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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Dentro da Reserva Estratégica de Medicamentos: a caixa-forte que guarda as armas contra a Covid-19

Fica numa unidade do Exército e armazena medicamentos e material médico. Guardada com fortes medidas de segurança, encheu-se, nas últimas semanas, com os reforços por causa da Covid-19.

É preciso descer dois andares de escadas e passar por outros tantos corredores para chegar à entrada do que mais parece o acesso ao cofre de um banco. A porta, com duas fechaduras — uma em cima e outra a meio —, só é aberta também com a introdução de um código que poucos — muito poucos — conhecem. O processo de a abrir é demorado por todas as razões de segurança que o espaço exige. Ou melhor, aquilo que o espaço guarda. Ali está toda a reserva de desinfetante produzido pelo Laboratório Militar e os medicamentos que ajudam no tratamento da Covid-19.

É a Reserva Nacional Estratégica, o local de onde têm saído os materiais necessários para lidar com a pandemia do novo coronavírus em Portugal. À guarda do Exército, o espaço já juntava todas as reservas de material hospitalar do Serviço Nacional de Saúde. Nas últimas semanas, foi-se enchendo com o que está a ser comprado especificamente para tratar os infetados ou suspeitos: máscaras, luvas, fatos individuais, óculos, proteção para cabeça e pés, kits de testes e todos os medicamentos utilizados pelos hospitais para a a Covid-19.

No mesmo edifício está também guardada a reserva nacional de medicamentos para o combate à Covid-19.

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Medicamentos e desinfetante já ocupam 90% do espaço

A tal sala fechada com temperatura e níveis de humidade controlados ao pormenor, onde o Observador entrou em exclusivo, guarda estes últimos. De paracetamol a antirretrovirais — usados para tratar os retrovírus, como o HIV, e que parecem ter alguns resultados no tratamento da Covid —, esses medicamentos específicos passaram a ocupar 90% do espaço.

Na prática, é um armazém com estantes de três andares completamente cheias de caixas que têm folhas A4 coladas com a informação: “Covid-19. Não mexer. Reserva”. Aos fármacos junta-se o material desinfetante. O Exército dedicou-se nas últimas semanas, a pedido da Direção-Geral de Saúde e devido às necessidades nacionais, a duplicar a quantidade de desinfetante que, anteriormente, só era produzido para o próprio Exército e para alguns hospitais. Esse objetivo já foi alcançado e os militares estão já perto de o triplicar.

Aqui está armazenada grande parte dos fármacos que podem ajudar ao combate da Covid-19

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Para isso foi preciso suspender a produção de metadona a nível nacional — que também está a cargo do Exército. A distribuição deste substituto de drogas, usado de forma terapêutica em toxicodependentes, não ficou, ainda assim, em causa, por haver uma quantidade considerável de reserva.

“Agora a prioridade é a produção do desinfetante para dar conta daquilo que o SNS nos pediu — e a produção já está quase no triplo daquilo que produzimos até fevereiro”, explica ao Observador a porta-voz do Exército.

Noutro local, já ao nível do solo, estão, sobretudo, os equipamentos de proteção usados pelos profissionais de saúde do SNS. Também ali repetem-se as fortes medidas de segurança — apesar de, na verdade, serem armazéns absolutamente banais, que, em tempos, serviram para guardar material diverso afeto ao Exército, nas traseiras do Laboratório Militar, em Lisboa.

Praticamente todas as caixas têm a informação com folhas A4: “Covid-19. Não mexer. Reserva”

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Os cuidados percebem-se na seleção de quem pode circular por ali e num pedido feito ao Observador: só quem tem autorização pode aproximar-se dos armazéns, poucos têm acesso ao seu interior e ainda menos os podem abrir, por isso, as imagens tiveram de ser recolhidas com o maior cuidado possível para não pôr em causa a segurança do que lá está guardado.

São poucas as pessoas que têm acesso àquele local e menos ainda os que o podem abrir, só quem está autorizado pelas chefias

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Quantidade de material obrigou a procurar outros armazéns

O armazém principal, com dois portões de garagem, é cada vez mais pequeno para as milhares de caixas de equipamento que já vão até ao teto. Por haver tanto material a chegar a Portugal no últimos dias, o Exército viu-se obrigado a arranjar soluções de armazenamento também noutras unidades militares e corredores do edifício principal, com acesso restrito: “Já arranjámos outras alternativas noutros locais, noutras unidades do Exército”, explica a porta-voz.

Uma das remessas mais recentes chegou na manhã do último domingo, 12 de abril. Foram 160 metros cúbicos de caixas, o que equivale a 15 toneladas de material de equipamento de proteção individual. Não ficaram ali muito tempo: uma parte já começou a ser distribuída na segunda-feira. Na operação de transporte — desde o aeroporto até àquele local — estiveram envolvidos 25 militares e cinco viaturas pesadas do Regime e Transportes do Exército.

As inúmeras caixas, vindas sobretudo da China, têm com etiquetas que não deixam dúvidas sobre o destinatário: "Direção-Geral de Saúde" e Ministério da Saúde"

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As inúmeras caixas, vindas, na maioria, da China, têm etiquetas que não deixam dúvidas sobre o destinatário: “Direção-Geral de Saúde” ou “Ministério da Saúde”. Todo este material, comprado pelo Estado ou doado por particulares, chega de avião ao Portugal. Na zona de cargas e descargas do aeroporto de Lisboa é colocado em camiões TIR, que depois são descarregados nestes edifícios do Exército. Durante todo o transporte, os camiões são acompanhados por um forte dispositivo policial.

É a partir dos armazéns que o material é distribuído por toda a rede do Serviço Nacional de Saúde. No caso de os destinatários serem hospitais na zona de Lisboa, podem ser as próprias unidades hospitalares a levantar o que lhes foi atribuído. Para isso, precisam apenas de uma espécie de receita médica: uma lista do material que podem levantar, indicado pelo Infarmed. Nessas listas são indicados o tipo de material e as quantidades.

No caso dos hospitais fora de Lisboa, é o Exército que assegura essa distribuição de norte a sul do país. “O Exército, através do Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos, armazena, gere e distribui a Reserva Estratégica do Medicamento, em coordenação com o Infarmed, que, em função das necessidades, dá indicação dos locais e das quantidades a abastecer”, explica ao Observador a Coronel Margarida Figueiredo, diretora do laboratório.

É a partir deste local que o material é todo distribuído por toda a rede do Serviço Nacional de Saúde.

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No Porto já está a ser usado também um armazém do Exército, de menor dimensão, destinado a armazenar todo o material que chega ao aeroporto do Porto e, a partir de lá, ser distribuído por toda a zona norte do país. Todo o material que ali chega também já tem um destino bem definido. Os dois polos têm o mesmo objetivo: assegurar que, em caso de necessidade e dentro do que a reserva permitir, não falta material médico nos hospitais.

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