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O Ministério Público entende que João Conceição, o ex-consultor de Manuel Pinho e atual administrador da empresa REN – Redes Energéticas Nacionais, “aderiu” em janeiro de 2007 ao “pacto” acordado originalmente entre o ex-ministro da Economia, António Mexia e João Manso Neto para conceder alegados benefícios de 1,2 mil milhões de euros à EDP. Daí ter-lhe imputado dois crimes de corrupção passiva para ato ilícito no interrogatório que decorreu a 28 de novembro.

Mais: os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto entendem que tais alegados favorecimentos terão permitido que António Mexia e João Manso Neto “se mantivessem à frente da EDP até hoje, permitindo-lhes receber durante todos estes anos os inerentes salários, prémios e regalias de vários milhões de euros, ainda concretamente por determinar”, lê-se no despacho de indiciação de João Conceição, consultado pelo Observador nos autos do caso EDP.

Segundo o MP, os salários de João Conceição enquanto consultor do ministro Manuel Pinho terão sido alegadamente “suportados pela EDP” através da consultora BCG e do Millennium BCP entre janeiro de 2007 e maio de 2009. Além dessas contrapartidas, os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto entendem ainda que Conceição só terá ganho o seu cargo de administrador da REN por Pinho, “com conhecimento e em conjugação de esforços com os arguidos António Mexia e João Manso Neto”, ter alegadamente diligenciado pela sua nomeação para a administração daquela empresa. Mexia e Manso Neto são os suspeitos de terem alegadamente corrompido João Conceição.

João Conceição, que sempre afirmou que se limitou a dar conselhos e não tomou qualquer decisão, diz que não favoreceu a EDP nem recebeu qualquer contrapartida, rejeitando “em absoluto” o teor do despacho de indiciação com o qual foi confrontado no seu interrogatório de 28 de novembro nas instalações do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, na rua Gomes Freire, em Lisboa — no mesmo dia em que a cerca de 100 metros todas atenções mediáticas estavam centradas em Carlos Santos Silva, o alegado testa-de-ferro de José Sócrates, que estava a ser interrogado no âmbito da fase de instrução criminal da Operação Marquês.

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