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Raquel Martins

Raquel Martins

Entrei para o ensino superior, e agora? 7 conselhos para os alunos se manterem por lá /premium

Reitores e presidentes de politécnicos deixam as suas dicas aos alunos que entram pela primeira vez no ensino superior. O primeiro passo é não se isolarem da vida académica.

[Veja aqui se entrou no Ensino Superior]

Se os números se mantiverem estáveis, três em cada dez alunos dos que este domingo entram para o ensino superior não vão seguir o curso até ao fim. Os dados mais recentes de abandono escolar no ensino superior (2011/12 a 2014/15) mostram que, quatro anos depois do início do curso, 29% dos estudantes tinham desaparecido do sistema. E menos de metade (46%) tinha concluído os estudos no tempo previsto. Se a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência aponta os números, o Tribunal de Contas apurou os motivos: fatores económicos, falta de capacidade para conciliar vida académica com a profissional e dificuldade de adaptação levaram os alunos a abandonar as salas de aulas entre 2012/13 e 2014/15.

Então, como se mantém os alunos nos bancos das faculdades? O primeiro passo é que os estudantes não se isolem, sendo igualmente importante que peçam ajuda. Mas conhecer os apoios a que têm direito, não se deslumbrarem com o mercado do trabalho ou olharem para as instituições como um ecossistema que oferece um pouco de tudo são recados igualmente importantes. Estes são alguns dos conselhos deixados aos estudantes pelos reitores de universidades e presidentes de politécnicos ouvidos pelo Observador e que sabem que a batalha contra o abandono — chega aos 54% entre quem ingressa com nota 10 — tem de ser travada todos os anos.

Por isso mesmo, são as próprias instituições a criar programas e ferramentas para evitarem a fuga de alunos. E o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, comentando os números da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência no ano letivo passado, disse ser preciso fazer “mais, muito mais” para combater o fenómeno. Aqui, deixamos 7 conselhos para que a passagem pelo ensino superior tenha princípio, meio e fim.

Pedir ajuda é fundamental

O primeiro conselho — “Pedir ajuda é fundamental” — é deixado por Pedro Dominguinhos, presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, e está longe de ser uma evidência. Há muitos alunos que têm vergonha de o fazer e isso torna mais difícil, ou mesmo impossível, que as instituições os consigam ajudar.

Na instituição que dirige, sempre que um aluno abandona o curso é feito um inquérito para se perceber a razão, mas o fundamental é conseguir evitar que se chegue a esse ponto. “É crucial que as próprias pessoas peçam ajuda. Há pessoas que não sabem as regras básicas para se candidatar à ação social. Há pessoas, trabalhadores estudantes, que acham que por terem um ordenado não têm direito à ação social quando, dependendo dos valores, até podem ter. É fundamental pedirem ajuda, não terem vergonha de fazê-lo.”

Às instituições, defende Pedro Dominguinhos, cabe terem mecanismos diversos, como apoio económico e psicológico, para que os alunos se sintam confortáveis, e num ambiente protegido, de modo a não se sentirem inibidos quando precisam de ajuda. “A entrada no ensino superior é um processo de transição que não é fácil, e há casos muito diferentes: estar preocupado em saber se se consegue pagar as contas no final do mês não é o mesmo que estar em casa dos pais.” A solução, nos casos relacionados com a dificuldade de transição do secundário para o superior, passa por criar programas de mentores, tutores e projetos de acolhimento para que os estudantes se integrem devidamente, defende.

“Os sistemas de apoio de acolhimento são cruciais. Mas há outras coisas. Podemos ajudar os alunos a escolher outro curso — há muitas situações em que as pessoas se sentem desencantadas com a sua escolha, por vários motivos. Na nossa instituição, temos milhares de consultas de psicologia por ano, mais de 100 foram para orientação vocacional de alunos que tinham abandonado o curso e em que estávamos a tentar encontrar uma solução”, diz o também presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

Pedro Dominguinhos assume que o desencanto dos alunos também pode passar por um divórcio entre os jovens de agora e as pedagogias seguidas nas salas de aula. “A questão é muito relevante: temos de fazer um forte investimento do ponto de vista pedagógico, as instituições têm de ser mais digitais. Mas isto não é um processo imediato, obriga a formação dos docentes, a metodologias mais ativas, como o project base learning, que obrigam a um investimento das próprias instituições, quer do ponto de vista de equipamentos quer do próprio capital humano.”

O reitor da Universidade de Coimbra pede aos estudantes que não se isolem. “Em Coimbra, ninguém deixa de comer ou de dormir por não ter dinheiro. Não se pode é isolar", diz Amílcar Falcão

LUSA

Não se isolar e conhecer bem os apoios existentes

“Em Coimbra, ninguém deixa de comer ou de dormir por não ter dinheiro. Isso é garantido. Não se pode é isolar. Se se isolar, nós não sabemos. Temos condições para ajudar quem tem dificuldades e penso que o temos feito com assinalável sucesso.” Amílcar Falcão, reitor da Universidade de Coimbra, pede assim aos estudantes que este fim de semana vão ingressar no ensino superior que não se isolem da vida académica. Essa é a regra número um e que pode ser a diferença entre conseguir completar o curso ou ficar pelo caminho.

“Conheço situações de jovens que não têm onde dormir e que ficam numa república, ou no quarto de alguém, durante uns tempos”, conta o reitor, soluções que só são possíveis quando a integração se dá.

“A ambientação do estudante é muito importante. Cada instituição terá a sua própria forma de acolher os estudantes, de os integrar e de apoiá-los, mas um dos erros que vejo cometer com muita frequência é o estudante isolar-se. É verdade que a praxe às vezes tem aspectos condenáveis, mas a praxe, no bom sentido, de acolhimento, de integração, do apoio, da ajuda, de criação de amigos e de grupos, de pessoas com interesses comuns ajuda bastante em momentos difíceis. Em Coimbra, temos isso bastante estruturado”, sustenta.

Por outro lado, defende que quem está a chegar à universidade está numa idade difícil, o que torna ainda mais importante encontrar apoio entre os pares. “Normalmente estão a sair de casa dos pais pela primeira vez, nem todos estão preparados para a ideia de estarem mais isolados, de passarem algumas dificuldades, e isso é natural que aconteça a vários níveis. É uma idade complicada, é muito fácil as pessoas deprimirem-se e não é esse o caminho.”

As questões financeiras, defende, são motivo que influencia também o abandono e é importante que os estudantes conheçam os apoios que estão disponíveis, seja do Estado seja das próprias universidades. “Nesse sentido, as instituições tentaram sempre fazer o melhor que podem para evitar o abandono. Na Universidade de Coimbra temos vários apoios adicionais dentro da ação social, que acrescem ao que o governo oferece. Isso tem a ver com o nosso interesse em que os estudantes não passem dificuldades — às vezes acontecem porque há uma décalage entre a atribuição de uma bolsa e o receber a bolsa. Temos apoios para essas situações, conseguimos dar condições do mínimo de dignidade para estudantes que durante dois ou três meses passam momentos muito difíceis. Essa também é a nossa missão. Em Coimbra tentamos minimizar os problemas financeiros o mais que podemos.”

O último conselho do reitor é o de que os jovens olhem para o futuro. “A nós, universidades, cabe-nos estimular e apoiar os estudantes, mas não nos podemos substituir àquilo que é a sua vontade própria. Devemos explicar-lhes que um curso superior será sempre uma mais-valia e creio que, se interiorizarem esse aspecto, serão mais resistentes às dificuldades. Não estou a dizer que é interessante ter dificuldades, estou a dizer que, tendo dificuldades, devemos procurar forças interiores que nos motivem a superá-las. Essa é a mensagem que devemos passar aos jovens. Eles estão numa fase de formação de personalidade, têm muito para aprender, para fazer e crescer e devemos, no momento certo, apoiá-los e explicar-lhes que o esforço vai seguramente ser recompensado.”

“O conselho que eu dou aos estudantes é que eles têm de procurar o prazer, mas tem de ser resilientes. Não falo da filosofia de que o estudo é para sofrer. A aprendizagem não é um processo de sofrimento, mas a aprendizagem é um processo que dá trabalho e os estudantes têm de estar disponíveis para trabalhar.”
Paulo Águas, reitor da Universidade do Algarve.

Escolher a formação que realmente se quer e manter o foco

“Em primeiro lugar, os estudantes devem escolher uma formação que vá ao encontro daquilo que querem vir a fazer no futuro. A própria formação será sempre um passaporte para a sua vida futura, enquanto vida profissional, e para ingressarem no mercado de trabalho.” O conselho é deixado por António Fernandes, presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Na sua opinião, é fundamental que os alunos sejam capazes de se manter focados nos seus objetivos. “Esse foco deve existir desde a primeira hora, desde a seleção da formação em que ingressam. Se ele continuar a existir ao longo da formação — e falo de ensino superior politécnico em que temos uma formação muito focada no exercício da profissão —, se o estudante vir esse trabalho ao longo de todo o seu percurso académico, vai estar mais próximo daquilo que vai ser a sua realidade no futuro, enquanto elemento pertencente ao mercado de trabalho.”

O presidente do Politécnico de Castelo Branco acredita que esse mindset fará a diferença e trará os frutos pretendidos ao estudante. “Esta formação vai dar-lhe esse passaporte. Continuo a acreditar que um jovem com formação, que fez um percurso interessante, em parte é o empregador que procura o jovem, e não é o jovem que vai à procura de empregador. Em Castelo Branco temos uma forte relação com o tecido empresarial e temos imensas empresas que sistematicamente nos procuram, disponibilizando emprego para os estudantes.”

As instituições, defende, estão também cada vez melhor preparadas para acompanhar as dificuldades dos estudantes, com excelentes programas de integração de estudantes e apoios financeiros. “Até do ponto de vista orçamental, começa a haver programas muito interessantes de apoio social extraordinário que os estudantes podem aproveitar. No nosso caso, temos a figura do estudante colaborador, em que o jovem pode participar nas atividades da instituição, preparar aulas laboratoriais ou outras e, a troco dessa participação, para além de enriquecer o currículo, tem senhas de refeição para poder usar na nossa instituição. Outro exemplo, novo, é termos o refeitório aberto durante os fins de semana. O politécnico tem mais de 4000 estudantes e cerca de 75% são deslocados — ter o refeitório aberto ao sábado e domingo, almoço e jantar, é uma forma de facilitar a vida aos estudantes, que assim fazem a refeição a preços económicos.”

Ser resiliente, estar preparado para trabalhar

“O conselho que dou aos estudantes é que eles têm de procurar o prazer, mas têm de ser resilientes. Não falo da filosofia de que o estudo é para sofrer. A aprendizagem não é um processo de sofrimento, mas a aprendizagem é um processo que dá trabalho e os estudantes têm de estar disponíveis para trabalhar”, diz Paulo Águas, da Universidade do Algarve.

O reitor defende que, ao ingressar no ensino superior, o que os alunos estão a fazer é a treinar, a construir um conjunto de hábitos e a receber ferramentas para uma profissão, e isso, reforça, dá trabalho. “Também temos cursos que não formam para uma profissão, formam para um conjunto alargado de profissões, e é importante que os estudantes levem esse conjunto de competências com eles — e que dão trabalho a adquirir. Têm de ter consciência de que é algo que lhe traz uma responsabilidade muito grande e de que são eles os principais beneficiários. O que eles aprendem é deles. Isso é a principal mensagem.”

Quanto ao abandono do ensino superior, Paulo Águas diz que não há em Portugal um histórico suficientemente grande que nos indique se ele está estável, a crescer ou a diminuir. Mas uma coisa é certa: “Há uma década, o abandono não estava nas agendas das instituições como está hoje. Avançamos com o sistema interno de garantia de qualidade, em que os estudantes participam e nas unidades curriculares, vulgo disciplinas, em que há problemas os professores são obrigados a fazer propostas de melhoria, os alunos participam, e são monitorizadas. Isso só poderá ter como consequência uma melhoria do processo de aprendizagem, tendo como consequência mais sucesso, menos abandono.”

Aos seus estudantes, e como forma de combater o abandono, a Universidade do Algarve tem uma oferta cada vez maior de cursos de gestão de tempo, de métodos de estudo e isso, conta o reitor, potencia o sucesso. Outra solução passa por rever os modelos pedagógicos.

“Recentemente criámos o gabinete de apoio à inovação pedagógica e quase todas as instituições o têm. Há uma permanente partilha entre o corpo docente para divulgarem o que vão fazendo. O estudante hoje é muito diferente do que era há uns anos: há 20 anos estávamos preparados para estar parados uma hora a escutar, hoje é doloroso para um estudante estar muito tempo numa posição passiva. Por isso, caminhamos para aulas com mais participação. Aqui também desenvolvemos conteúdos gravados, para o estudante poder aprender de uma forma dessincronizada. As nossas salas de aulas são muito iguais às de há 30 ou 40 anos e a inovação não passa só pelo mobiliário, mas também passa por ele.”

Pelo caminho, Paulo Águas deixa também um conselho ao Governo: deveriam ser criadas linhas de apoio, como as que existem para a investigação, para apoio à inovação pedagógica.

“É um bocadinho pretensioso da minha parte dar conselhos, mas o que posso dizer é que o melhor investimento que os jovens podem fazer no seu futuro é estudar, é aprender, é fazer o percurso de crescimento que as instituições do ensino superior e as universidades proporcionam.”
Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE

Não desistir

“Na receção aos alunos, faço sempre uma intervenção e o que pedimos aos alunos é para não desistirem, para falarem com os serviços de ação social, com os professores…” Maria José Fernandes, presidente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, lembra que em Barcelos há várias soluções para ajudar os alunos e evitar que virem costas ao ensino superior. “Temos fundo de emergência, temos alunos com carências muito elevadas, e pagamos-lhes a alimentação, oferecemos subsídio de alojamento. Também temos uma bolsa de colaboradores: agora, para as matrículas, temos sete alunos bolseiros a colaborar, em que recebem um x por hora. A ideia é que não têm de deixar de estudar por não ter condições financeiras. Essa é a primeira regra.”

No caso da sua instituição, há uma taxa muito elevada de cursos de curta duração, com 700 alunos a frequentá-los, e nesses, diz, o risco de abandono é ainda maior.

Outro conselho que deixa é que os alunos se integrem na comunidade. Para que isso não seja uma tarefa complicada, a instituição também faz a sua parte. “Entre as várias iniciativas que temos, há um programa em que os alunos que já cá estão fazem mentoria aos novos alunos. Sabemos que o fundamental são sempre os primeiros meses. O aluno chega, o embate é grande, mas se tiver alguém que o acompanhe — e tivemos uma adesão bastante grande por parte dos alunos — as coisas são mais fáceis”, conta a presidente do IPCA.

A instituição tem também um programa em que durante três dias há um conjunto de atividades de integração no campus. “São recebidos nos Paços do Município pelo presidente da câmara e há um peddy paper para conhecer a cidade de Barcelos. Este ano vamos avançar também com um conjunto de atividades extra-curriculares, que saem fora da caixa — são disciplinas que promovem a formação humanística, histórica e filosófica para enriquecer o aluno com competências transversais.”

Todo este conjunto de iniciativas surge, como explica Maria José Fernandes, porque a instituição quer ser proativa e não reativa na questão do abandono escolar. Apesar disso, é fundamental que o aluno procure ajuda quando dela precisa. “Queremos acompanhar os alunos, mas precisamos de saber do que se passa: quem percebeu que não gosta do curso, quem está de dia e precisa de estar à noite… Por exemplo, temos muito alunos sem transporte. À noite, um aluno de Terras do Bouro para Barcelos não tem transporte, mas podemos mudá-lo para um horário diurno. É preciso é saber que essa situação existe. O abandono tem muito a ver com a sinalização. Queremos ser proativos, não esperar pelo momento em que o aluno abandona as aulas. Antecipar e atuar assim que aparecem os primeiros sinais, as primeiras faltas.”

O reitor Fontainhas Fernandes diz que Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tenta ser um ecossistema, de forma a que os estudantes encontrem ali tudo o que precisam

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Olhar para a instituição de ensino superior como um ecossistema

“O estudante tem de olhar para uma universidade como um ecossistema que o saiba receber.” Ou seja, antes de escolher a instituição para onde vai, é importante que o aluno perceba que condições de apoio pode ali encontrar e que devem estar para além da ação social. E é exatamente isso, um ecossistema, que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tenta ser, explica o reitor António Fontainhas Fernandes, que é também presidente do CRUP — Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. “Temos apostado tudo num campus único, que tenha todas as valências, desde os espaços letivos, desportivos, de apoio social. Os alunos têm de se sentir bem.”

Na UTAD, e porque o reitor acredita que é dever da instituição criar mecanismos para que o estudante se integre, criou-se o Observatório do Abandono para combater a desistência dos alunos. “O aluno, desde que entra, tem logo a noção de que se lhe acontece alguma coisa tem um feedback, tem quem o receba, seja porque motivo for”, explica.

As valências são muitas: “A própria universidade dispõe de cuidados de saúde, de apoio psicológico, de clínica geral, com apoio nutricionista — e que tem uma enorme procura. Além de termos de oferecer outro tipo de oferta não letiva, como o desporto, a ação social vai hoje muito além do que são as bolsas. Temos salas de estudo abertas 24 horas onde eles podem estar, em vez de estar abandonados num quarto, num bairro suburbano, só porque os preços são mais baratos. Um jovem que fica depositado num bairro em que tem como critério a estação de metro, onde não tem ambiente universitário, não tem o ecossistema. É diferente de estar num campus acolhedor”, diz Fontainhas Fernandes.

Fundamental é também detetar os casos precocemente, de forma a poder atuar, e para que seja possível é importante que os jovens não fiquem em silêncio. “Enquanto reitor da UTAD, estou muito preocupado com a questão do insucesso. Eles entram, mas percebe-se que cerca de 40% dos estudantes que interrompem os seus estudos são por motivos financeiros. A universidade tem de ter um compromisso de responsabilidade. Quando detetamos precocemente os casos de abandono, acionamos um fundo de apoio social, de emergência, para apoiar os alunos até ao final do ano, sabendo que no ano seguinte eles vão ser beneficiados pelo sistema de ação social. Não temos de olhar só para os entram, temos de olhar também para os que saem.”

O melhor investimento no futuro é estudar

“É um bocadinho pretensioso da minha parte dar conselhos, mas o que posso dizer é que o melhor investimento que os jovens podem fazer no seu futuro é estudar, é aprender, é fazer o percurso de crescimento que as instituições do ensino superior e as universidades proporcionam.” Maria de Lurdes Rodrigues, a primeira mulher à frente do ISCTE, defende que nem sempre é fácil para os estudantes perceberem o que podem estar a perder ao abandonar o ensino superior, mas manterem-se nas universidades é um esforço que merece ser feito.

“Quando se abandona por motivos económicos, não posso dar conselho nenhum, e compreendo bem os sacrifícios que as famílias fazem. Mas quando a situação não é essa, quando o motivo for a atração por outras experiências, essa decisão vai ter efeitos negativos sobre o seu percurso e, no momento em que os estudantes estão no ensino superior, nem se apercebem do que estão a perder”, sublinha a reitora do ISCTE. Por isso mesmo, aconselha aqueles que agora entram no ensino superior a que resistam à atração do mercado de trabalho.

“É difícil para os jovens, quando têm 18, 19 anos, compreender isso completamente porque podem ser facilmente atraídos por uma situação no mercado de trabalho. A grande competição hoje com o ensino superior é o mercado trabalho e quando ele está com grande dinamismo muitos jovens são atraídos por ter uma qualquer oportunidade, até com medo de, mais tarde, não encontrarem emprego. E precipitam essa troca. Outros fazem-no por razões económicas porque é praticamente impossível sustentarem-se ou serem sustentado pelas suas famílias”, detalha a antiga ministra da Educação. Para estes últimos casos alerta para a necessidade de haver mais apoios sociais e de ser dada mais atenção a quem está no ensino superior e sofre de carências económicas. Para os demais, o conselho é outro.

“Para garantir o futuro não há nada melhor do que estudar. Não estou a dizer que vão ser felizes porque estudaram, não. O que digo é que a probabilidade de ter uma vida melhor aumenta muitíssimo”, conclui Maria de Lurdes Rodrigues.

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