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Nuno Piteira Lopes no Carpool do Observador
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▲Nuno Piteira Lopes no Carpool do Observador

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Nuno Piteira Lopes no Carpool do Observador

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Carpool com Piteira Lopes. "Candidatos ChatGPT? Isto não se aprende num dia"

Em entrevista, Nuno Piteira Lopes, candidato da coligação PSD/CDS a Cascais, critica falta de preparação de alguns dos seus adversários, fala sobre os temas mais polémicos e pisca olho aos mais jovens

Não era suposto que a sucessão de Carlos Carreiras passasse por ele. Miguel Pinto Luz, antigo vice da Câmara de Cascais, era o herdeiro óbvio. Mas as coisas mudaram rapidamente, Pinto Luz foi para o Governo de Luís Montenegro, e Nuno Piteira Lopes, há 20 anos a trabalhar na autarquia, vê-se agora com a difícil tarefa de segurar o bastião social-democrata. Nada que o atemorize: não só garante que vai ganhar as eleições, como se diz convicto de que será possível manter a maioria absoluta.

Esta é mais uma das várias entrevistas em formato Carpool que o Observador está a fazer nas eleições autárquicas de 2025. Piteira Lopes chega à hora certa ao ponto de encontro marcado para esta entrevista sobre rodas — são 10 da manhã e não falta gente a fazer praia na Baía de Cascais, mesmo em frente ao edifício da Câmara. Será mais de uma hora de viagem pelos pontos que mais têm dado que falar nesta ainda pré-campanha eleitoral. E, apesar de resistir em concretizar o alvo, é demasiado evidente que há um adversário que o tem irritado de sobremaneira: João Maria Jonet. Chega a deixar-lhe um conselho disfarçado de ataque — ou um ataque disfarçado de conselho. Não vale a pena ir ao ChatGPT; há coisas que não se aprendem num mês.

Quanto ao futuro da vila, promete assegurar um contrato geracional para garantir que os mais jovens têm condições de viver num concelho particularmente pressionado pela especulação imobiliária. Defende-se nos dois dossiês mais polémicos — a construção de uma unidade do Hilton e o mega empreendimento da Quinta dos Ingleses — garantindo que a autarquia tudo fez para salvaguardar os interesses dos cascalenses.

E não foge ao facto de a Câmara de Cascais, ainda liderada por Carlos Carreiras, ter sido alvo de duas buscas judiciais no últimos ano e meio. Tem, aliás, uma proposta nesse sentido: vai propor ao primeiro-ministro que crie uma unidade especializada (com elementos da PJ, Tribunal de Contas, Inspeção Geral de Finanças) para trabalhar em contínuo com a autarquia. “Para que possam todos os dias e quando entenderem fazer o acompanhamento presencial”.

“Na política, não há herdeiros naturais”

É inevitável começamos por aqui. Escolheu como ponto de partida da nossa viagem a Câmara Municipal de Cascais. Não é segredo para ninguém que o candidato natural seria Miguel Pinto Luz, que entretanto foi para o Governo. Sente-se, de alguma forma, uma segunda escolha?
Nada disso. Aliás, a escolha é uma escolha natural do próprio partido. Trabalho há 20 anos na Câmara de Cascais. Trabalhei com o Miguel Pinto Luz, trabalhei com Carlos Carreiras, trabalhei com António Capucho. Há 20 anos que eu trabalho em Cascais. Escolha é o reflexo do trabalho, resiliência e empenho que eu dediquei.

Mas não ignora que Miguel Pinto Luz era frequentemente apontado como o herdeiro natural.
Certo. Mas na política não há herdeiros naturais, nem príncipes predestinados. As coisas acontecem naturalmente e muito rapidamente.

Há muito quem aponte Cascais como um exemplo errado de sucessão dinástica, escolhas feitas sempre em circuito fechado. Não lhe pergunto se concorda com essa avaliação, naturalmente. A questão é outra: o que fará de diferente em relação a Carlos Carreiras?
Não há sucessões dinásticas em Cascais. O partido tem órgãos próprios e faz as suas escolhas. Aliás, é pena que alguns militantes do partido, que agora estão disponíveis para ser candidatos por Cascais, não tenham nunca aparecido numa reunião. Provavelmente estavam mais focados para os lados da [Junta de Freguesia] da Estrela.

Está-se a referir a João Maria Jonet.
Nunca participou na vida do PSD em Cascais. Por isso, não podia sequer ser ponderado na escolha do candidato a Cascais.

Mas em que medida é que vai ser diferente de Carlos Carreiras?
Tenho muito orgulho em ter feito parte dos executivos de António Capucho e de Carlos Carreiras, O caminho da coligação Viva Cascais não me envergonha em nada. Mas eu não sou o Carlos Carreiras; eu sou o Nuno Piteira Lopes e irei apresentar o meu contrato geracional para os próximos 12 anos. Irei dar a toda uma geração de jovens um sítio para viver e implementar o seu projeto de sociedade.

Acha que pode ter maioria absoluta?
É uma questão que não me preocupa. O objetivo é ganhar as eleições e ganha quem tiver mais um voto do que o adversário.

Não ter maioria absoluta não seria um drama.
Sou democrata e temos que aceitar aquilo que são os resultados das eleições. O povo é sábio e o povo saberá interpretar aquilo que cada um dos candidatos irá apresentar.

E se precisar de um parceiro de governação escolherá o PS ou o Chega?
Estou muito confiante de que a coligação Viva Cascais irá assegurar a maioria absoluta. Vai ser uma batalha difícil, mas acredito que é possível manter a maioria.

Não tem um parceiro preferencial?
Vai depender muito. Do número de vereadores que cada um dos partidos elegeram. O mais importante é a qualidade dos eleitos.

"Ao contrário dessas pessoas [os adversários que o criticam], isto não se aprende num dia. E mais: o ChatGPT não consegue criar esses momentos. A minha vida de 20 anos em Cascais é junto das pessoas e a trabalhar com as pessoas"

“Reconheço que a Quinta dos Ingleses possa chocar”

Estamos a passar aqui junto ao mar. Este é o cartão de visita da vila. Uma das críticas recorrentes à gestão política do concelho é a enorme desigualdade que existe nesta zona e no interior. Isso é o legado negativo da governação social-democrata em Cascais?
Não.

Mas reconhece que existe essa desigualdade?
Reconheço, obviamente. Mas se compararmos aquilo que era a freguesia de São Domingos de Rana em 2001, aquilo que era a freguesia de Alcabideche, face àquilo que são hoje… Não tem comparação possível. Já não têm nada a ver com o que eram antigamente.

O PSD já governa o concelho há um tempo considerável. E essas desigualdades continuam a existir.
As diferenças continuam a existir. Mas são cada vez menos. Não conseguimos recuperar tudo aquilo que não foi feito nas últimas décadas em quatro, oito anos. É humanamente impossível. Mas Alcabideche e São Domingos de Rana estão hoje muitíssimo melhores.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Estamos a chegar a dois empreendimentos que têm dado muito que falar. A construção de uma cadeia hoteleira por parte e da tão antiga polémica em torno da Quinta dos Ingleses. Começando pelo primeiro exemplo, o primeiro caso, tal cadeia hoteleira esteve na origem de buscas na Câmara de Cascais. Se eventualmente for constituído arguido, admite colocar o cargo à disposição?
Claro que não. Aliás, o Hilton é um não assunto. Dizer que a Câmara vendeu um terreno com 800 metros quadrados para construir o Hotel Hilton é absolutamente falso. Por uma razão o terreno doeu tanto, como pode ver agora. O terreno do Hilton tem 15 mil metros quadrados. A Câmara vendeu 800 metros quadrados onde não é possível colocar um tijolo. Era um terreno que iria ficar encravado na marginal e aquilo que a Câmara fez foi, aquando do licenciamento do hotel, obrigar o promotor a comprar aquele terreno que não ia servir para nada. A avaliação feita pelo perito avaliador era de cerca de 87 mil euros. A avaliação, o valor patrimonial do terreno na caderneta, era de 320 mil. E a Câmara alienou o terreno pelo seu valor patrimonial. Não ficou minimamente prejudicada.

Deixe-me insistir: se eventualmente for constituído arguido, não coloca o cargo à disposição?
Ser constituído arguido é um procedimento normal em qualquer processo de investigação. Estas investigações partem normalmente de denúncias anónimas. Quando for eleito presidente de Câmara vou propor ao senhor primeiro-ministro que possam existir dentro das Câmaras Municipais equipas especializadas com a PJ, Tribunal de Contas, Inspeção Geral de Finanças e todos aqueles que têm intervenção neste tipo de investigação para que possam todos os dias e quando entenderem fazer o acompanhamento presencial. Porque não é ao fim de quatro anos que se vai fazer uma busca. Se efetivamente existe suspeita, se existe irregularidade, ele deve ser combatida na hora. Era um contributo muito grande que podíamos dar à transparência e a todos estes processos e a todas essas suspeitas que de quatro em quatro anos se levantam.

Temos à nossa esquerda a tão famosa Quinta dos Ingleses. Não temos tempo para passar em revista todos os detalhes do processo. A pergunta é mais simples: concorda com a utilidade deste empreendimento? Acha que é isto que faz falta?
Estamos a falar de um projeto em terrenos exclusivamente privados e que obtiveram os seus direitos de construção na década de 70. Todos os presidentes de Câmara anteriores empurraram com a barriga o processo. Se eu tivesse uma folha em branco, certamente que faria diferente daquilo, mas devo recordar que, no final da década de 90, aquilo que estava previsto pelo presidente José Luís Judas eram cerca de 2.500 fogos. Depois, no período do António Capucho, foi possível reduzir, em com o promotor, para cerca de 2.100 fogos. E aquilo que eu licenciei foram 885 fogos, a recuperação de toda a ribeira, a construção de um parque verde urbano com 11 hectares que vai ficar disponível e aberto para a população, estacionamentos junto à praia de Carcavelos que vão ficar entregues ao município. No final do dia, quando o projeto estiver concluído, ficaremos com espaços públicos abertos para a população e não o terreno totalmente privado como é hoje, com a ribeira recuperada, com estacionamentos de apoio e acesso à praia. Foi a solução possível de acordo com as condicionantes todas que existiam.

Mas reconhece que, numa altura de grande carência de habitação a custos controlados, um empreendimento destes possa chocar.
Reconheço.

"Estou muito confiante de que a coligação Viva Cascais irá assegurar a maioria absoluta. Vai ser uma batalha difícil, mas acredito que é possível manter a maioria"

“Os candidatos, na sua generalidade, não estão preparados”

Muitas vezes ouvimos notícias e relatos sobre distúrbios, por exemplo, na zona de Carcavelos. Existe aqui um barril de pólvora?
Não. Há situações pontuais que, hoje em dia, com as redes sociais, a exponenciar tudo o que tem a ver com o extremismo, tudo o que tem a ver com populismo. Por exemplo, uma coisa que era feita e que deixou de ser feita: antigamente, nos períodos não letivos, a PSP acompanhava muitas vezes grupos de jovens que vinham de outros locais da Área Metropolitana de Lisboa, que utilizavam transportes públicos ou utilizam o caminho de ferro para chegar até aqui à praia de Carcavelos. Esse acompanhamento deixou de ser feito e tem que urgentemente voltar a ser feito. Nós não podemos controlar estes fenómenos apenas no seu destino. Devemos acompanhar estes fenómenos desde a sua origem até ao seu destino. A partir de setembro deste ano, quando o sistema de monitorização e videovigilância que está a ser implementado pela Câmara — são cerca de 444 câmaras distribuídas ao longo de todo o concelho, nos pontos que foram identificados pela PSP e pela GNR — vai ser possível haver uma monitorização e um acompanhamento de todo este tipo de situações.

Estamos a chegar à zona de Sassoeiros. Foi um dos locais que escolhe para esta entrevista com um exemplo de construção a custos controlados. Já estamos relativamente longe da zona nobre do concelho. É inevitável que a classe média e classe média baixa se desloque do centro da vila, com maior pressão imobiliária, para estas zonas mais exteriores?
É uma tendência não apenas de Cascais. Há uma tendência em toda a área metropolitana de Lisboa, do Porto, em Portugal, na Europa… Mas, nós não ficámos à espera que houvesse uma crise para começar a trabalhar. A partir de 2022 começámos a adquirir terrenos, a lançar projetos, a preparar o financiamento desses projetos, independentemente de sabermos se iríamos ou não a ter acesso a fundos do PRR, a fazer os concursos públicos e hoje temos cerca de 500 fogos já a ser feitos em vários sítios. Não estamos a dizer que vamos construir, nem temos s um power point a dizer que vamos fazer; eles estão a ser feitos no terreno.

Tem algum número mágico em matéria de construção habitacional e de número de fogos?
São os 3600 fogos que estão neste momento aprovados como projetos feitos, com o concurso a decorrer e que serão construídos nos próximos dois anos.

Vamos prosseguir a nossa viagem, vamos para o Aeródromo de Tires. Qual é o seu projeto?
O Aeródromo de Cascais é um ativo estratégico do nosso concelho. Aquilo que posso garantir é que não vai existir um centímetro de aumento da pista. Vai ter o tamanho que tem. Esta tem também que tem e irá ficar com o mesmo tamanho. Os aeroportos vivem do ar, mas também muito do que se passa em terra. E a Câmara Municipal de Cascais tendo terrenos nas imediações entende que é possível investir juntamente com a Universidade Nova de Lisboa.

Há quem critique o facto de não se utilizar aqueles terrenos para construir mais habitação.
Mas vai ter habitação.

A crítica que se faz é que poderia haver mais.
Essas críticas muitas vezes pouco fundamentadas, de quem anda hoje ainda a conhecer Cascais. Mas eu tenho uma vantagem muito grande: ao contrário dessas pessoas, isto não se aprende num dia. E mais: o ChatGPT não consegue criar esses momentos. A minha vida de 20 anos em Cascais é junto das pessoas e a trabalhar com as pessoas.

Está a referir-se a João Maria Jonet?
Não é só João Maria Jonet. Os candidatos, na sua generalidade, não estão preparados. Não conhecem Cascais e não conhecem as pessoas como eu conheço.

Incluindo o candidato do PS? É ele o seu maior adversário?
Não há adversários melhores ou piores. Quem vai decidir são os eleitores. O candidato do Partido Socialista. É uma pessoa que eu conheço há muitos anos. E é uma pessoa que conhece Cascais e, portanto, não é certamente a João Ruivo a quem me estava a referir.

Ter uma infraestrutura essencialmente vocacionada para os jatos privados não surge em contraciclo com tudo o que se vai debatendo sobre o bem-estar e o impacto ambiental deste tipo de transporte? É esse o caminho?
Não. Os aviões que aterram em Tires hoje são exatamente aqueles que vão continuar aterrar. Se não vai haver aumento de pista, como é que pode haver aumento de tráfego? Não bate a bota com a perdigota.

"De facto, tenho pena que os meus pais, quando me registaram, terem colocado “Piteira” só com um “t”. Tenho a certeza absoluta que se fosse “Piteira” com dois “tês” conseguiria angariar um nicho de votos de Cascais que provavelmente irão apoiar outras candidaturas. Mas a vida é assim"

“Não vou perder as eleições”

Teme que o Chega, pelo resultado que teve nas últimas legislativas, que possa fazer mossa na sua candidatura?
Temos que saber interpretar aquilo que hoje é a política nacional. Não podemos continuar a olhar para o lado e a fingir que nada se passa.

E não existe esse risco em Cascais?
O risco existe sempre. Mas aquilo que eu posso dizer aqui em Cascais elegeu um vereador, o José Rodrigues dos Santos, que é novamente candidato. Demonstrou seriedade, que é competente, que critica quando tem de criticar, que apoia quando tem que apoiar… Aliás, mais de 80% das propostas foram votadas a favor pelo Chega. Uma coisa é a política nacional, outra coisa é a local. E não há muito que nos possa dividir naquilo que é uma política autárquica. O próprio Partido Socialista, mais de 80% das propostas, vota ao lado do executivo.

Se perder as eleições ficará como vereador?
Não vou perder as eleições. Mas sempre assumi todas as minhas responsabilidades e nunca fugi.

Começou esta entrevista dizendo-nos que o seu objetivo é governar a vila por 12 anos. E depois? Tem ambições nacionais? Vê-se a fazer outra coisa?
Quando sair da Câmara Municipal de Cascais irei abrir o meu restaurante, onde irei ter a possibilidade de continuar a receber todas aquelas pessoas que se cruzaram comigo aqui em Cascais. Sei aquilo que faço e conheço as minhas capacidades. Aquilo que gosto mesmo é levantar-me todos os dias e saber que todos os dias vou resolver o problema de alguém que mora aqui no concelho de Cascais.

Estamos a chegar ao futuro centro de saúde…
Que será inaugurado também na primeira quinzena de Setembro.

E estamos já perto do final da nossa viagem. Falou no candidato ChatGPT. Está a referir-se exatamente a quem?
A ninguém em especial. Gostámos muito de pensar que o ChatGPT  e inteligência artificial ou que os livros e umas conversas assim com umas pessoas muito eruditas nos conseguem ensinar num mês aquilo que demora muitos anos a aprender.

A equipa que o acompanha representa uma grande renovação face ao elenco atual.
Senti a necessidade de ter comigo pessoas experientes, que conhecem o funcionamento da Câmara, que conheçam os dossiês, para que no dia 13 de outubro, no dia a seguir às eleições, não seja preciso continuar a estudar. Os projetos não podem parar.

Portanto, não há aqui nenhum dissabor em relação às pessoas que saem.
Não há. A nossa equipa é forte e coesa. Cada um sabe perfeitamente o que é que tem que fazer, o que é que pode fazer e mesmo até a nível dos próprios apoiantes do PSD e do CD. De facto, tenho pena que os meus pais, quando me registaram, terem colocado “Piteira” só com um “t”. Tenho a certeza absoluta que se fosse “Piteira” com dois “tês” conseguiria angariar um nicho de votos de Cascais que provavelmente irão apoiar outras candidaturas. Mas a vida é assim.

Última pergunta: qual é a sua maior especialidade na cozinha? Já que se vê a abrir o restaurante.
A minha especialidade é fazer pratos de caça. Tenho muitos amigos que caçam e que eu tenho muito prazer em juntá-los todos à mesa. Uma boa perdiz com cogumelos de couve lombarda.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

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