Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Foi um fiel entre os fiéis e dentro desses, porventura, o mais fiel. Pedro Santana Lopes pode por isso — embora não o faça — reclamar-se da convicta constância com que sempre serviu Sá Carneiro. Começou a trabalhar com ele aos 22 anos, convidado pelo próprio Sá Carneiro, com quem nunca se confrontaria nem romperia. Viu e ouviu muita coisa, não esqueceu nenhuma. É essa fidelidade que hoje lhe confere a legitimidade que me interessou: a de alguém que pudesse percorrer o “sá carneirismo” com atento conhecimento de causa. Não usou de saudosismo estéril, antes de boa memória, rigor e igual gosto pelo combate político.

O resultado será porventura por muitos confundido — erradamente — com uma hagiografia, enquanto outros recordarão ou descobrirão porque é que Sá Carneiro mereceu a pena ao país:
“ O dr. Sá Carneiro viveu e morreu sem nunca ver uma democracia plena em Portugal. Foi esse o seu grande combate, sempre o mesmo.” Subentendido: o que explicará tudo o resto, das acusações de “radicalismo”, à estranheza de certas atitudes, passando por cisões e dissidências.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.