O aumento do número de inscritos nos centros de emprego é comum entre os meses de dezembro e janeiro, fruto da maior oferta de emprego por alturas do Natal. Desde 1989 que a variação média entre os dois meses é de 3,5%, segundo dados do Ministério do Trabalho. Só que, este ano, a subida foi mais expressiva: 5,5%, ou seja, no espaço de um mês, inscreveram-se nos centros de emprego mais 22.105 desempregados.

Em janeiro, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) contabilizava 424.359 pessoas sem emprego, mas disponíveis para trabalhar, um número que não era tão alto desde o final de maio de 2017 (432.274). E face a janeiro de 2020, a subida dos desempregados é de 32,4%.

A tendência crescente começou a notar-se a partir de fevereiro do ano passado e galopou até maio, mês a partir do qual se iniciou o primeiro desconfinamento. A partir daí, e durante o balão de oxigénio que foi o verão, com a reabertura progressiva de setores e negócios antes obrigados a fechar, o desemprego estabilizou e entre setembro e novembro até estava a diminuir. Mas o Ano Novo trouxe más notícias.

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Desemprego sobe mais em Lisboa e no Algarve

Segundo os dados do IEFP, em janeiro deste ano o desemprego aumentou em todas as regiões, mas, comparando com janeiro de 2020, a subida foi mais pronunciada no Algarve (61,3%), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (mais 45,3%).

O mapa que traça a comparação entre o primeiro mês deste ano e o de 2020 permite perceber como as cores são mais carregadas nos grandes pólos urbanos, especialmente nessas duas regiões, fortemente dependentes do turismo.

O concelho onde o número de inscritos nos centros de emprego mais do que duplicou

Se tivermos em conta a evolução anual, há apenas um concelho onde o número de inscritos no IEFP duplicou (neste caso, até mais do que duplicou). Foi Odivelas (Lisboa), que viu o número de desempregados aumentar 107,98% entre janeiro de 2020 e janeiro deste ano, o que equivale a mais 3.150 pessoas sem trabalho — para um total de 6.067.

E aqueles onde esteve lá perto

Entre os dez concelhos que mais viram o desemprego contabilizado pelo IEFP subir, metade pertencem ao distrito de Faro. São eles, o concelho de Faro (aumento de 88,12%), Castro Marim (77,94%), Tavira (76,67%), Loulé (74,53%) e Olhão (72,06%).

Na lista dos concelhos mais afetados estão, além de Odivelas, outros concelhos situados na periferia da cidade de Lisboa, como Sintra (uma subida de 78,22%) e Loures (69,47%).

Em 36 concelhos, o desemprego até diminuiu

Há 36 concelhos que remaram contra a maré e até viram o número de inscritos nos centros de emprego reduzir entre janeiro de 2020 e janeiro deste ano. Destaque para Sever do Vouga (Aveiro), com uma redução de 24,06%. Segue-se Ferreira do Zêzere (Santarém), com menos 20,14% de inscritos, Fornos de Algodres (Guarda), onde a redução foi de 19,87%, Alandroal (Évora), com uma quebra de 18,18%, e Gavião (Portalegre), com menos 13,41%. Os concelhos desta lista são, na sua maioria, do interior do país.

Mais de metade dos inscritos tinha um contrato precário

Os dados do IEFP permitem ainda perceber de onde vêm os novos desempregados inscritos — e sem grandes surpresas face a meses anteriores. Em janeiro, mais de metade dos novos inscritos ao longo do mês tinham um contrato não permanente que chegou ao fim (foi o caso de 24.675 pessoas, ou seja, 52,5% do total). Já 7.663 pessoas foram despedidas (16,3%) e 3.332 (7%) eram inativos (não reuniam condições para começar a trabalhar).

Quando o casal está desempregado ao mesmo tempo

O número de casais em que ambos os cônjuges estão desempregados está a subir desde dezembro de 2020. Em janeiro deste ano, estavam nesta situação 6.702 casais, uma subida de 8,3% face ao último mês de 2020, mas de 22,9% face a período homólogo.

Este indicador tem evoluído de forma instável ao longo da pandemia. De março a maio foi aumentando, atingindo um pico no quinto mês do ano (6.772). Desde então, o valor estava a diminuir, mas a tendência foi interrompida em dezembro: subiu 1,2%, uma tendência ascendente que se manteve em janeiro.