Carla e Joana, fundadoras deste projeto, rapidamente nos recebem, encaminhando-nos para a primeira casa. A conversa decorre naquilo que será a sala, com grandes janelas que em momento algum obstruem a vista para o exterior. O contacto com a natureza é constante, mesmo com uma parede pelo meio. Chegámos à CASAVADIA. Um projeto que começou na zona do Meco, com uma casa velha e abandonada. Um projeto que começou como um hobby, paralelo aos trabalhos que ambas tinham, mas que rapidamente ocupou mais espaço e é hoje a ocupação principal.
Tudo começou com zero pretensões. Carla trabalhava numa produtora e Joana é licenciada em Psicologia. Na altura, o conhecimento que tinham sobre alojamento era quase nulo, mas a vontade de começar levou a melhor. “Tínhamos zero noções de turismo e de como é que as coisas funcionavam e foi um bocadinho surpresa. Claro que acreditávamos que estávamos a pôr uma casa muito fofinha e que alguém iria achar piada e iria querer ir para ali, mas foi também surpresa quando começámos a perceber que havia, de facto, um mercado de pessoas que queriam mesmo ir para o meio da natureza, para uma casa com umas paredes tortas e com um charme de casa antiga, mas no meio da natureza. E de repente a casa teve muito sucesso, estava sempre cheia”.
No fundo, este acaba por ser um alojamento diferente da ideia que, por norma, associamos a este tipo de espaços. Funciona como uma espécie de troca entre os proprietários do terreno e Carla e Joana. O espaço não é delas, mas é como se fosse. Pelo menos no que diz respeito à sua exploração. “Isto é uma parceria. No fundo, nós exploramos o espaço – eles são os donos do espaço – e damos uma percentagem de toda a faturação dos alojamentos. Acho que é um acordo que funciona. Obviamente que a comunicação é essencial. Mas temos o apoio deles também para crescer”, esclarece Joana.
É possível encontrar a CASAVADIA nas plataformas de alojamento habituais ou no site próprio. E é também lá que podemos ler que ficar numa destas casas é mais do que desfrutar das praias ou do bom tempo do verão. Esta é uma experiência para se ter em qualquer altura do ano, com a promessa de que cada estação trará consigo uma magia diferente. “Existe mais para além de vir aqui em julho e agosto usufruir da praia. Eu adoro estar aqui no inverno. Tu tens um ritmo que é completamente diferente…às cinco da tarde já é de noite, mas vai-se acender a lareira, tens outra rotina que não tens no verão, tens pores do sol que não tens no verão porque os de inverno são mil vezes mais bonitos. Ou seja, usufruis de outras coisas”, explica Joana, acrescentando em seguida que, aqui, também se encontra uma paz capaz de nos retirar do stress da rotina diária. Sendo os hóspedes, na sua maioria, pessoas da cidade, Joana acredita que este é o espaço ideal para “essas pessoas. Que podem fazer as suas compras de supermercado e não precisam mais de sair daqui”. Ainda assim e, se porventura, a vontade for a de explorar as redondezas, o trabalho das duas também tem sido feito nesse sentido: de ligar o projeto à comunidade, dando a conhecer aos seus hóspedes opções de atividades e projetos que podem fazer fora do monte. “Eu acredito mesmo que, quando estás num negócio destes, tens mesmo que trabalhar com as outras pessoas e fazer acontecer. Aqui nesta zona tens muita observação de aves, por exemplo. E nós tentamos também trabalhar com pessoas que possam desenvolver esse tipo de atividades. Passeios a cavalo, aluguer de bicicletas elétricas, spa…para nós faz todo o sentido, aliás, faz muito mais sentido poder trabalhar com essas pessoas e todos beneficiarmos desta troca. Nós dizemos sempre que o nosso negócio é o alojamento. Para mim faz todo o sentido trabalhar com outras pessoas. E o nosso objetivo é esse, é sempre trabalhar com outras pessoas e estamos sempre muito disponíveis para ideias que as pessoas tenham e que queiram fazer”.
Com a certeza de que esta é a história que estão a escrever neste momento, Joana olha para o futuro de braços abertos para todas as possibilidades. Afinal, tudo começou fruto do acaso e é assim que pretendem continuar. “Sempre quisemos uma coisa que pudesse ir mudando. Gostamos de ir fazendo coisas diferentes. Mais do que a parte do alojamento, que gostamos muito, a parte que gostamos ainda mais é a de idealizar e restaurar casas. E dizemos muitas vezes, se tivéssemos, um dia, a possibilidade de só fazer aquilo que queremos, seria isso: comprar casas antigas e restaurar. Agora, a CASAVADIA, enquanto alojamento, o objetivo é continuar, seja de que forma for”. Afinal, ser “Vadio” é ser-se livre, é ser-se como, quando e onde se quiser. Não fosse a palavra escolhida para definir este projeto – pelas duas – a palavra: aventura. O que começou como um hobby, é agora um sonho realizado, mas nunca estanque. Porque esta é uma história feita de vários capítulos e, com certeza, daquelas que terá sempre um final feliz.