1245kWh poupados 1245 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

epa12693138 Members of the media photograph the Space Launch System (SLS) rocket with an Orion capsule, part of the Artemis 2 mission, that is docked at Launch Pad 39B at the Kennedy Space Center in Titusville, Florida, USA, 30 January 2026. According to NASA, the Artemis II mission will conduct a crewed lunar flyby, the second in NASA's Artemis program. It will be the first human mission beyond low Earth orbit since 1972, designed to test spacecraft systems in preparation for future Moon landings.  EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH
i

CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

Explicador. Tudo o que precisa de saber sobre a Artemis II: a primeira missão tripulada à Lua em mais de 50 anos

Lançamento previsto para este dia 1 de abril às 23h24 (hora de Lisboa) a partir do Kennedy Space Center. Quem são os pilotos, como é a nave, o que se pode fazer lá dentro e para que serve a missão.

    Índice

    Índice

O protocolo de lançamento começou na segunda-feira, mas, se tudo correr conforme planeado, será pelas 23h24 (hora de Lisboa) desta quarta-feira, dia 1 de abril, que uma tripulação de quatro astronautas vai voltar a partir rumo à Lua pela primeira vez desde 1972. A janela de lançamento da Artemis II começou no início de fevereiro, mas sucessivos problemas colocaram o foguetão SLS entre a plataforma de lançamento e a “oficina” de montagem no Kennedy Space Center, em Cape Canaveral, na Flórida. Agora só o mau tempo poderá acender a luz vermelha, de resto a contagem decrescente está a contar.

Será uma missão de 10 dias em que os quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen (pela primeira vez uma mulher e pela primeira vez um negro, o piloto — vão fazer algo que não era feito há mais de 50 anos. Ver a Lua, de perto (mas não caminhar sobre ela), e fazer observações que de outra forma seriam impossíveis em Terra. Acima de tudo, esta segunda missão do programa Artemis, que culminará com os primeiros passos de uma base lunar semi-permanente, tem como principal objetivo testar os sistemas a bordo da cápsula Orion, desenvolvida em parceria com a ESA, que transportará, daqui a cerca de dois anos, outros quatro astronautas, aí sim, até à superfície lunar.

O lançamento será transmitido pela NASA em todos os canais oficiais — incluindo no YouTube — gratuitamente, acompanhado de várias horas de conteúdos informativos nos momentos antes e depois do lançamento, onde se vão explicar as várias questões técnicas que estão implicadas nesta missão, bem como constantes atualizações relacionadas com o voo que durará pouco mais de uma semana.

10 dias de viagem, uma passagem pelo polo sul e (muitos) testes. Quais são os objetivos desta missão?

A missão Artemis II, apesar de configurar um marco histórico para a exploração espacial, é vista pela NASA como um “voo de teste”, apenas porque não vai ser nesta ocasião que vamos voltar ver astronautas norte-americanos a caminhar sobre a superfície lunar. A segunda missão do programa espacial vai confirmar o funcionamento dos sistemas de apoio a bordo tanto do foguetão Space Launch System (SLS), como da cápsula Orion, onde os quatro membros da tripulação irão seguir durante os 10 dias de viagem.

Como esclarece a NASA, existem cinco prioridades. A primeira, como já foi referido, é demonstrar que os sistemas estão funcionais durante a viagem e que a equipa tem todas as condições que precisa para sobreviver à árdua tarefa da exploração espacial — tal como à longa viagem de regresso a Terra. Para além dos sistemas de apoio à tripulação, vão testar a operacionalidade das diferentes tecnologias antes de descolarem e por todas as etapas de voo e aterragem. Será necessário avaliar a qualidade das capacidades de emergência a bordo da nave, como os protocolos de resgate e, em casos extremos, se for necessário abortar a missão a qualquer altura da viagem.

No total, serão 10 dias de teste de sistemas, com muito pouca exploração espacial propriamente dita. Haverá, no entanto, alguns momentos de “tempo livre” no regresso e ainda menos de uma hora dedicada unicamente à observação. Este intervalo, que durará entre 30 a 50 minutos, ocorrerá na passagem mais próxima da Lua. Nessa altura, vão perder comunicações com a Terra e, por isso, vão aproveitar para tirar fotografias, vídeos e registar qualquer tipo de observações que possam fazer de um ângulo que não é visto por humanos há meio século. Quando o “blackout” de comunicações terminar, partilham tudo aquilo que registaram com a equipa de cientistas “cá em baixo”.

epa12693133 The Space Launch System (SLS) rocket with an Orion capsule, part of the Artemis 2 mission, is docked at Launch Pad 39B at the Kennedy Space Center in Titusville, Florida, USA, 30 January 2026. According to NASA, the Artemis II mission will conduct a crewed lunar flyby, the second in NASA's Artemis program. It will be the first human mission beyond low Earth orbit since 1972, designed to test spacecraft systems in preparation for future Moon landings.  EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

Duas voltas completas à Terra e uma volta à Lua. Qual é a trajetória que vão percorrer e quanto tempo durará a missão?

A contagem decrescente começou com 49 horas e 50 minutos e a incerteza permanecerá mesmo até ao “three, two, one“. Mas admitindo o sucesso do lançamento e que o SLS levanta voo naquele horário, todos os minutos da missão estão já previstos pela equipa que a preparou.

A NASA sabe, por exemplo, que exatamente oito minutos e 15 segundos após a descolagem, o primeiro estágio do foguetão vai separar-se do restante corpo, e que este só deve aterrar num local controlado do Oceano Pacífico duas horas e oito segundos depois. O mesmo aplica-se para a separação do módulo superior do SLS da cápsula Orion, cujo processo terá início três horas, 24 minutos e 15 segundos após o lançamento. E esta informação será verdadeira se a Artemis II for lançada exatamente às 23h24 desta quarta-feira, dia 1 de abril, ou em qualquer outra data da janela de lançamento.

O início da missão não verá grandes diferenças comparativamente com outras operações espaciais. Vai descolar “com uma potência superior a 8,8 milhões de cavalos” e à medida que o foguetão vai escapando às camadas atmosféricas da Terra, vai se separando dos boosters e dos diferentes módulos. Os motores vão ser desligados quando chegarem oficialmente ao Espaço — e, aos oito minutos e 15 segundos, haverá a tal separação do primeiro estágio do SLS.

A cápsula Orion ficará “só” no transporte dos astronautas ao fim de uma volta completa da Terra e, passando de órbita baixa para órbita alta, vai fazer um loop adicional ao Planeta antes de iniciar os seus motores para definir a rota rumo à Lua. Isto acontecerá já no segundo dia de missão e marcará a saída da nave da órbita terrestre. A viagem até à Lua vai durar cerca de três dias e, antes de “irem dormir” no quinto dia de voo, a gravidade da Lua vai exercer mais força sobre a nave do que a gravidade da Terra.

Um dos poucos detalhes que é difícil prever de antemão é a distância a que a tripulação vai passar da Lua. Este fator depende do dia do lançamento, pelo que pode variar entre os 6.400 km e os 9.600 km da superfície lunar (se for lançado esta quarta-feira, a Orion deverá passar a cerca de 6.500 km da superfície). A Artemis I chegou a passar a pouco mais de 100 km da Lua, mas esta distância continua a ser a passagem mais próxima feita por um humano em mais de 50 anos. “A Lua vai parecer que tem o tamanho de uma bola de basquetebol à distância de um braço esticado”, descreve a NASA sobre aquilo que a tripulação deverá observar.

Depois do loop lunar, a cápsula Orion vai abandonar este campo de influência da Lua e vai dirigir-se até à Terra à boleia da gravidade. O regresso será mais rápido que a ida. Se os quatro astronautas dão a volta à Lua entre o sexto e o sétimo dia de viagem, os restantes dias são compostos pela viagem de regresso à Terra. A aterragem será ao 10.º dia, mas antes, a cápsula irá ejetar o módulo onde se encontram os motores e, assim, ficará exposto o “escudo de calor” que vai proteger a tripulação da elevada temperatura de reentrada no planeta (que deverá chegar aos 1.600 ºC).

Nesta altura, enquanto a cápsula absorve o calor e o outro módulo ejetado é queimado pela atmosfera terrestre, a tripulação deverá perder comunicações com a equipa na Terra. Mas ultrapassada esta fase, serão acionados os paraquedas que irão travar a nave a partir de uma altitude de cerca de 7.600 metros, reduzindo a Orion a uma velocidade perto dos 500 km/h. À medida que a altitude vai diminuindo, mais paraquedas serão ativados e os últimos nesta sequência, com 35 metros de diâmetro, vão permitir o splashdown no Pacífico a pouco mais de 27 km/h.

A cápsula, no primeiro contacto com o mar, independentemente da direção em que aterra — seja de lado ou ao contrário —, irá acionar cinco airbags, umas boias de salvamento cor de laranja que vão permitir a saída da tripulação da Orion ao fim dos 10 dias da missão.

Se falhar o lançamento no dia 1, existem outras opções para lançar?

Já foram eliminados dois meses da janela de lançamento inicial da Artemis II. O ano de 2026 começou na expectativa de ver o SLS e a Orion nos ares a caminho da Lua logo em fevereiro, mas uma falha no fluxo de hélio para os motores no primeiro “ensaio geral”, quando já estava na rampa de lançamento, criou o primeiro atraso.

Os engenheiros da NASA tentaram resolver o problema in loco, sem ter de retirar o foguetão do local, e tudo parecia estar bem encaminhado para se lançar no início de março — caso não se levantassem mais questões nos ensaios seguintes. De facto, os ensaios correram conforme previsto, mas logo a seguir perceberam que o mesmo problema persistia. O fluxo de hélio continuava a registar interrupções e, por isso, foram mesmo forçados a retirar o lançador da plataforma para uma operação mais a fundo, fechando a porta, assim, a qualquer sonho de ver uma descolagem antes de abril.

▲ O Space Launch System, desenvolvido pela Boeing, é o foguetão que vai transportar os quatro astronautas da missão Artemis II

Isaac Watson/NASA

Mas o problema aparenta ter sido resolvido e, há cerca de duas semanas, o foguetão regressou à plataforma de lançamento. Agora, na véspera do T-0, a NASA garante que o tempo está favorável para a Artemis II levantar voo esta quarta-feira, no horário previsto. No entanto, se houver algum impedimento externo ou até uma falha menor detetada na nave ou no foguetão, continua a existir alguma margem de manobra para garantir que os quatro astronautas dão uma volta à Lua ainda em abril.

No calendário da NASA estão marcados os dia 1, 3, 4, 5 e 6, mas também o dia 30 de abril, que foi adicionado já posteriormente. Estas datas foram definidas com cerca de dois meses de antecedência, pelo que se for necessário estender a janela para maio ou junho — o que será possível dependendo da severidade do hipotético problema que impediu o lançamento. Se algo correr mal, o anúncio deverá ser feito no decorrer do mês de abril e, seguindo as regras atualmente em vigor, sobrará outra dezena de dias para conseguir levar esta missão histórica avante.

O primeiro homem negro, a primeira mulher e o primeiro canadiano. Quem são os astronautas que vão chegar à Lua 50 anos depois?

Três americanos e um canadiano. Depois de Eugene Cernan, Harrison “Jack” Schmitt, Ronald E. Evans, a tripulação da última missão do programa Apollo, chega a vez de Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen se juntarem à lista exclusiva de astronautas que seguiram da Terra rumo à Lua.

O comandante desta missão é Reid Wiseman. O norte-americano de 50 anos esteve mais de 160 dias na Estação Espacial Internacional (ISS), em 2014, e, neste período, conseguiu bater um recorde da ISS ao concluir mais de 82 horas de investigação científica no espaço de uma semana, abordando temas como a fisiologia humana, medicina, ciência terrestre e ainda astrofísica. Terá sido esta experiência e todos os estudos que liderou que o levaram ao cargo de chefe do gabinete dos astronautas da NASA, onde esteve durante dois anos entre 2020 e 2022, antes de ser destacado para dirigir este regresso da humanidade à Lua.

Se Wiseman é quem comanda a missão, Victor Glover será o responsável por garantir que o foguetão e a cápsula passam pelos sítios definidos previamente. O norte-americano de 49 anos, para além de piloto da Artemis II, será, também, o primeiro homem negro a ir até à Lua. Glover foi o piloto da primeira missão tripulada da SpaceX até à Estação Espacial Internacional. Foi em novembro de 2020 que fez com que a nave Crew Dragon — batizada “Resilience” — chegasse à ISS e marcasse uma nova era de naves espaciais do setor privado a chegarem a este espaço de cooperação internacional em plena órbita terrestre.

▲ Da esquerda para a direita: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen

NASA/Kim Shiflett

A responsabilidade de garantir que os objetivos técnicos da missão são cumpridos cabem a Christina Koch, que é a mission specialist da Artemis II. Tal como Glover, é astronauta há pouco mais de uma década, mas já tem experiência significativa em órbita, tendo passado quase um ano consecutivo na Estação Espacial Internacional (328 dias seguidos) e é pessoa na tripulação com mais tempo passado no Espaço. Será, também, a primeira mulher da história a aproximar-se da Lua. Koch, uma especialista em exploração espacial e uma engenheira de formação, trabalhou com o comandante Reid Wiseman no gabinete dos astronautas da NASA antes de ser selecionada para este cargo.

Por fim, o único membro da tripulação que não pertence à NASA e, desta forma, a primeira pessoa que não nasceu nos Estados Unidos da América a chegar à órbita lunar. Jeremy Hansen é um astronauta ao serviço da Agência Espacial Canadiana (CSA), que vai partilhar funções com Christina Koch enquanto mission specialist. Apesar de ser um astronauta experiente e de ter participado em várias missões internacionais de relevo, a missão Artemis II será a sua primeira experiência fora de Terra. Hansen é o único que nunca esteve na Estação Espacial Internacional, porque a CSA contribui para menos de 3% das atividades na ISS, pelo que só lá chega um astronauta canadiano a cada seis anos.

O lugar do canadiano Jeremy Hansen a bordo da Artemis II, de acordo com a Space.com, foi garantido pela contribuição do Canadarm3, um braço robótico desenvolvido pela CSA com o propósito de ser instalado na Lunar Gateway — uma estação espacial que viria a ser desenvolvida no final desta década e enviada para órbita lunar, mas que foi cancelada pela NASA para começar o processo de construção da base na superfície da Lua a partir da quinta missão do programa Artemis.

Estes quatro astronautas vão ser os primeiros em mais de 50 anos a sair da Terra em direção à Lua, mas a tripulação que vai aterrar naquele satélite daqui a cerca de dois anos ainda não foi divulgada pela agência espacial norte-americana. Só se sabe que deverá integrar, também, uma mulher e um homem negro.

O foguetão “mais potente de sempre” e uma casa europeia para os astronautas. O que é o SLS e a cápsula Orion?

A construção do foguetão que vai transportar os quatro astronautas foi encomendada ainda durante o primeiro mandato presidencial de Barack Obama. O projeto de construção do Space Launch System (SLS) foi atribuído à Boeing e, em 2022, levantou voo pela primeira vez no âmbito da Artemis I e tornou-se no “foguetão mais potente alguma vez lançado pela NASA”. De acordo com a agência, tem “capacidades sem precedentes” que o tornam no “único foguetão” que conseguiria lançar quatro astronautas até à Lua.

Atualmente, na sua disposição na plataforma de lançamento do Kennedy Space Center, na Flórida, o SLS tem quase 100 metros de altura e pesa mais de 2,6 milhões de quilos com todo o combustível. Para referência, o SLS descola com uma potência 15% superior ao foguetão que detinha este título anteriormente, o Saturn V — utilizado durante as missões do programa Apollo. Esta configuração do lançador “oferece mais massa e volume de carga útil e energia de descolagem que qualquer outro foguetão”.

NASA/MSFC

“O SLS foi desenhado para ser adaptado, o que aumenta o número de possibilidades de tipos de missão que pode transportar, incluindo missões tripuladas até à Lua e até Marte”, descreve a NASA. O foguetão é “a espinha dorsal” da agência para a exploração no Espaço profundo e, com a cápsula Orion, cria todas as condições para missões ainda mais ambiciosas que a Artemis II.

A Orion será a casa dos astronautas durante estes 10 dias de missão, estando inserida no topo do SLS, mas preparada com diversos mecanismos de segurança que a podem separar do foguetão em caso de emergência em diferentes etapas da viagem. A bordo terão tanques e um dispensador de água, mas também um mecanismo para o aquecimento de comida. Terão acesso a uma sanita com um “design que simplifica a sua utilização tanto para homens como para mulheres” e também um espaço para conseguirem fazer exercício físico — algo crucial para os astronautas em viagem.

A cápsula está feita para albergar apenas quatro astronautas e têm as condições para os receber durante um máximo de 21 dias — algo que terá de ser melhorado quando chegar a altura das missões Artemis IV e V, uma vez que devem demorar cerca de um mês cada uma. Foi, também, desenhada em colaboração com a Agência Espacial Europeia. “Quando a Artemis II levar astronautas para além da órbita terrestre pela primeira vez em 50 anos, será a Europa a fornecer a energia que torna a missão possível”, explica a ESA.

NASA/MSFC

A verdade é que foi a Airbus que ficou responsável pelo módulo de serviço desta cápsula, pelo que todo o sistema de propulsão — composto por 33 motores que guiam e transportam os astronautas — foi construído pela indústria europeia.

Um programa extremamente ambicioso que sofreu inúmeros atrasos na última década. O que é o programa Artemis?

O nome é, claro, inspirado na deusa da Lua. E foi com inspiração divinal que a NASA, em 2017, desenhou um plano que, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, parecia extremamente ambicioso: uma aterragem na Lua em cerca de 10 anos. Quase uma década mais tarde, a cronologia das operações sofreu alterações, bem como o próprio teor das missões, mas é certo que a ambição não desvaneceu — mesmo que os objetivos iniciais não tenham sido cumpridos. Se a primeira missão, a Artemis I, deveria ter sido lançada ainda antes do programa ter sido batizado, em 2016, para testar o foguetão cuja construção havia sido encomendada por Barack Obama, esta acabou por só acontecer em 2022, após muitos atrasos.

O nome Artemis só surgiu em 2019 e foi nesta altura que o então vice-presidente dos Estados Unidos da América, Mike Pence, anunciou a primeira alteração dos planos. As botas dos astronautas norte-americanos teriam de pisar a superfície lunar até 2024, encurtando o prazo de preparação das operações por quatro anos. Regressando a 2026, é claro que este objetivo ambicioso acabou por não se concretizar e, agora, a missão que em tempos era a Artemis III passou para Artemis IV e voltou para o ano de lançamento inicialmente previsto quando a caneta de Donald Trump assinou a Space Policy Directive 1 — o documento que estabeleceu os planos espaciais norte-americanos — no seu ano inaugural como Presidente.

O programa Artemis, na sua configuração atual, está dividido em cinco partes. A primeira missão foi a Artemis I, que foi lançada em 2022, com o objetivo de lançar, pela primeira vez, o foguetão Space Launch System (SLS), desenvolvido pela Boeing, e a cápsula Orion, construída pela Airbus a pedido da Agência Espacial Europeia. Esta excursão inaugural não foi tripulada, tendo servido puramente como teste das tecnologias a bordo da aeronave.

Depois da Artemis II, naturalmente, seguir-se-à a Artemis III. No início deste ano, esta missão corresponderia à aterragem dos astronautas da NASA na Lua. Mas, entretanto, a administração da agência anunciou que iria criar uma missão extra entre a volta à Lua prevista para esta próxima semana e o pisar da superfície lunar. Agora, a terceira saída espacial do programa vai testar, em órbita terrestre baixa, as funcionalidades de um, ou dos dois módulos de aterragem lunar que estão previstos estarem concluídos nos próximos meses.

Se o foguetão foi desenvolvido pela Boeing e a cápsula pela Airbus, a NASA também decidiu recorrer ao setor privado para arranjar uma solução para aterrar no polo sul da Lua. Então, a SpaceX e a Blue Origin, empresas de Elon Musk e Jeff Bezos, respetivamente, concorreram e foi-lhes dada a oportunidade de desenvolver um módulo lunar que vai pisar a superfície ainda antes dos astronautas da NASA. E será em 2027 que pelo menos um destes sistemas — dependendo do estado de preparação — será testado na Artemis III, que ainda não tem um dia marcado para seguir para o Espaço.

Será, então, na primeira metade de 2028 que a NASA prevê o regresso humano à Lua ao estilo de Armstrong e Aldrin. O plano para a Artemis IV é, até, relativamente simples: dois dos quatro astronautas da tripulação colocam os pés na Lua, enquanto os outros ficam a controlar as operações na Orion. A aterragem será feita, então, utilizando os serviços ou da SpaceX ou da Blue Origin e a missão na superfície lunar vai durar “cerca de uma semana”, de acordo com a NASA. No total, os astronautas vão passar à volta de 30 dias no Espaço, entre operações na órbita lunar, a exploração do polo sul da Lua e os deslocamentos.

Por fim, a Artemis V vai abrir o caminho para quase uma década de outras operações na Lua. Em termos logísticos, será muito semelhante à missão anterior. Vai ser uma nova aterragem, prevista para a segunda metade de 2028 — sim, a NASA prevê duas aterragens lunares no mesmo ano, à semelhança do que aconteceu nas missões Apollo, entre 1969 e 1972. Será nesta última missão do programa que vai começar a implementação do programa Moon Base, a base lunar anunciada há uma semana que deverá garantir a presença “semi-permanente” do homem na Lua.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.