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No ano em que se assinalou o centenário da morte de Mário de Sá-Carneiro, realizou-se na Universidade de Roma Tre um colóquio chamado “Quando eu morrer batam em latas”. Durante os dias 21 e 22 de novembro de 2016, especialistas de várias nacionalidades reuniram-se na Cidade Eterna (que Sá-Carneiro achava “muito feia”) para discutir diferentes aspetos da obra do poeta português. O resultado desse resultou num livro, recentemente publicado. Com chancela da editora Abysmo e organização do investigador italiano Giorgio de Marchis, Mário de Sá-Carneiro: Quando eu Morrer Batam em Latas reune 18 artigos que analisam todas as facetas da obra do autor de Indícios de Ouro, “apresentando interpretações críticas e leituras que, sem dúvida, irão enriquecer e renovar a já ampla bibliografia consagrada a Mário de Sá-Carneiro”.

O artigo que o Observador agora publica, “Mário de Sá‐Carneiro e ‘O copo de café entornado no vestido branco da ideia duma inglesa tombée en enfance’, é da autoria de Steffen Dix, investigador do Centro de Investigação em Teolologia e Estudos de Religião (CITER) da Universidade Católica Portuguesa e responsável pela organização de 1915 — O Ano de Orpheu, livro publicado em 2015 por altura do centenário da da revista modernista.

Neste estudo, Dix “decifra”, segundo de Marchis, “o impacto que a Primeira Guerra Mundial teve na arte e na vida de Mário de Sá-Carneiro que, como é sabido, se encontrou, na altura das primeiras declarações de guerra, ainda em Paris”, cidade que se viu obrigado a trocar por Lisboa com a eclosão do conflito armado em 1914. Foi por essa altura que, nas suas cartas, começou a aparecer “de uma maneira cada vez mais nítida a utilização de um vocabulário que transmite uma angústia crescente, claramente provocada ou motivada pela Guerra”, escreveu Marchis na introdução de Quando eu Morrer Batam em Latas. Antes disso, Sá-Carneiro pareceu não se ter dado conta do que estava a acontecer à sua volta, embora o conflito fizesse manchete em todos os jornais da capital francesa.

Mário de Sá-Carneiro regressou a Paris, cidade que amava mais do que todas as outras, no verão de 1915. Durante a estadia em Lisboa, lançou, juntamente com Fernando Pessoa, a revista Orpheu, um dos seus mais importantes projetos. Suicidou-se menos de um ano depois, no quarto de hotel onde vivia. A guerra, que Dix acredita ter intensificado nele “o sentimento de perdição”, acabou dois anos depois.

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