Rita Abranches, investigadora em biologia na Universidade Nova de Lisboa, “nem queria acreditar”. A 28 de abril recebeu um email da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) no qual era interpelada a acabar de preencher um questionário que estava a ser enviado aos doutorados em Portugal, que são mais de 50 mil. “A sua resposta é de carácter obrigatório”, lia-se nas regras citadas. Querendo cumprir com o seu dever, carregou na hiperligação. Para sua surpresa, ao abri-la, viu dados pessoais que não correspondiam aos seus.

O que aconteceu a Rita não foi uma falha única, como confirmou ao Observador a DGEEC — que reconheceu ter havido “uma falha” — e outras entidades públicas que foram envolvidas neste caso, como a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). Todos os doutorados que ainda não tinham acabado o questionário deste ano — 250, ao todo — acabaram por ter acesso às respostas, que supostamente eram confidenciais, de outro colega. “Houve 250 acessos [à hiperligação errada]”, assumiu a DGEEC ao Observador. O problema foi entretanto resolvido, mas os dados foram vistos.

"Houve 250 acessos [à hiperligação errada]", assumiu a DGEEC ao Observador

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