Está fechado e assinado o acordo de coligação “Por ti, Lisboa”, entre PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal. Apesar de ainda não terem sido apresentados nomes no evento na Fábrica de Unicórnios de Lisboa, estão desfeitas algumas das dúvidas que persistiam: liberais e democratas-cristãos ficam mesmo com dois vereadores cada um em lugares elegíveis, como o Observador tinha avançado, sendo que a IL segue na frente do CDS-PP, em quarto lugar, a seguir a três nomes dos sociais-democratas.
Por outro lado, o CDS-PP ficou com os quinto e sétimo lugares na lista, sendo que, caso a coligação não consiga atingir os nove deputados da maioria absoluta, como aconteceu há quatro anos (em que PSD e CDS elegeram sete), os liberais podem ficar apenas com um representante, já que o segundo nome está no oitavo lugar. A verdade é que, com os liberais ao lado de Moedas e o atual peso eleitoral do partido, ambiciona-se um resultado acima dos tais sete vereadores eleitos em 2021.
No que toca à Assembleia Municipal de Lisboa, em que o CDS-PP conseguiu um primeiro lugar na lista com Isabel Galriça Neto há quatro anos, passa a pertencer ao PSD. O que, de resto, o Observador também tinha avançado. A novidade é que, também aqui, a IL surge em segundo, antes do CDS, que vai no quarto lugar.
Há outros pormenores relevantes no acordo: o CDS-PP, que em 2021 tinha nove candidatos a presidentes de junta de freguesia, passa a ter seis, e a Iniciativa Liberal fica com três. Ainda assim, também neste particular, já noticiado pelo Observador há alguns dias, a IL fica pior posicionado que o CDS: tem metade das presidências de junta dos centristas. Não é uma passagem direta no que às juntas diz respeito, mas confirma-se que os democratas-cristãos perdem três, exatamente as que a IL passa a ter. O PSD mantém-se intacto, com 15 candidaturas a presidentes de junta. A distribuição faz-se da seguinte forma: CDS-PP fica com Ajuda, Arroios, Beato, Benfica, Marvila e Parque das Nações e a IL com Âlcantara, Campolide e Olivais.
Os lugares estão fechados, já os nomes ficam para uma próxima ocasião. Nem com todos os partidos reunidos na Fábrica dos Unicórnios e a assinatura feita, Carlos Moedas avançou com a constituição da equipa que vai levar a votos nas próximas eleições autárquicas. Fonte da candidatura “Por Ti, Lisboa” já tinha referido ao Observador que a lista definitiva só ficará oficialmente fechada a 18 de agosto.
▲ Carlos Moedas é recandidato à Câmara Municipal de Lisboa pela coligação "Por Ti, Lisboa"
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
O amigo de sempre e o sangue novo, juntos contra o “novo bloco da esquerda”
A coligação, que foi difícil de nascer — e que Carlos Moedas reconheceu que “muitos diziam impossível” — foi oficializada, assinada e diz-se pronta para enfrentar e vencer o “novo bloco da esquerda” liderado por Alexandra Leitão. O recandidato a presidente da Câmara Municipal de Lisboa fez questão, como já tinha feito durante a apresentação, na Estufa Fria, de elogiou o “amigo de sempre CDS” e uma IL com “sangue novo“. Aliás, todos deram as boas-vindas à coqueluche, com promessas de que na coligação mora moderação e bom senso — “Aqui não há radicais“, chegou mesmo a sublinhar Hugo Soares, secretário-geral do PSD, que assinou o contrato.
Carlos Moedas, que manteve um discurso muito próximo ao da apresentação oficial, na Estufa Fria, assegurou que esta “não é uma candidatura contra ninguém”, reforçando que nas eleições de 12 de outubro os lisboetas têm de fazer uma escolha entre a “uma moderação assertiva que faz e o radicalismo do contra”.
“Esta é uma escolha que vai muito para lá dos partidos; é uma escolha entre duas formas de ver a cidade”, garantiu, sublinhando que é uma “coligação de moderados” contra uma “candidatura do radicalismo do contra que vemos neste novo bloco da esquerda”. Moedas apresentou-se tanto como um “porto de abrigo” que voltou a fazer um apelo aos “moderados socialistas que não se identificam com o radicalismo”.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Numa espécie de first round da ainda longínqua campanha eleitoral, Carlos Moedas atirou-se a Alexandra Leitão para acusar o PS de não se preocupar com o emprego (“O bloco da esquerda não quer unicórnios, quer pobreza”) e distanciou-se da candidata da coligação “Viver Lisboa” no que às forças de segurança diz respeito — reiterando as promessas de mais polícias nas ruas — prometendo que “nunca” o irão “ver a liderar manifestações contra os polícias”.
▲ Carlos Moedas encabeça o acordo de coligação que junta PSD, IL e CDS-PP
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Hugo Soares, secretário-geral do PSD, deixou rasgados elogios a Carlos Moedas, dizendo que “é um presidente de câmara fazedor e com obra para apresentar aos lisboetas” e certo de que fez “mais” em tudo”, menos em cobrar impostos. O social-democrata que ficou responsável por assinar o acordo garante que esta é uma “candidatura moderna”. E deixou recados em jeito de promessa: “Aqui não há radicais, só há gente de bom senso e moderada, que quer continuar a construir Lisboa.”
Mário Amorim Lopes, recém-eleito vice-presidente da IL, aproveitou o discurso para trazer o tio do Homem Aranha, com uma promessa: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.” O liberal fez questão de lembrar que a IL acredita no “sucesso” das pessoas e das empresas, que “Lisboa tem de manter a sua identidade, a sua alma, tem de ser cultura, lazer e liberdade” e prometeu “lealdade e responsabilidade“. A somar a isso, a palavra que a IL tem tentado colar aos acordos de coligação pelo país: “Exigência.”
Telmo Correia, vice-presidente que falou pelo CDS-PP, ainda que tenha sido o secretário-geral, Pedro Morais Soares, a assinar o contrato de coligação, assegurou que os partidos alcançaram um “bom acordo” e dedicou-se sobretudo ao ataque à esquerda, fazendo uma distinção entre o PS da “nova roupagem”, de José Luís Carneiro, e o “um PS unido à extrema-esquerda mais radical”, que usa para se referir a Pedro Nuno Santos e Alexandra Leitão — “Quando o PS se une à extrema-esquerda mais radical tem de haver AD e é bom que haja AD com IL.”
Com as folhas assinadas, faltam desfazer várias incógnitas sobre nomes. Um deles é sobre Filipe Anacoreta Correia, atual vereador que tem a possibilidade de ser desviado para outros voos, como a presidência da Carris, e marcou presença no evento. Resta perceber se Carlos Moedas abdica ou não daquele que tem sido o seu braço direito, mesmo que durante o mandato se tenha desfiliado do CDS-PP.
▲ Uma das dúvidas que permanece é sobre se Anacoreta Correia se mantém ou não na equipa de Carlos Moedas
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR