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Artigo em atualização ao longo do dia

Em Espinho, na segunda-feira, foi comparada à Princesa Diana mal entrou na feira. Dois dias depois, em Famalicão, também numa feira e também logo ao início da visita, subiu um patamar nessa hierarquia. “Ah! Catarina… É a rainha. A rainha das mulheres”, disse uma popular a Catarina Martins. Atrás da líder do Bloco de Esquerda seguiam, de facto, três mulheres do partido: Marisa Matias, Mariana Mortágua e Joana Mortágua.

A caravana bloquista entrou na feira de Famalicão com pompa e circunstância. Uma banda com bombos e gaita de foles ia abrindo caminho. Na linha da frente, as quatro mulheres bloquistas eram o cartão de visita para quem tentava espreitar por cima do ombro da muralha de jornalistas que rodeavam a comitiva. “É a Catarina? Ela só tem metro e meio, como é que a vejo?”, questionava um popular. “Pelo menos vejo a Marisa”, consolava-se.

Tal como tinha acontecido nas eleições europeias, as mulheres da feira de Famalicão receberam em festa o BE. Também havia homens que cumprimentavam a líder do partido, mas a solicitação fazia-se tendencialmente no feminino. “CatarininhaJá estamos mais ou menos bem, mas precisamos de mais um bocadinho, um bocado mais na reforminha“, pediu-lhe uma senhora. “Tem razão, podemos fazer melhor. Contamos consigo”, retorquiu Catarina Martins.

As solicitações eram muitas e por vezes as mulheres do partido tinham de se dividir para responder a todos quantos queriam falar-lhes. “Você devia era candidatar-se aos globos“, disse um senhor com acentuado sotaque bracarense a Marisa Matias, que soltou uma gargalhada e resolveu a questão agradecendo. “Mas olhe”, insistiu o popular, “ajude-me aqui a puxar o carrinho”. Apontava para um atrelado que transportava pintos em caixas. A eurodeputada olhou com incómodo. “Eu ajudo… mas eles coitadinhos estão presos”. O semblante do senhor que os ia puxando mudou, ficando automaticamente circunspecto a olhar para Marisa Matias, e respondeu: “Mau… tu não és do PAN!” (e seguiu-se um palavrão).

Por esta altura, Catarina Martins prosseguia a tarefa de distribuir afetos aos vários feirantes que queriam dar-lhe apoio. A sua baixa estatura continuava a causar surpresa. “Imaginava-a maiorzinha… Tem um metro e meio? Não interessa! Corresponde a muitos homens de dois metros. Quem lhes dera a eles, menina”. O apoio feminino não parava de chegar. “Ah grande mulher! As mulheres pequenas são as maiores”, gritou uma sexagenária mais baixa do que a coordenadora bloquista. “Somos umas lutadoras!”, respondeu-lhe.

Os imprevistos nas feiras podem surgir a qualquer momento, mas Catarina Martins e a sua comitiva tiveram uma passagem quase imaculada pela de Famalicão. Dentro das mensagens mais políticas que iam sendo lançadas aos bloquistas poucas foram críticas. “Tire a maioria absoluta àquele senhor”, pediu-lhe uma comerciante. “A geringonça tem de tirar de lá a direita”, incentivou um outro. As mensagens negativas eram sussurradas entre dentes pelos que tentavam fugir da confusão da campanha. “Com uma reforma de trezentos euros tenho de os ouvir a eles que ganham milhões a dizer que está tudo mal… comecem por vocês“, soltou um indignado popular que via de longe a caravana a passar.

Ora foi precisamente pelas pensões que Catarina Martins pegou. Referindo-se à manchete do Jornal de Negócios desta quarta-feira, que dá conta de que o Estado perdeu, em 2016, 630 milhões de euros que seriam coletados através do IRC às multinacionais que recorrem a paraísos fiscais, a líder do BE introduziu a ideologia económica do partido na campanha. “Queria chamar a atenção para algo que ficámos a saber hoje: há 630 milhões de euros das empresas que fugiram aos impostos através de offhsores. São 630 milhões de euros que as maiores empresas portuguesas não pagaram. Impostos que eram devidos. Estes 630 milhões davam para quase cinco vezes de aumento extraordinário das pensões“,  criticou a líder bloquista.

Sobre o acolhimento que as quatro mulheres bloquistas tiveram ao longo da feira, a líder do BE lembrou que o partido é o que mais defende a igualdade de género. “No Bloco somos homesn e mulheres como em toda a sociedade, respeitamos toda a gente e levamos a igualdade muito a sério. Somos o partido da igualdade”, proclamou.