Foi no passado dia 22 de maio que o Forum Braga recebeu a primeira de três conferências Connect to Build, organizadas pelo Grupo Casais. Inserida nas Semanas da Economia e com o tema “Desbravar Mercado com Parcerias de Sucesso”, o evento acolheu líderes, especialistas e convidados no Grande Auditório para discutir o que torna uma parceria bem-sucedida.
A abertura da conferência ficou a cargo de Carlos Silva, Administrador Executivo da InvestBraga, que destacou a importância da iniciativa. “Valoriza, sem dúvida, o compromisso com a cidade e a relação de proximidade com a InvestBraga, no âmbito da nossa rede de embaixadores empresariais que este grupo integra”, afirmou.
Carlos Silva destacou, ainda, o sucesso das parcerias entre as empresas e os vários centros de investigação, que permitem criar valor e emprego qualificado em Braga, tornando o território na terceira principal área económica do país, a seguir a Lisboa e Porto.
Colaborações que trazem mais-valias
Na primeira parte do evento ficamos a conhecer quatro projetos realizados em parceria, que estão a ser um sucesso. Daniel Granjo, Diretor-Geral da KREAR, começou por apresentar a empresa, que é uma joint venture entre os Grupos Secil e Casais. Tendo nascido da necessidade de unir competências, com o objetivo de responder às dificuldades do setor, a KREAR aposta em soluções construtivas industrializadas que assentam em pilares como a sustentabilidade, a eficiência, a inovação tecnológica, a flexibilidade arquitetónica, a segurança, a qualidade, a rapidez e a redução do desperdício.
Para Daniel Granjo, uma boa parceria significa poder ir mais longe. “Criar uma joint venture que resulta da visão complementar entre os dois Grupos vem, no fundo, trazer algo novo ao mercado, transforma a construção em Portugal”.
De seguida, Ana Lima, Diretora Técnica e Membro da Comissão Executiva do CCG/ZGV Institute, e Marcelo Alves, Diretor do Departamento de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da INFOS, deram a conhecer a parceria entre as duas entidades no âmbito da inovação tecnológica aplicada à indústria, com destaque para o projeto STVGoDigital.
O CCG, que é um instituto reconhecido como centro de tecnologia e inovação na Universidade do Minho, e a INFOS, que trabalha há 35 anos com desenvolvimento de software para várias indústrias, uniram-se para criar uma parceria de sucesso, que está a acelerar a inovação e a permitir o acesso a competências especializadas para o desenvolvimento de produtos inovadores.
Um dos projetos que saiu desta parceria foi o STVGoDigital, financiado pelo Portugal 2020, que nasceu com o objetivo de englobar um conjunto de iniciativas de I&D que potenciem a adoção e transição para o novo paradigma da Indústria 4.0 e da transição digital. O projeto, que foi o primeiro a falar sobre passaporte digital de produto, já gerou publicações científicas de referência utilizadas pela União Europeia como base para regulamentações.
No terceiro pitch, Clementina Freitas, CEO da Latino Group, e Raúl Fangueiro, Presidente da Direção da Fibernamics, apresentaram as duas entidades, que já colaboram há cerca de 10 anos na área da defesa e têm vindo a desenvolver vários projetos que deram origem a diferentes produtos de proteção militar. Um desses projetos foi o PluriProtech, que representa uma evolução nos sistemas de proteção, integrando as barreiras físicas com uma segunda geração de proteção, as nanopartículas que protegem contra agentes químicos e biológicos.
Esta parceria é vista como um exemplo do “triângulo virtuoso da inovação” – a ciência, que gera conhecimento, as empresas, que aplicam esse conhecimento à prática, e os utilizadores finais, que neste caso são os militares portugueses -, resultando em produtos certificados e que podem ser utilizados em mercados exigentes, como é o mercado da defesa.
Por fim, Fernando Guedes, Diretor Global do MTT/ECD na Aptiv, e Carlos Rodrigues, Gerente da ITEC, deram a conhecer o projeto “De Braga para o Mundo”, uma colaboração focada no desenvolvimento de soluções de automação industrial para a indústria automóvel. Nesta parceria estão a ser desenvolvidas máquinas e soluções automatizadas para a construção de uma nova geração de produtos, como radares, câmaras, sensores e unidades de controlo, que são componentes críticas de segurança nos veículos e exigem o mínimo de intervenção humana.
Tanto para Fernando Guedes, como para Carlos Rodrigues, o projeto traz mais-valias para as duas empresas: por um lado, a Aptiv beneficia da experiência e proximidade da ITEC, por outro a ITEC tira partido da dimensão e do posicionamento global da Aptiv para expandir a sua atividade.
O que faz uma parceria de sucesso?
O evento promovido pelo Grupo Casais contou, ainda, com uma mesa-redonda em que participaram Alexandre Fernandes, Diretor Executivo de Promoção Imobiliária da Sonae Sierra, Manuela Vaz Soares, Presidente e Country Managing Director da Accenture Portugal, Pedro Arezes, Presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, e Ramiro Brito, Presidente da AEMinho. Com o tema “Parcerias para Promover Sucesso e Crescimento Empresarial”, a conversa foi dirigida pelo jornalista do Observador, Paulo Ferreira, e focou-se na importância das parcerias estratégicas para o desenvolvimento empresarial e regional.
Para Alexandre Fernandes, as parcerias são importantes para capturar valor, conhecimento e experiência, mas também para mitigar riscos quando se entra em zonas desconhecidas. Segundo o Diretor Executivo, para uma colaboração ser bem-sucedida tem de haver confiança, uma visão partilhada e um alinhamento cultural e estratégico. Além disso, também é fundamental que a equipa de gestão seja sólida e que a cultura contratual esteja bem estabelecida para os casos em que as parcerias correm menos bem.
Manuela Vaz Soares considera que já não é possível as empresas trabalharem de forma isolada e, por isso, vê os clientes como parceiros e defende um modelo de ecossistemas colaborativos, em que todos os intervenientes se complementam com competências específicas. A Presidente da Accenture reforçou, ainda, a importância de se adotar modelos comerciais mais criativos, como as joint ventures, em que há partilha de risco e benefício, para atrair mais parcerias.
Do lado da Academia, Pedro Arezes vê as colaborações com empresas e instituições como uma vantagem competitiva, sobretudo pela complementaridade e pela questão reputacional, que beneficia os dois parceiros, e destaca o papel das universidades na formação de talento e na produção de conhecimento. O Presidente da Escola de Engenharia diz ainda que a Academia já percebeu que deve fazer um caminho de aproximação às empresas, e defende que, na questão da inovação, o mundo académico pode trazer inputs novos ao setor empresarial.
Por fim, Ramiro Brito considera que as empresas têm muito mais a ganhar a colaborar do que a competir. O Presidente da AEMinho salientou que a cooperação é importante para quebrar barreiras e para o desenvolvimento do tecido empresarial regional, referindo que as parcerias são vitais para aumentar a competitividade das empresas do Minho e atrair investimento. No entanto, diz que ainda há trabalho a fazer, nomeadamente no que diz respeito à alteração de mentalidades e de cultura.
O Plano de Ação do Banco Português de Fomento para impulsionar as empresas
O último painel do dia teve como convidado Gonçalo Regalado, Presidente da Comissão Executiva do Banco Português de Fomento, que apresentou o Plano de Ação 2025, destacando o papel estratégico da instituição no apoio à inovação, desenvolvimento e sustentabilidade do tecido empresarial português.
Gonçalo Regalado sublinhou que o Banco Português de Fomento pretende ser um facilitador do investimento e da competitividade, atuando como parceiro das empresas em todos os momentos-chave. “Nós desenhamos e construímos o Banco para que esteja ao serviço das empresas, com vários produtos financeiros para todos os estágios das micro, pequenas, médias e grandes empresas”, afirmou.
O Presidente da Comissão Executiva do Banco destacou, ainda, que Portugal está repleto de boas empresas e de bons empresários e que é necessário haver mais disponibilidade por parte do setor para os investimentos que, em última instância, ajudam a alavancar a economia portuguesa.
O encerramento da conferência ficou a cargo de António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais, que sublinhou a importância da cooperação como motor de inovação, crescimento e sustentabilidade no setor empresarial. Afirmou, ainda, que é necessário incentivar e reforçar as parcerias entre empresas, instituições de ensino e centros de investigação para responder aos desafios atuais da economia e para construir soluções com impacto real.