presidente da câmara quer chamar o anterior conselho de Administração da Carris, que chame, acho muito bem. Chame toda a gente, mas venha à reunião e preste esclarecimentos também o próprio que na última reunião, por sinal, não esteve presente o tempo todo. Chama o conselho de administração anterior, chama o atual, chama a Comissão de Trabalhadores, acho muito bem, é isso mesmo que nós queremos, é que esteja lá toda a gente a prestar esclarecimentos, mas que também esteja o próprio presidente da câmara.

Defende que se mantenha a externalização do serviço?
O que nós temos no nosso programa é que avaliaremos, assim que chegarmos, do ponto de vista técnico e gestionário, a possibilidade de reinternalizar. Esta reinternalização, também tem que ser paulatina, gradual, porque é óbvio que foram-se perdendo capacidades, e portanto tem que ser avaliada de uma perspetiva técnica e gestionária, não é de uma perspetiva política nem ideológica.

E é importante, do ponto de vista do PS, fazer, por exemplo, uma modernização da frota de elétricos e de elevadores nos próximos tempos? 
É importante reforçar a Carris, mas especificamente, relativamente aos elevadores que estão em causa, do Lavra, Bica, aqui o da Glória, é muito importante restaurar a confiança das pessoas nestes equipamentos. São equipamentos usados por milhares de pessoas, turistas também, mas pessoas que vão para o trabalho, pessoas que os utilizam, e isso é preciso fazer rapidamente.

"Não farei deste o tema da campanha"

Carlos Moedas está a ir pelo caminho certo tendo em conta esse objetivo de restaurar confiança?
Já disse publicamente que se há dúvidas na manutenção, então fechá-los foi uma boa medida. Também já disse, logo no primeiro dia, que era preciso haver alternativas enquanto não se reabrem, porque as pessoas precisam dos transportes, de alternativas a estes elevadores. E depois, é preciso que se trabalhe na manutenção para eles poderem reabrir. Agora devem reabrir quando houver confiança na sua manutenção, e isso aparentemente não há.

Já disse que não está preocupada se isto vai marcar a campanha ou não do ponto de vista de vantagens e desvantagens.
Como tema, naturalmente que é um tema de campanha, agora como resultado isso os lisboetas dirão.

Mas vai fazer disto um assunto diário na sua campanha eleitoral?
Eu? Mas já não fiz. Quer dizer, o acidente já foi há 15 dias, não é, e não fiz deste tema o meu assunto de campanha. Se forem justos verão que durante estas três semanas falei sobre imensos temas, tivemos um debate na televisão e um debate numa rádio, aliás na vossa, que não passou essencialmente por este tema, nem sei se teve de passagem este tema. Portanto não, eu não farei deste o tema da campanha. Lisboa precisa que se discuta a habitação, mobilidade, e já agora precisa que se discuta o espaço público, a higiene urbana, o lixo, o espaço público. Agora, que é inevitável que sejam feitas perguntas, parece-me, mas eu não farei isso o único tema da campanha.

"Pode ser preciso cancelar alguns registos" já existente de Alojamento Local.

A entrevista, no dia 3 de setembro, tinha partido da faculdade em que Alexandra Leitão se formou e de que tem saudades. Mas antes de voltar quer ser presidente da Câmara e declara-se como a única alternativa a Carlos Moedas — numa tentativa de bipolarizar uma campanha onde a CDU está a procurar roubar-lhe terreno. “Só há estas duas possibilidades”, insiste.

Quis passar por terrenos municipais vendidos, para criticar Moedas na gestão do problema da habitação onde conta com cooperativas e privados para o seu plano de construção de casas — e também com terrenos do aeroporto. Na mobilidade, defende que se analise a linha circular, criticando — mais uma vez — Moedas por ter prometido reverter a decisão do plano e nada ter avançado nesse sentido.

Nas questões da segurança e da multiculturalidade, a candidata socialista avança com cautelas. Dois exemplos: já mudou o discurso sobre a “perceção de insegurança” e avisa que “não é prioridade política” a Mesquita na Mouraria.

Partimos aqui da Faculdade de Direito. Esta paragem por aqui foi uma escolha sua… não me diga que já está com saudades da faculdade. 
Sempre. Tenho sempre saudades da minha faculdade, onde entrei em 90 para fazer o curso de Direito e de onde nunca mais saí, na verdade.

E de onde saiu para a política, até já um pouco tarde.
É verdade. Eu fiz o curso 90-95, durante o curso tive alguma intervenção política, associação de estudantes, etc. Foi lá que, durante esse período, conheci várias pessoas que ainda hoje são meus amigos e que estão ligadas à política, como o Sérgio Sousa Pinto, o Marcos Perestrello, o próprio João Tiago Silveira. Mas a seguir a acabar o curso, em 95, tive um longo período de vida profissional e pessoal. Fiz o mestrado, fiz o doutoramento, tive duas filhas.

As saudades da Faculdade de Direito era mais uma provocação… já tem saudades para voltar?
Eu sou franca, tenho sempre saudades da Faculdade. Quando saí do Governo em 22 e fui deputada três anos, de 22 até 25, retomei aulas, a tempo parcial, claro. E manter-me ligada à Faculdade é uma coisa importante para mim. Naturalmente que agora, o mais importante é ser presidente da Câmara de Lisboa, que é isso que me proponho, mas a Faculdade é sempre uma grande referência para mim.

Estamos aqui na zona da Cidade Universitária, aqui mesmo por baixo de uma rota de aviões, tem sido muito vocal por causa do aeroporto de Lisboa ter atingido o limite máximo de movimentos por hora. Limitar não acaba por prejudicar a economia por via do turismo? Como é que se faz esse equilíbrio?
O aumento dos movimentos, como aliás sempre disse o PS na Câmara de Lisboa e também a nível nacional, pressupõe sempre uma avaliação de impacto ambiental, e isso é logo alguma coisa que é preciso fazer-se. Por outro lado, é preciso cumprir também as regras que já existem sobre o descanso noturno e sobre o ruído à noite. É fundamental termos um novo aeroporto, eu digo sempre e mantenho que o turismo é uma atividade económica fundamental para a cidade e para o país. Precisamos de um novo aeroporto, agora não podemos é pôr em causa a saúde pública, porque é isso também que está em causa, com um aumento de movimentos que torna o ruído quase insuportável na cidade.

Então, o que é que se pode fazer enquanto não há um novo aeroporto? Até porque isso vai demorar muito tempo para acontecer.
Neste momento é manter os movimentos que estão agora e não aumentar. Quando o Governo veio falar em aumentar os movimentos de 38 para 45, houve uma moção na Câmara de Lisboa recusando isso, e inclusivamente foi referida a possibilidade de se pôr uma providência cautelar se fosse para avançar, e é isso que eu me comprometi a fazer se for presidente da Câmara.

Para evitar que cheguem ao limite máximo?
Sim, estar aqui em Alvalade, ou a dar aulas na Faculdade de Direito, ou doente no Hospital Santa Maria, aí é que se vê bem o que é de facto o ruído de cada vez que passa um avião — e passam com muita frequência. Portanto não é acabar, obviamente, é não piorar a situação que já é difícil.

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Há outra coisa que já começa a chegar a esta zona — fora do centro histórico — o alojamento local. Com um problema de habitação grave na cidade, o que é que se pode fazer em relação ao alojamento local que já teve avanços e recuos e parece haver sempre algum temor em enfrentar esse setor?
Não tenho nenhum problema em dizer, com todas as letras, que nós temos que regular e limitar o alojamento local na cidade de Lisboa. Tem tido peso enorme na retirada de arrendamento de longa duração para se poder viver em Lisboa, quem tem imóveis arrenda-os para AL, que é de curta duração, e retira do mercado arrendamento de longa duração, que é fundamental para as pessoas viverem em Lisboa. Nós precisamos do turismo, é verdade, mas precisamos que haja dinamismo e pessoas a viver em Lisboa. No eixo central da cidade, que abrange as freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia, Arroios, Santo António, há imensos idosos isolados, a serem os únicos a viverem num prédio em que tudo o resto é AL e em que os seus filhos já não conseguiram comprar casa perto e estão a viver fora de Lisboa

Mas como é que se regula? Regula-se em número? Por exemplo, há uma suspensão de novas licenças em vigor. É suficiente?
Tem que haver uma suspensão, aliás, neste momento o regulamento do alojamento local já devia estar a ser apresentado na câmara municipal. Porque é preciso a suspensão de licenças em várias zonas e, eventualmente, pode ser preciso cancelar alguns registos, é preciso mudar a lei, isso não depende só da câmara, mas é preciso mudar a lei. A questão, por exemplo, das autorizações que os condomínios têm que dar para poder haver alojamentos locais, isso foi mudado pelo atual Governo e eu acho que a câmara devia pressionar nesse sentido e não no oposto, como nós ouvimos fazer, e é preciso fiscalizar. Há imensos alojamentos locais legais, mas há outros tantos ilegais, e isso é preciso fazer essa fiscalização. Nós facilmente encontramos, numa plataforma de alojamento local, ofertas que depois vamos lá e não têm sequer o selo à porta.

Mas em relação ao que existe é possível fazer alguma coisa, quando já houve investimento feito?
É preciso fazer um estudo de carga sério para perceber como é que estamos de carga turística na cidade. Eu tive uma reunião muitíssimo produtiva com a AHRESP, que já propôs ser parceira na Câmara para fazer esse estudo, e eu estou autorizada por eles para dizer que faremos esse estudo em parceria com eles, para perceber onde é que a pressão é tão grande que se torna insustentável.

Portanto, importante, do seu ponto de vista, é dar esse sinal mais restritivo, mas o que existem, pretende fazer o levantamento e depois?
Todos os que sejam ilegais têm obviamente que ser fechados. Os que sejam legais têm que se verificar as condições, portanto, suspender novas licenças, fiscalizar e, obviamente, fechar os que sejam ilegais. Relativamente aos que sejam legais, e em função do estudo de carga verificar como é que se pode reduzir o seu peso na cidade.

Pondera a revogação de licenças?
Sou jurista e, portanto, sei que há regras sobre direitos adquiridos e regras que serão totalmente acauteladas. O que é importante neste momento é não dar mais licenças e suspender a emissão de licenças, portanto, não haver mais registos. É importante fiscalizar de forma muito efetiva os ilegais.

Mas depois de fazer o tal levantamento que falava, o que tem de se fazer?
Como digo, fazer o levantamento dos ilegais e fechar, porque não há direitos adquiridos em situações ilegais, suspender novos registos, e relativamente aos existentes, e sobretudo aqueles em que se chega à conclusão que são em zonas de demasiada pressão, verificar o que é que se pode fazer, sempre dentro do limite da lei. Há uma coisa que, por exemplo, foi feita em Madrid, que é os condóminos poderem opor-se a que haja um alojamento local no seu imóvel. Muitas vezes a questão do alojamento local tem sido apresentada como uma questão de utilização do direito de propriedade privada, não poder haver limitações a este direito. Então e o direito de propriedade privada dos condóminos de um prédio, que de repente têm de ter lá um alojamento local, com tudo o que isso representa de utilização das partes comuns do prédio, de falta de sossego, de produção de lixo, etc? Portanto, nós aqui também temos que ter soluções equilibradas. Temos que estudar juridicamente até que ponto é que, em certas circunstâncias, é possível haver o cancelamento.

"Há duas bolsas de terreno absolutamente fundamentais para a evolução da habitação na cidade de Lisboa: na Alta de Lisboa e no aeroporto"

Estamos no Lumiar e quis parar aqui para um apontamento relativamente a estes terrenos. 
São terrenos municipais e houve uma proposta do executivo para vender estes terrenos e não é essa a política que considero correta. Se há terrenos municipais, eles devem ser, em primeira linha, utilizados para construção de habitação e, essencialmente, de habitação acessível. Quando digo que os terrenos municipais devem ser usados para habitação acessível, é quer seja pública, construída pela própria câmara, quer seja habitação promovida pela câmara em cooperação com cooperativas. Sou muito favorável a aumentar a lógica de relação com as cooperativas. Nos anos 90, o boom de realojamento foi em parceria com as cooperativas e isto, para mim, vai ser um eixo central do meu programa, e também em parceria com privados. Não tenho nenhum problema com isto. Agora, há uma coisa que não pode ser é vender os terrenos, porque, a partir do momento em que terrenos que são municipais são vendidos, mesmo que seja com a condição de ser para habitação… não é essa a prioridade que o município tem que ter.

O seu objetivo em matéria de habitação, que é uma das suas prioridades, é a construção de 20% de habitação pública.
É atingir, num futuro de médio-longo prazo, não determinamos um prazo específico, é atingir 20% de habitação pública. Com isto, estamos a incluir habitação municipal, habitação estadual, e vários tipos de respostas públicas. Mas posso dar um número mais concreto, acho que em quatro anos podemos seguramente, fazer cerca de 4.500 fogos públicos.

Esse objetivo tem sido até considerado uma meta demasiado ambiciosa. Não pode acabar como acabou, por exemplo, a promessa de Fernando Medina das 6 mil casas de arrendamento acessível, que depois, afinal, foram 700?
Mas não estabeleci para um mandato. Estamos a falar de 20% como um objetivo estratégico de médio para longo prazo. Há duas bolsas de terreno absolutamente fundamentais para a evolução da habitação na cidade de Lisboa. Uma já existe que é a Alta de Lisboa e agora liberta de um contrato que se veio a revelar mau para o desenvolvimento daquela zona, que tem muitíssimos fogos, e claro a zona do aeroporto. E quando eu falo nesse objetivo de 20% a longo prazo, estou a incluir a médio prazo a Alta de Lisboa e a longo prazo os próprios terrenos do aeroporto. Isso é exequível. Já não vou falar de cidades que têm 50% de habitação pública como Viena…

Mas problema não é mais urgente? Há tempo para esperar por tudo isso?
Mas há uma dimensão de urgência e o programa também inclui algumas coisas para soluções de urgência. Por exemplo, construção modular. Tem as mesmas garantias de segurança e permite construir num espaço muito mais curto de tempo. Na freguesia de Benfica, temos o exemplo da residência de estudantes e já outros dois projetos, já com a primeira pedra lançada, para mais 18 fogos num sítio e 50 fogos no outro. Tudo com construção modular. Portanto, há soluções, há uma dimensão de emergência que tem a ver com o próximo mandato e estas 4 mil e tal casas que são claramente construíveis no mandato e depois há uma visão estratégica dos 20%.

Há uma intenção de envolver a iniciativa privada neste seu objetivo. Mas não teme a falta de disponibilidade já que a esses contratos vêm associadas exigências menos aliciantes para quem investe?
Já falei com promotores, com a associação de promotores imobiliários e há uma coisa que faz encarecer muito mais os projetos do que exigir-se 20% de habitação acessível em cada projeto e essa coisa é a morosidade na atribuição de licenças. Quando um promotor tem uma verba que aloca a um projeto e tem essa verba parada durante 1, 2, 3 anos — a mim chegaram a dizer que há casos de 5 anos — cada ano que passa aquele dinheiro está a desvalorizar e está a tornar mais caro o projeto e isso representa um peso muito mais negativo do que propriamente assegurar uma percentagem de habitação acessível.

E como é que pode agilizar-se ao nível do licenciamento? 
Tem que se agilizar, quer com mudanças na lei, quer com mudanças na forma como a Câmara Municipal tem estado a funcionar, é público que esta situação é muito grave.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Alguém que tem esta meta e sabe que há todas estas pedras na engrenagem, como pode garantir que funciona e que haverá licenciamentos mais ágeis? Aliás, estou a falar com uma ex-ministra da Reforma Administrativa…
Sou favorável à simplificação do ponto de vista legislativo e dos mecanismos de simplificação do ponto de vista administrativo, ou seja, ao nível de quem implementa. E há muitos momentos em que estamos a estudar também esse workflow, mas há muitos momentos em que isso pode ser agilizado. Uma solução muito interessante, que aliás já foi tentada em miniatura pela vereadora Filipa Roseta, é, por exemplo, num grande projeto imobiliário, com cooperativas, haver projetos standard feitos pela própria câmara, e a partir daí é muito mais rápido de licenciar. Agora, esses projetos, ao contrário do que foi feito no projeto piloto da vereadora Filipa Roseta, têm de ser trabalhados e dialogados e construídos em diálogo com a própria cooperativa e não impostos. Mas a ideia, por exemplo, de haver três ou quatro projetos standard é uma solução interessante e a explorar.

"Linha circular do Metro merece análise"

Estivemos mesmo agora junto a Odivelas, uma zona onde a cidade tem estado a crescer nos últimos anos. Faz sentido uma linha circular do metro numa cidade que está a crescer para fora e cortar essa ligação que existia da linha amarela ao centro da cidade?
O Governo do PS, que caiu em 2023, tinha dado abertura para uma reanálise dessa situação. Aliás, tinha sido algo que tinha sido muito repetido pelo atual presidente da Câmara de Lisboa, na campanha eleitoral. Na verdade, os posteriores governos, acabaram por, afinal, apesar das promessas de Carlos Moedas em 21 e da abertura que o Governo do PS tinha deixado, manter essa solução. É algo que eu, enquanto Presidente da Câmara, terei que estudar e perceber as razões e as valias de uma e de outra solução.

Mas não tem uma posição ainda fechada sobre a linha circular? 
A questão é muito técnica, já me deram uma explicação que tem a ver com a própria…

Não estou tanto a falar da questão técnica, embora perceba que ela também seja importante, mas do serviço e das pessoas que de repente deixam de ter essa ligação direta ao centro da cidade.
É algo que tem que se perceber, como fazer tecnicamente, como tentar equilibrar as coisas, aqui no Lumiar é um assunto…

Já percebi que não é propriamente fã da ideia da ideia que veio do Governo socialista. Discorda da solução?
Não discordo, porque gosto de tomar decisões com base em conhecimento técnico, sobretudo quando há decisões que implicam muito conhecimento técnico e esta é uma delas. Portanto acho que merece análise, tanto quanto sei, nem este Governo atual, nem esta Câmara Municipal fizeram nada para alterar, terão as suas razões, são essas que eu também tentarei conhecer quando for presidente.

A sua medida para os transportes públicos é de gratuitidade para os residentes na região de Lisboa, é uma medida que tem um custo elevado… 
São cerca de 30 milhões. Nós hoje temos a gratuitidade para os mais jovens assumida pela Administração Central, depois temos para os mais idosos.

"Saldo entre autocarros comprados e abatidos é inferior àquele que foi deixado por Fernando Medina"

Mas isso não pode criar uma pressão sobre o serviço dos transportes públicos onde as pessoas já se queixam da pouca eficiência?
A questão do preço tem a ver com acessibilidade e coesão para quem isso ainda é um peso — e ainda há muitas pessoas em Lisboa para quem isso é um peso relevante –, mas fiz questão de apresentar como um pacote onde incluo também a maior fluidez e o maior cumprimento de horários e pontualidade dos transportes públicos. E sobre isso eu queria dizer duas ou três coisas. Em primeiro lugar, há pouco tempo tivemos informação de um estudo que demonstrou que os autocarros da Carris andam a uma média de 13 km por hora, o que é quase um pouco ridículo. É preciso transportes fluidos, céleres, confortáveis e pontuais e para isso é preciso aumentar a frota. Eu vi outro dia um apontamento do atual presidente que se referia ao investimento que fez na frota e ao que comprou, mas e nós para sabermos como é que está a frota de um determinado da empresa, não precisamos só saber quantos foram comprados, precisamos saber quantos é que foram abatidos, porque precisamos é de ter um saldo líquido, e aquilo que nós sabemos é que hoje o saldo, entre os que foram comprados e os que foram abatidos, é inferior àquele que, por exemplo, foi deixado por Fernando Medina em 2021.

Esse tipo de medidas têm muitas vezes por objetivo a agilização da mobilidade dentro da cidade, desincentivar o uso do transporte particular na cidade. Essas medidas puxam pessoas novas para o transporte público?
Uma política integrada de mobilidade que tenha como visão estratégica uma melhor coexistência entre carro particular, transportes coletivos, transportes públicos e também outras formas suaves de mobilidade, como a bicicleta e o andar a pé, e esta visão integrada estratégica é que não tenha havido na cidade de Lisboa. Nos últimos quatro anos, claramente houve uma prioridade ao carro na cidade de Lisboa, por isso é que não se fizeram nem um quilómetro de faixas bus. O que eu quero é que não tenha nada móvel contra o carro, bem pelo contrário, agora tem que haver uma visão estratégica e equilibrada em que as formas de mobilidade coexistam designadamente transportes coletivos, repito, transportes coletivos, carro e também bicicletas e peões. E já agora, permita-me, estamos aqui a passar num sítio, deve saber…

Na Avenida Estados Unidos da América onde há um ano morreu um jovem atropelado.
Sim, aqui ao fundo, exatamente, faz agora um ano que este jovem morreu, eu ainda enquanto líder parlamentar do PS reuni com o pai deste jovem. Esta é uma das zonas negras para atropelamentos na cidade de Lisboa e foi pintado apenas, houve uma pintura a vermelho. Continuamos não ter um levantamento exaustivo das zonas negras na cidade de Lisboa, e o número de atropelamentos na cidade deve preocupar-nos. E também por isso, a regulação do trânsito é muito importante.

Com que tipo de intervenção?
Por exemplo, há umas lombas próprias que obrigam a ir devagar. Há semaforização mais inteligente.

E mais radares de velocidade?
Acho que não. Há sítios em Lisboa onde nem a 20 ou nem a 30 se deve andar, ao pé de uma escola, por exemplo. Há outros onde se pode andar a 50. Ou seja, eu acho que deve haver uma definição inteligente e bem sinalizada, porque as pessoas não podem ser, por exemplo, apanhadas num sítio pelo radar porque está mal sinalizado e ali não sabem bem se é 50 ou se é 30.

"Não sou muito favorável às proibições, por princípio, prefiro utilizar políticas públicas mais de persuasão, mas não sou uma grande fã de trotinetes"

E tem uma posição sobre o uso de trotinetes? Há cidades, por exemplo, Paris, onde já houve uma intervenção relativamente a esse meio de locomoção na cidade e baniram as trotinetas elétricas. É o objetivo que tem?
Vou dizer uma coisa que se calhar é politicamente incorreta, mas é assim, eu não sou muito favorável às proibições, por princípio, prefiro utilizar políticas públicas mais de persuasão, mas eu não gosto efetivamente das trotinetes, não sou uma grande fã de trotinetes. As trotinetes atiradas nos passeios são uma armadilha para as pessoas com deficiência, designadamente os invisuais, os acidentes com trotinetes são muitas vezes gravíssimos. Não querendo proibir, não incentivaria a sua utilização, por exemplo, tornando-as gratuitas, como fez agora o presidente da Câmara de Lisboa. Mas, por exemplo, já gostava de dizer uma coisa sobre bicicletas, porque o projeto Gira, das bicicletas, que é dito que chega às 24 freguesias, mas é curioso, se quiser ver no mapa aqui em Marvila não há nenhumas bicicletas Gira. Em grande parte, só há na zona junto ao Rio, porque em Marvila se decidiu não pôr bicicletas por razões que têm a ver com bairros municipais, etc. Aí eu sou muito a favor da expansão do projeto Gira.

Estamos precisamente a chegar a Marvila que foi a única freguesia da cidade de Lisboa que foi tomada pelo Chega, nas últimas legislativas. O PS vive numa espécie de stress de que estas autárquicas possam repetir aquilo que se passou nas legislativas, em relação ao Chega?
Não vou falar pelo PS, mas acho que o que nos deve preocupar são os motivos pelos quais numa freguesia como Marvila as pessoas sentiram que precisavam de fazer um voto que, em muitos casos, é gerado por um certo sentimento de ressentimento e de abandono. As pessoas sentem que os poderes públicos não fazem nada por si, que estão relativamente abandonadas, que não há intervenções de requalificação nos bairros onde moram. Tudo isto faz com que as pessoas fiquem ressentidas e revoltadas e, portanto, atiram o seu voto, ou optam no seu voto, por um tipo de discurso que vai ao encontro desse seu ressentimento e desse seu sentimento de abandono. E este sentimento, esta sensação que estas pessoas têm, isso sim preocupa-me muito enquanto política, enquanto social-democrata e enquanto candidata à Câmara Municipal de Lisboa. E é por isso que uma das coisas que temos no programa também é um grande programa de requalificação dos bairros municipais, na perspetiva das pessoas se sentirem acompanhadas e não precisarem de votar naquilo que é praticamente um voto de protesto, por estas razões e outras mais.

Aqui em Marvila, o PS tem um irritante, com a questão do presidente da junta de freguesia, que foi condenado a perda de mandato. O Tribunal da Relação veio anular a condenação, mas o caso ainda não transitou em julgado. Manter alguém nestas condições e sobretudo em Marvila, e com esse discurso populista do Chega que assinala, não acaba por também alimentar esse mesmo discurso?
Se a condenação se tivesse mantido, pois naturalmente não seria candidato, por todas as razões. O que nós entendemos foi que se há uma anulação judicial de uma condenação, não há uma limitação. E acho que também é populista ceder a esse tipo de populismos. Outra coisa seria como foi em situações de pessoas que estiveram e estão com situações de acusação e aí tomámos até posições bem mais rigorosas do que outras forças políticas.

"As estatísticas não apontam para um aumento da criminalidade em Lisboa, mas se as pessoas têm uma perceção de insegurança, então temos de devolver-lhes aa sensação de segurança"

Chegou a criticar a valorização da perceção de insegurança, quando houve aquela situação na Rua do Benformoso e aquela conferência de imprensa do primeiro-ministro. Hoje já diz que é importante dar resposta a essa mesma perceção. Não está também a fazer essa cedência ao populismo?
São duas coisas diferentes e a minha crítica forte — e que mantenho — é aos políticos que misturam duas coisas diferentes. De um lado temos a situação dos dados, hoje em dia infelizmente, por todo o mundo e um pouco em Portugal, o discurso político é anti-ciência, é anti-estatísticas. Temos encontrado isso em todo o lado, muito na administração americana. Eu gosto de trabalhar com base em factos e o que as estatísticas nos dizem, e eu mantenho e tenho dito sempre, é que as estatísticas não apontam para um aumento da criminalidade em Lisboa, pelo contrário. No início de agosto estive reunida com a primeira divisão da PSP, que é exatamente em Santa Maria Maior e abrange Santa Maria Maior, Arroios, Misericórdia e Santo António, portanto uma zona fundamental da cidade, e os dados todos que foram facultados, que são públicos, são dados estatísticos, são de uma redução da criminalidade, incluindo e sobretudo a criminalidade mais violenta. Isto é um dos factos. Outro facto é existir, na maior parte das pessoas, uma perceção de insegurança para a qual muito contribui algum poder político, que os serve do ponto de vista político, mas que cria uma situação de insegurança que é má para as pessoas. Dito isto, se as pessoas têm uma perceção de insegurança, então nós temos de devolver-lhes essa sensação de segurança.

Se não existe um problema porque vai gastar recursos públicos com isso?
Se reparar, as medidas que eu muitas vezes refiro para repor essa sensação de segurança são medidas que têm muito mais a ver com a qualidade do espaço público do que estritamente com medidas securitárias. A que eu mais tenho repetido é a iluminação pública. Por exemplo, aqui há dois dias foi a apresentação do candidato de Alvalade no Jardim Mário Soares, que fica também ali no Campo Grande, estivemos lá até cerca das oito e um quarto da noite, tivemos que ligar a luz de uma bicicleta para poder conversar. Não havia luz nenhuma. Ou seja, a iluminação pública é um fator de sensação de insegurança? É. E é gastar dinheiro para acabar com a sensação de insegurança? É. Mas também é gastar dinheiro para ter melhor qualidade do espaço público.

Está a dar razão, a caucionar esse discurso…
Não, estou-lhes a tirar a razão, estou a criticá-los. Mas há um outro fator que põe em causa a segurança, que é o aumento dos consumos. Curiosamente, nós vemos Carlos Moedas, Montenegro, o Chega, falarem de insegurança mas não falam, por exemplo, do aumento dos consumos. Portanto, nós estamos a apontar as baterias relativamente às questões da insegurança para o sítio errado.

Há algum receio de ficar para trás em algo em que toda a gente fala?
Não, é colocar a questão nos termos em que ela existe. Não há um aumento da criminalidade, há um aumento induzido da perceção de insegurança e temos que combater essa perceção, como temos que combater outras perceções, como mais iluminação, melhor tratamento dos espaços públicos, atalhar as questões dos consumos. Eu era uma jovem na década de 90, porque eu nasci em 73, e era raro em Lisboa e em Portugal, a família que na década de 90 não tinha alguém com uma toxicodependência séria. Depois, durante os anos 2000, com muitas medidas isso deixou de ser um papão, hoje voltou a ser.

Há um alinhamento com Moedas sobre a necessidade de reforçar o contingente e não tanto de lhes reforçar as competências que têm. Porque é que é preciso reforçar o contingente se não há esse problema de segurança?
O que critiquei em Carlos Moedas foi ter dado uma ordem ilegal à Polícia Municipal, não sou eu que digo, é o Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, são os próprios serviços do Ministério da Administração Interna. Mesmo que Carlos Moedas esteja totalmente convencido que a Polícia Municipal devia ter aquelas funções, não tem. E em última análise quem sai prejudicado por aquilo são os próprios agentes da Polícia Municipal, porque neste momento está a haver um processo de averiguações da Inspeção Geral da Administração Interna e já vieram sindicatos das forças policiais criticar e defender os seus colegas, agentes, que foram obrigados, através de uma ordem, a praticar atos que são ilegais. Não fui eu, Rui Moreira já lhe chamou xerifização, a assunção de uma função de xerife, digamos assim, mas este é um caminho, uma linha.

"Moedas está sempre a queixar-se, é uma pessoa que se queixa muito, queixa-se da falta de meios para isto, queixa-se da falta de capacidade para aquilo, todas as circunstâncias são sempre responsabilidade de outros"

A sua linha não é essa, mas ainda assim é de reforço do contingente.
Porque o contingente está num número mínimo de há muitos anos para cá, é o número mais baixo pelo menos desde 2016.

Então afinal não se resolve apenas com mais iluminação. Também é preciso mais polícia. 
Mas é que a Polícia Municipal é uma polícia de funções administrativas.

E deve continuar assim, na sua opinião?
Isso aí temos que ver os limites constitucionais, porque aquilo que a Procuradoria disse é que não era só a lei que estava a ser violada, seria a própria Constituição. Mas mesmo para as suas funções de polícia administrativa — e também temos que ser rigorosos — já hoje a Polícia Municipal pode deter em flagrante delito. E essas funções de polícia administrativa, que são da polícia municipal e que aliviam outras polícias de fazerem isso, exigem que não se tenha de facto um contingente em mínimos. Até que ponto é que não é contraditório termos alguém que se preocupe tanto com a segurança e tem iluminação péssima na cidade, como é público dever, polícia municipal, com 412 agentes, quando já teve cerca de 600, o espaço público muito descuidado?

A Polícia Municipal deve ter poderes de fiscalização sobre apartamentos sobrelotados? 
Devem ter tudo aquilo que implica violação de regulamentos e posturas municipais, regras municipais, por exemplo, do número de pessoas que podem estar numa habitação, de se numa loja onde não é para dormir há gente a dormir, devem poder fiscalizar isso, sim.

E dentro do quadro que hoje existe, consegue-se fazer isso, ou é preciso fazer uma alteração para conseguir que a Polícia Municipal faça essa fiscalização?
A Polícia Municipal tem que fazer essa fiscalização, deve fazê-la de forma rigorosa e eficiente, para isso se precisar de mais agentes municipais deve tê-los, e isso cabe nas suas competências.

O que defende que se faça perante estas situações de excesso de pessoas num apartamento?
Em primeira linha cumprir a lei. Se ali não pode estar a habitar mais do que x pessoas, ou se só pode haver um comércio e não pode haver lugar para habitação, essas pessoas não podem estar ali. O que é preciso depois fazer é, tirando-os daí, dar-lhes um rumo, naturalmente, com humanismo, com solidariedade, mas dar-lhes um rumo. E esse rumo é aquele também que a lei ditar, eventualmente um alojamento de urgência e se forem cidadãos indocumentados, se forem cidadãos ilegais, aplicar a lei. Nós temos que ter uma situação em que se cumpre a lei, às vezes critica-se muito a lei, e na verdade o que está a falhar é o cumprimento da lei, e isso é uma coisa que acontece muito em Portugal, muitas vezes. Aquilo que eu ouço sistematicamente é o atual presidente da Câmara de Lisboa queixar-se que não consegue fazer nada, não é? Está sempre a queixar-se, é uma pessoa que se queixa muito, queixa-se da falta de meios para isto, queixa-se da falta de capacidade para aquilo, todas as circunstâncias são sempre responsabilidade de outros. Eu acho que nos devemos queixar menos e fazer mais, olhar para o que temos, eventualmente reforçar a Polícia Municipal para estas competências, e dentro das competências que tem, exercê-las, e é isso que nós não temos visto.

Mesquita na Mouraria? "Não tem de ser necessariamente ali" e "não estamos a falar de uma prioridade pública"

Quase que se podia fazer um carpool apenas aqui na Almirante Reis, tal a quantidade de temas que a cruzam. Temas muito importantes e urgentes na gestão da Câmara, começo por um não tão emergente mas que marcou muito a última campanha e que motivou alterações logo que Carlos Moedas tomou posse. Qual é a sua intenção relativamente à ciclovia?
Na campanha de 21, Carlos Moedas ter-se-á até comprometido a retirá-la, não o fez. Fez algumas alterações, por exemplo uma delas tirar os pinos da ciclovia para as viaturas de emergência.

Então Carlos Moedas fez bem.
Em tirar os pinos fez muito bem. Mas também fez muito bem em não cumprir a promessa de retirar a ciclovia.

Esta é uma das zonas da cidade com maior multiculturalidade. Há aqui um projeto para a construção de uma mesquita no Martim Moniz, que vem do tempo de António Costa e o PS já a defendeu até neste último mandato, para a Praça da Mouraria, o atual executivo camarário tem tido reservas. Concorda com a necessidade desta construção?
O que agora foi aprovado com os votos do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Lisboa foi a necessidade de fazer o projeto de requalificação do Martim Moniz, que é ali abrir a praça para aquela zona, a rua do Benformoso, e a construção de uma mesquita na zona, mas não necessariamente no sítio onde estava originalmente. Tanto quanto sei, não foi de fazer ali, foi de fazer ouvidas as comunidades, etc, etc. Agora, a intervenção do Martim Moniz para o alargamento da praça e a abertura da rua do Benformoso, sim, isso penso que é uma intervenção importante.

Com a construção da mesquita?
Como digo, nos termos em que foi falado, na zona, mas não necessariamente ali. Numa zona ampla e ouvidas todas as comunidades. Acho que é uma coisa que nós temos que ouvir todas as comunidades, não estamos a falar de uma obra que seja prioritária e nem de financiamento público, estamos a falar, eventualmente, da possibilidade de a licenciar, portanto, não estamos a falar de uma prioridade pública.

Ao construir aqui uma mesquita não está a contribuir para a guetização dessas comunidades que já estão muito nesta zona e não se cria aqui também uma falta de harmonia social?
Da minha parte, ouvirá sempre defender soluções de inclusão e de mistura, no sentido em que as pessoas não têm que viver todas em função da cultura, da etnia ou do dinheiro que têm, seja num sítio ou noutro. Por isso é que eu sou a favor, rapidamente, de se tirar da gaveta o projeto de renda acessível do Restelo, por exemplo, porque no Restelo também pode haver renda acessível, é por trás da minha casa, mesmo ao lado da minha casa. E ali também deve haver renda acessível, não temos de ter freguesias onde há muitas rendas acessíveis e outras onde não há nenhuma.

Esta zona tem sido, até no último ano, de algumas tensões, por exemplo, houve aquela situação na Rua do Bem Formoso, com a polémica operação policial e depois disso uma manifestação antipolícia em que participou…
Está a afirmar que é antipolícia ou é só para se meter comigo?

Um partido do arco da governação deve dar um sinal por mínimo que seja, nesse sentido?
Já foi feito um polígrafo sobre a afirmação de Carlos Moedas de que houve uma manifestação antipolícia. A manifestação foi participadíssima por pessoas muito diferentes entre si, pessoas moderadíssimas, pessoas das mais diversas áreas, políticas, associativas, e as minhas declarações foram sempre no sentido de diversidade, integração, inclusão e rejeitar a manipulação da polícia por razões políticas. É preciso lembrar que tinha acontecido há pouco tempo aquela intervenção do primeiro-ministro a propósito da segurança, e já agora também era preciso dizer-se, e tenho visto isso pouco dito, que a Provedoria de Justiça veio dizer que de facto havia alguma coisa a apontar a essa operação, já depois da senhora Provedora de Justiça ser ministra da Administração Interna, curiosamente. Mas esse não foi o foco da manifestação.

A questão é se termos hierarquia institucional, não se espera um pouco mais de alguém do PS, na medida em que é um partido que volta e meia gere a Administração Interna?
Claro, com certeza, e sempre o geriu sem perda de rigor, e sem pôr em causa a autoridade policial que é necessária. Estamos quase a passar na primeira divisão onde eu estive reunida, é um bocadinho ali mais à frente, e é exatamente também para a proteção dos agentes policiais que é preciso que sejam claríssimas esse tipo de intervenções. Mas voltando à manifestação, porque uma mentira dita muitas vezes não se pode tornar verdade, os propósitos dela, nem nos termos daquilo que constou dos seus promotores, nem concretamente dos meus propósitos, quando lá estive e que vocalizei publicamente, não foi contra uma ação policial, foi pela integração, pela inclusão. E tudo o que veio a acontecer a seguir demonstra que temos que pôr mais enfoque nessa ideia de inclusão, cumprindo a lei relativamente à entrada legal em território nacional, que isso é fundamental. As pessoas têm de entrar legalmente em território nacional.

"A linha deve ser deixar governar e os orçamentos são fundamentais para isso, mas não é deixar governar a todo custo e sem fazer alterações e sem fazer sugestões"

É mais difícil para o PS fazer esse equilíbrio no discurso entre a defesa da imigração e depois responder às populações que têm receios?
Vivemos tempos de populismo e tempos em que ser equilibrado e moderado, não apontando culpados a eito, mas tratando as questões complexas com o cuidado que elas devem ter, é muito impopular. Hoje o que é popular é dizer “a culpa é daquele” e atribuir culpas coletivas, mas esse é um caminho fácil que não será aquele que vamos seguir. Agora naturalmente que é preciso ser rigoroso, quem está em território nacional legalmente deve ter direitos, deve ser incluído, mas cumprindo naturalmente as regras.

Já se mostrou contra a utilização do termo “aculturação” de imigrantes. Houve um líder do PS, Pedro Nuno Santos, que tinha feito declarações nesse sentido, que foram polémicas na altura, até se considerou que o PS tinha ali mudado a bitola na imigração. O que é certo é que o PS desde então tem dado algum foco maior aos temas da insegurança, aos temas da imigração. Há este receio de ser esmagado pelo Chega eleitoralmente?
Eu tenho sido muito clara e continuarei a ser, e por isso até já tenho sido muito criticada à direita ao estabelecer a diferença entre o que os factos nos apontam e a perceção que existe. Inclusive ao assacar algumas responsabilidades a alguns agentes políticos relativamente à criação e à contribuição para essa sensação, essa perceção. O que eu tenho dito também, e sempre disse, é que se as pessoas têm essa sensação nós temos que contribuir, ou trabalhar, para reduzir essa sensação, e daí vêm as questões da iluminação, dos consumos, da qualidade do espaço público, etc. Quanto à sua pergunta, o PS, na legislatura entre 24 e 25, apresentou um projeto de lei para alterar as regras relativas à entrada e permanência de estrangeiros no território nacional, na sequência do fim da chamada manifestação de interesses. Isso acabou por não ser discutido na Assembleia da República, porque caiu o governo anterior e depois, agora, quando o Partido Socialista quis contribuir para esta nova lei, o Governo quis negociar com outro partido, quis trabalhar este assunto com o Chega e não com o PS. Mas o PS tinha apresentado esse projeto de lei nesse sentido, exatamente, de criar outras condições. Portanto, é uma matéria relativamente à qual o PS tem pensamento.

Mas a minha questão é se o Partido Socialista teme ser penalizado eleitoralmente por ter sido claro sobre o tema mais tarde?
Creio que as pessoas distinguem bem entre eleições legislativas e eleições locais. E que nas eleições locais joga-se essencialmente uma coisa a qualidade de vida na cidade.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Portanto, espera não ser prejudicada pelas decisões de António Costa sobre a imigração? 
Não me vou pronunciar sobre as decisões de António Costa sobre a imigração, também acho que é algo que é muitas vezes repetido e, em alguns momentos, exagerado. Mas focando-me no que interessa que é a Câmara de Lisboa, as eleições locais são eleições em que as pessoas querem quem lhes garantam qualidade de vida na cidade, espaços públicos cuidados, higiene urbana. Lisboa tornou-se uma cidade suja, quer do ponto de vista de haver lixo no chão, quer estar suja mesmo, cheirar mal em muitos sítios. E nesse aspeto eu acho que no fim do dia as pessoas terão de fazer o julgamento do mandato que agora acaba, e tenho a certeza que esse julgamento é mau.

Se o PS não tiver maioria na Câmara de Lisboa nestas eleições, espera que a coligação Novos Tempos lhe dê reciprocidade e aprove os orçamentos como o PS fez?
Julgo que quando se está na oposição, e foi isso que o PS fez estes quatro anos, deve-se deixar governar quem ganhou, ainda que não tenha ganho maioritariamente, e foi isso que o PS fez com os quatro orçamentos, com os planos de atividades, com as questões maiores.

A linha deve ser deixar governar?
A linha deve ser deixar governar e os orçamentos são fundamentais para isso, mas não é deixar governar a todo custo e sem fazer alterações e sem fazer sugestões e sem em alguns momentos impor ou votar de outra maneira. Acho graça que o que tem sido dito é que Carlos Moedas tem dito muitas vezes que o PS foi uma força de bloqueio na Câmara Municipal de Lisboa, e isto apesar de ter viabilizado os orçamentos, os planos de atividades, até um empréstimo que foi contraído. Mas depois diz que o PCP é muito institucional e gosta muito do PCP que critica o PS por ter viabilizado os orçamentos. Portanto há aqui uma grande confusão na cabeça de algumas pessoas. Aquilo que eu considero é que quando não se tem maioria tem que se negociar para governar, e é isso que eu farei se for essa a circunstância.

Mas espera reciprocidade?
Espero que haja reciprocidade, por isso eu digo, sem prejuízo, da capacidade que também quem é eleito com minoria deve ter de negociar.

Se isso voltar a existir uma grande divisão de poder na CML, PS admite fazer parte da solução e, por exemplo, colaborar com uma governação da direita para pôr o Chega de fora e não o deixar ter influência junto do poder?
O PS é um partido responsável, viabilizou quatro orçamentos e, portanto, manterá essa responsabilidade na Câmara de Lisboa, como imagino eu em outras câmaras. Manterá essa responsabilidade, o que não é dizer que sim a tudo, naturalmente, não pode ser, mas da mesma maneira que não bloqueou nada nos últimos quatro anos, também não o faria nos próximos quatro, se porventura não formos ganhadores.

E nesse cenário, no cenário B, ficaria na Câmara?
Sim. Vou ficar vereadora na oposição, se for essa a vontade dos lisboetas. Naturalmente, espero e creio que não.

Tentou uma coligação alargada de esquerda para estas eleições, acabou por ter o PAN, o Livre e o Bloco de Esquerda consigo, o PCP não entrou. O que é que falhou aqui?Foi falta de vontade do PCP?
Não vou comentar conversas que houve, que não foram do foro público e portanto é para assim permanecerem. Como sabe, a candidatura da CDU foi logo lançada muito cedo e, de facto, não quiseram integrar, não tenho muito mais a dizer.

Acha que o PCP vai arrepender-se?
Não sei se o PCP vai arrepender-se, há uma coisa que eu sei: nestas eleições autárquicas em Lisboa só há duas pessoas que podem ser presidentes da Câmara de Lisboa, ou eu própria, Alexandra Leitão, à frente dessa coligação que é progressista, humanista e ecologista, ou Carlos Moedas. Só há estas duas possibilidades. Quem quiser uma mudança na cidade, quem achar que a cidade está descuidada e degradada, só tem que votar na outra pessoa que tem condições eleitorais para ser presidente da Câmara. Naturalmente estou a falar em termos eleitorais, só há mesmo duas pessoas com possibilidade de ser presidente da Câmara e isso é que eu acho que é importante as pessoas pensarem bem, se querem a manutenção da situação atual ou se querem mudança.

Houve aqui, estamos aqui a chegar ao jardim da Praça de Espanha, o nosso ponto final, foi uma zona de intervenção ainda de Fernando Medina, mesmo ao cair do pano no final do mandato. É uma zona que aponta por más razões, é isso?
Este é um jardim lindíssimo, um jardim que tem uma integração até com o resto da cidade, com uma via de água subterrânea e tudo isso, já o visitei, até tive o privilégio de visitar com o arquiteto, o paisagista que o planeou, que veio dar aqui um outro pulmão, e até esteticamente, à Praça de Espanha, e que tinha duas ou três coisas que ficaram paradas depois, que não foram feitas e que não foi dada sequência pela atual Câmara Municipal. Uma era o passadiço aéreo que ligaria à Gulbenkian, permitindo fazer todo o trajeto verde, por mobilidade pedonal e verde, e a própria concessão dos quiosques. Este jardim tem dois quiosques, um maior no centro e um menor junto ao Teatro da Comuna, e estão fechados. Durante quatro anos, ainda estão fechados. E, portanto, uma coisa que podia ser segurança no espaço público, uma coisa que podia ter ali pessoas a tomar um café ou uma água, ou que fosse ao fim do dia, com crianças a brincar à volta, como está fechado, acaba até por se encontrar ali outras coisas, mais uma vez também associadas aos consumos.

Há outras praças que foram requalificados neste último mandato, como Sete Rios no Alto de São João. 
A maior parte das situações que nós encontramos nos espaços verdes, nos parques da cidade, é de abandono. Posso lhe dar três ou quatro exemplos que, mais uma vez, não fui eu quem inventei.

Mas aqui houve uma atitude de não querer valorizar uma obra que era do PS?
Não, não, acho que é descuido. Não sei, não faço juízos de intenções, mas não me surpreenderia que fosse apenas o descuido e a degradação. Nós temos o Jardim da Estrela, num estado como nunca esteve, temos o Jardim do Príncipe Real, estes dois foram objeto de artigos de jornal por duas pessoas muito conhecidas da nossa sociedade. É um estado constante de situações de degradação dos nossos parques públicos, uma marca de governação, uma má marca de governação. Aqui é uma grande pena, porque, na verdade, eu quando aqui visitei o Jardim Ribeiro Teles, até já se começam a ver seringas no chão. E é um sítio lindíssimo, muito bem planeado. Cá está o quiosque fechado, pode facilmente ver-se e é, de facto, uma pena que assim seja.

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