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▲Protesto estudantil em Clermont-Ferrand

Hans Lucas/AFP via Getty Images

▲Protesto estudantil em Clermont-Ferrand

Hans Lucas/AFP via Getty Images

Escolas a ferro e fogo, violências nas ruas e o papel de Mélenchon. França pode viver um novo Maio de 68?

Milhares de jovens protestam contra condições nas escolas. Governo culpa Mélenchon e acusa-o de "semear caos" antes de eleições. Candidato rejeita acusações e diz que nunca incitou à violência.

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“Estamos a testemunhar o movimento mais poderoso nas escolas secundárias e em faculdades desde o Maio de 1968.” A comparação foi feita pelo candidato presidencial da França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, que recordou as históricas manifestações estudantis que paralisaram o país. Passados 58 anos, milhares de jovens voltaram a sair às ruas de várias cidades francesas para protestarem contra a falta de investimento na área da Educação.

Os protestos escalaram e ganharam contornos violentos. As forças de segurança francesas já lançaram gás lacrimogénio e canhões de água para conter os manifestantes, que deixaram um rasto de destruição em cidades como Lyon, Paris e Marselha. Esta terça-feira, na capital, 256 mil jovens (os sindicatos contestam esta versão das autoridades e apontam para 450 mil) juntaram-se numa massiva manifestação que causou distúrbios. No meio desta tensão, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que não haveria aulas até ao final desta semana nas escolas secundárias.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, tem evitado pronunciar-se sobre o assunto, confiando no Governo a gestão dos protestos. Esta terça-feira, ainda assim, reagiu e marcou uma reunião no Palácio do Eliseu com o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna, Laurent Núñez, e o da Educação, Édouard Geffray, para debater o assunto. Durante o encontro, como apurou o Le Parisien, o chefe de Estado admitiu estar “irritado” com a situação, acreditando que “a resposta da polícia foi muito dura e carente de empatia”.

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▲ Cartaz com referência ao maio de 68

Hans Lucas/AFP via Getty Images

Numa situação politicamente delicada, os líderes estudantis não dão sinais de recuar e exigem que o Governo aja, destinando mais verbas para a Educação. Porém, o Executivo de Sébastien Lecornu encontra-se a negociar o Orçamento do Estado num contexto bastante complexo. França atravessa uma situação económica conturbada, registando um aumento recorde da dívida pública e estando sob pressão dos mercados internacionais.

Perante a Assembleia Nacional, esta terça-feira, Sébastien Lecornu tentou tranquilizar os ânimos. Criticado por não responder e desvalorizar inicialmente os protestos, o líder do Governo disse que o “descontentamento” e a “angústia” expressos pelos estudantes eram “reais” e que mereciam ser ouvidos. Mas o primeiro-ministro apelou a que não haja “exploração política” destas manifestações, apontando diretamente o dedo a Jean-Luc Mélenchon.

A sete meses das eleições presidenciais e com a União Nacional a liderar as sondagens, o candidato da LFI surge já em alguns estudos de opinião como sendo o rosto que vai enfrentar Marine Le Pen numa eventual segunda volta. Neste cenário, Sébastien Lecornu e várias vozes do Governo estão a acusar Jean-Luc Mélenchon e a França Insubmissa de estarem a “semear o caos” para obterem dividendos políticos. “A realidade é que a LFI é ambígua em relação à violência porque a violência faz parte do seu projeto político de mergulhar o país no caos até às eleições presidenciais”, atirou o primeiro-ministro.

Como começaram os protestos?

Esta onda de protestos começou no liceu Saint-Exupéry, nos subúrbios de Paris, em meados de setembro. Um grupo de professores protestou contra a falta de funcionários e as condições em que trabalhavam. Rapidamente, os alunos juntaram-se às manifestações. Nas redes sociais, este protesto ganhou uma massiva dimensão. Mesmo que as reivindicações naquela escola tenham sido satisfeitas pelo Ministério da Educação, o movimento já se tinha espalhado e estudantes de várias cidades começaram também a manifestar-se.

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▲ Liceu de Saint-Exupéry

AFP via Getty Images

Líderes estudantis como Manès Nadel e Ryad Rani, atual presidente da União Sindical dos Liceus — a organização que representa mais alunos do ensino secundário —, apelaram a que os alunos protestassem contra as condições precárias nas escolas que frequentam e que saíssem às ruas para exigir ao Governo um maior investimento na Educação.

Os protestos rapidamente ganharam contornos violentos. Em várias cidades francesas, os manifestantes bloquearam as entradas das escolas, incendiaram caixotes do lixo, montaram barricadas e agrediram professores e estudantes que se recusavam a juntar-se às manifestações. Estima-se que cerca de uma centena de escolas tenham ficado danificadas e mais de mil tenham sido encerradas à força. As forças de segurança tiveram de ser acionadas para múltiplos locais, registando-se violentos confrontos com os participantes nos protestos.

Entretanto, os alunos do ensino superior também se juntaram à onda de protestos. Nas faculdades de várias cidades, os universitários protestam contra o aumento do custo de vida, a falta de habitação e a degradação das infraestruturas, exigindo o reforço da ação social escolar e um maior financiamento para as universidades públicas. No mesmo sentido, muitos encarregados de educação juntaram-se às manifestações em solidariedade com os estudantes.

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▲ Protestos em Paris

AFP via Getty Images

A “extrema-esquerda infiltrada” e as queixas de violência da polícia

Desde o início dos protestos, a 17 de setembro, pelo menos 215 estudantes ficaram feridos, a “grande maioria” em acidentes causados por terceiros, segundo dados avançados pelo Governo. Adicionalmente, cerca de 700 agentes das forças de segurança e cem funcionários escolares registaram ferimentos durante as manifestações. A gravidade dos confrontos levou mesmo a que um jovem de 15 anos perdesse uma mão, esta segunda-feira, na sequência da explosão de uma granada durante os distúrbios com as autoridades.

O ministro da Educação francês lamentou que haja uma “grande violência” nos protestos. E denunciou que vários “elementos de extrema-esquerda” — que não são estudantes —, “se estão a infiltrar” entre os “movimentos estudantis”, “sequestrando-os”. “Atacam a polícia e comportam-se de maneira indesculpável”, criticou o governante, que defendeu que este tipo de violência deve ser “punido”.

Paralelamente, crescem as denúncias sobre o uso excessivo da força por parte das autoridades, com os manifestantes a acusarem a polícia de não agir com a proporcionalidade perante menores de idade. Dos cerca de 6.100 detidos desde o início desta vaga de protestos, estima-se que 87% tenham menos de 18 anos, tendo já sido abertos dezenas de inquéritos internos para apurar se houve abusos do uso da força.

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▲ Manifestantes acusam a polícia de não agir com a proporcionalidade perante menores de idade

Getty Images

Ao Guardian, Livia, uma estudante de 17 anos nos subúrbios de Paris e que participa nos protestos, expressou o que muitos manifestantes como ela sentem: que a polícia está a ser “extremamente violenta”. “Isto é violência estatal e é horrível ver a polícia a atingir crianças. É importante lembrar que isto é violência institucionalizada, é planeada e deliberada”, frisou.

Perante as críticas, o ministro da Administração Interna de França recusou, numa entrevista esta terça-feira, que as forças de segurança tenham atuado sem proporcionalidade. “Quando há vandalismo, professores a serem ameaçados e riscos de invasão, não se pode pedir outra coisa que não a intervenção da polícia para restabelecer a ordem pública”, argumentou o responsável, sublinhando: “A proporcionalidade de uma ação não é julgada pelas suas consequências; é o contexto em que ela foi iniciada que deve sempre ser levado em consideração”.

E o primeiro-ministro veio garantir, na Assembleia Nacional esta terça-feira, que o Governo não deu quaisquer “instruções políticas” para que haja “repressão policial”, como estão a acusar alguns estudantes e os membros mais radicais da França Insubmissa. “Isso é falso, é uma mentira e lança dúvidas sobre a polícia da República”, atacou, reconhecendo: “Numa operação de ordem pública tão sensível, acidentes podem acontecer? A resposta é sim”.

"Numa operação de ordem pública tão sensível, acidentes podem acontecer? A resposta é sim."
Sébastien Lecornu, primeiro-ministro francês

O que pretendem os manifestantes? Melhores condições, mas há críticas à segregação

Nos bairros periféricos das grandes cidades, onde se fixaram muitas comunidades de imigrantes nas últimas décadas, a população jovem aumentou significativamente a partir da última década. Este crescimento demográfico criou uma forte pressão sobre o sistema escolar — e o Estado não conseguiu responder adequadamente. Como recorda a CNN Internacional, as escolas secundárias francesas têm hoje menos professores do que em 2008 e cerca de 70% das salas de aula do ensino público têm mais de 30 alunos.

Muitos estudantes sentem que as infraestruturas se estão a degradar, que as turmas são demasiado grandes, que não há professores ou funcionários necessários e que a entrada no ensino superior está progressivamente mais difícil. Ao Le Monde, Kennan, aluno numa escola de Seine-Saint-Denis, nos arredores de Paris, explicou que está a protestar porque exige mais recursos para a sua escola. “As casas de banho estão frequentemente fechadas, não temos enfermeiros e os professores nem sempre são substituídos”, relatou, confessando estar “preocupado consigo e com todos os alunos em França”.

A degradação das condições das escolas motiva vários jovens a saírem às ruas, mas não é o único fator. Muitos jovens filhos de imigrantes, oriundos de meios urbanos mais desfavorecidos, sentem que o próprio sistema escolar os segrega, especialmente na entrada para o ensino superior. Esse sentimento é particularmente expressivo entre a comunidade muçulmana — para quem o crescimento nas sondagens de Marine Le Pen gera apreensão e a possível chegada ao Palácio do Eliseu os assusta.

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▲ Protesto estudantil com a bandeira da Palestina e da França Insubmissa

Hans Lucas/AFP via Getty Images

Numa escola em Sevran, perto da capital, Mohamed foi um dos estudantes que participou no bloqueio da entrada. Ao som de slogans a afirmar que “a juventude afronta a União Nacional” e rodeado por bandeiras da Palestina, o jovem contou ao Le Monde que já lhe disseram que não era “francês” durante os protestos: “Fiquei chocado. Nasci em França e tenho os meus direitos”. Por isso, para alguns dos manifestantes, esta vaga de indignação tornou-se uma forma de expressar a revolta contra um processo de integração que sentem nunca se ter concretizado.

Esta segunda-feira, vários movimentos estudantis juntaram-se para criar um manifesto com dez medidas de emergência que exigem que o Executivo ponha em prática. Criticando as “infraestruturas dilapidadas, a fome entre os estudantes, a falta de professores e a seleção social e racista” no acesso ao ensino superior, as organizações de estudantes reivindicam a criação de mais vagas nas universidades, um plano de emergência para a renovação dos edifícios escolares, um horário escolar mais leve, a contratação de mais professores, o aumento das bolsas de estudo e refeições nas cantinas a um euro.

O que o Governo tem feito para acalmar as manifestações?

As perspetivas económicas para França estão longe de ser favoráveis para 2027. O défice nas contas públicas e a pressão dos mercados internacionais terão impacto no Orçamento do Estado que está a ser negociado pelo primeiro-ministro e que terá de ser aprovado ou pelo centro-esquerda (PS) ou pela União Nacional. Sébastien Lecornu pretende reduzir as despesas estatais, o que confere ao Governo uma margem de manobra bastante reduzida para responder a todas as exigências dos manifestantes.

epa12628466 French Prime Minister Sebastien Lecornu leaves the Elysee Palace after the first Council of Ministers of the year in Paris, France, 05 January 2026.  EPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON

▲ Sébastien Lecornu já tomou as primeiras medidas

CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Ainda assim, o chefe do Executivo ordenou aos seus ministros que tomem medidas imediatas para responder ao descontentamento estudantil. O primeiro-ministro quer garantir que nenhuma turma fica sem professores, propõe o alargamento do intervalo de almoço, a par de uma redução da carga horária das aulas. O Governo também prometeu alocar verbas de emergência para reparações urgentes em escolas mais degradadas.

Apesar de o contexto financeiro ser mais desfavorável, a proposta de Orçamento do Estado prevê para a Educação um aumento de 1,7% face a 2026. Ainda que seja um valor abaixo da taxa de inflação prevista, o orçamento da tutela atinge os 66 mil milhões de euros. A Educação costuma ser o setor que recebe a maior fatia das receitas, mas isso vai mudar no ano que vem. Num esforço para conter o défice e pagar o serviço da dívida pública, o primeiro-ministro pretende alocar 74,5 mil milhões de euros para esse efeito.

O Executivo continua a dar garantias de que fará todas as reformas ao seu alcance e tem prometido não desinvestir no setor da Educação. Contudo, após semanas de forte tensão, a tarefa de desmobilizar os protestos é complexa. Ao Le Monde, fontes do próprio Governo admitem que não será fácil terminar com esta vaga de manifestações. E assume-se que a resposta aos protestos foi tardia, reconhecendo que os primeiros bloqueios de liceus foram, numa fase inicial, levados como uma “brincadeira”.

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▲ Protestos em Bordeaux com a caricatura de Emmanuel Macron

AFP via Getty Images

Foi Mélenchon o responsável por agitar as ruas?

Parte da estratégia do Governo consistiu em culpar Jean-Luc Mélenchon pelas manifestações, recordando as fortes ligações que muitos sindicatos e movimentos estudantis mantêm com a França Insubmissa. Muitos dos protestos ocorrem ainda para mais em subúrbios das grandes cidades, onde o partido é bastante forte e tem um eleitorado jovem fiel. Partindo destes pressupostos, o primeiro-ministro acusou o candidato presidencial de querer “semear o caos” antes das presidenciais, expondo uma suposta estratégia da LFI para ganhar força antes das eleições.

À boleia dos protestos estudantis, a França Insubmissa poderia mobilizar a base eleitoral e conquistar novos apoios antes das eleições, que ocorrem daqui a meio ano. O partido atravessa um bom momento nas sondagens, algumas das quais preconizam que será Jean-Luc Mélenchon — e não um candidato da área centrista — a disputar uma eventual segunda volta contra Marine Le Pen. Ao colocar-se ao lado dos estudantes, a LFI procura consolidar-se como a principal força de oposição ao macronismo e ganhar votos com isso.

Em resposta, Jean-Luc Mélenchon rejeitou as acusações do Governo de que terá promovido a violência, embora nunca tenha negado o papel de alguns membros do seu partido no incentivo à contestação nas ruas. Num texto publicado no seu blogue no sábado, o líder da França Insubmissa sustentou que o Executivo encontrou no seu partido um “bode expiatório” para a onda de protestos. “Isso foi um erro. Deu-nos um aumento considerável de popularidade nas escolas, onde já tínhamos uma boa receção”, sublinhou o dirigente político.

epa12544411 La France Insoumise (LFI) party leader Jean-Luc Melenchon gives a speech at the La France Insoumise convention for the 2026 municipal elections in Aubervilliers, a Paris suburb, France, 23 November 2025.  EPA/TERESA SUAREZ

▲ Jean-Luc Mélenchon acusa o Governo de encontrar na França Insubmissa um "bode expiatório" para os protestos

TERESA SUAREZ/EPA

No texto, Jean-Luc Mélenchon apelava à participação nos protestos desta terça-feira, dizendo ser um “ponto de convergência e um ponto de partida” para defender a “ideia de uma nação unida que não considera a juventude um inimigo interno”. Dito doutro modo, o candidato presidencial quis testar as águas para ver como corriam os protestos. O líder da extrema-esquerda francesa antecipou que estas manifestações “darão início a uma série de eventos”.

Com os protestos estudantis, a França Insubmissa procura ganhar força e capitalizar a debilidade do Governo. Como escreve o Politico, Jean-Luc Mélenchon pretende tirar “vantagens” de um “outono de descontentamento”. Perante um Executivo sem maioria que precisa de apoios para aprovar o Orçamento do Estado — e sob forte pressão vinda das ruas —, o líder da oposição consegue perfilar-se como uma alternativa viável de poder, competindo com a União Nacional.

Um relatório dos serviços de informação franceses, citado pela imprensa francesa, indicou que a França Insubmissa mobilizou efetivamente os seus apoiantes mais radicais nestes protestos. Jean-Luc Mélenchon rejeitou diretamente essa tese, mas admitiu que os militantes do movimento se mobilizam “através de auto-organização e dos seus próprios representantes”. Ou seja, o líder político afasta a existência de ordens diretas da liderança do partido, mas não nega que a base esteja a alimentar a contestação nas ruas.

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▲ Manifestante com o cartaz: "Eu sou um símbolo anarquista, mas para o ano vamos votar todos na LFI"

Hans Lucas/AFP via Getty Images

A estratégia é, para muitos cientistas políticos, arriscada, mesmo que não seja totalmente admitida. Ao Le Monde, o especialista Antoine Bristielle assinalou que a “fúria e o medo, associados a assuntos sociais, podem beneficiar Mélenchon”. “Em contrapartida, há uma parte do eleitorado de esquerda está à procura de razões para não votar nele. E tudo isto pode convencê-los disso.”

A grande manifestação em Paris desta terça-feira não deverá terminar com a vaga de protestos nas escolas. Muitos estudantes pretendem continuar a manifestar-se e, mesmo sob forte pressão, o Governo tentará dar resposta a algumas das suas reivindicações. Nos bastidores, embora sem admitir diretamente o seu envolvimento, Jean-Luc Mélenchon espera obter dividendos políticos com os protestos e afirmar-se como o principal rosto da oposição ao Executivo.

[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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