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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Museus, teatros e festivais de música preparam-se para coronavírus, mas nem todos sabem o que fazer

Ainda sem planos de contingência, instituições culturais portugueses receiam chegada do covid-19. Junho terá primeiro grande festival de música, mas DGS ainda não contactou o Primavera Sound do Porto.

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[em atualização]

Perante a escalada no número de pessoas infetadas com o coronavírus em Itália e no resto da Europa — e depois do alerta das autoridades de saúde portuguesas de que o “risco para a saúde pública é considerado moderado a elevado” —, aumentam também os receios sobre o que possa acontecer em locais de grande afluência de público, como museus, monumentos, salas de espetáculos e festivais de música ao ar livre. Num inquérito às principais entidades públicas e privadas responsáveis por espaços e eventos culturais, o Observador concluiu nas últimas 48 horas que ninguém quer entrar em alarmismos, mas falta informação sobre procedimentos a adotar e quase aguardam por instruções da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O Governo garante que as salas de espetáculos e os monumentos e museus nacionais mais visitados estão a preparar-se para uma eventual epidemia em Portugal. O Ministério da Cultura informou esta semana que “está a diligenciar” para que “em todos os organismos” que tutela sejam implementados os “planos de contingência” que “a DGS já ativou para fazer face ao novo coronavírus”. Os únicos planos de contingência que a autoridade portuguesa da saúde tinha ativado até esta sexta-feira diziam respeito as orientações técnicas dirigidas a profissionais de saúde e não à administração pública em geral.

Um documento atualizado a 10 de fevereiro e disponível no site da DGS estabelece regras de atuação e prevenção dirigidas a “profissionais do sistema de saúde”. Apenas na quinta-feira de manhã, com data do dia anterior, foram publicados pela DGS os “procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em empresas“, segundo os quais “as empresas devem ter um plano de contingência específico para responder a um cenário de epidemia pelo novo coronavírus”, a elaborar pelas serviços internos de saúde e segurança no trabalho. No mesmo documento, a DGS pediu às entidades privadas que avaliem quais as “atividades imprescindíveis” e “aquelas que se podem reduzir ou encerrar, fechar, desativar”, sugerindo pela primeira vez desde o início da crise do coronavírus que há serviços que podem mesmo parar ou fechar portas temporariamente.

É incerta a necessidade de limitar acessos a monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa

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O Ministério da Cultura é responsável por salas como o Teatro Nacional de São Carlos e o Teatro Camões, o Teatro Nacional D. Maria II e o Teatro Nacional de São João, e por monumentos e museus como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Museu Nacional de Arte Antiga ou o Museu Nacional Soares dos Reis. Ao Observador, fonte oficial do gabinete da ministra Graça Fonseca explicou que as medidas da DGS “estão alinhadas” com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e “apontam para a o cumprimento, com as devidas adaptações, dos planos que foram utilizados aquando da gripe pandémica 2009-2010”, isto é, a Gripe A. Por enquanto, o Governo não comenta se o acesso a alguns espaços culturais poderá vir a ser reduzido ou suspenso.

Primavera Sound “será quase um tubo de ensaio”

Os receios estendem-se aos festivais de música que a partir de junho juntam muitos milhares de pessoas em diversos pontos do país. O primeiro grande evento deste género é o Primavera Sound Porto, dias 11, 12 e 13 de junho no Parque da Cidade, cuja lotação chega aos 30 mil espectadores. José Barreiro, da Pic-Nic Produções, admitiu na quarta-feira que o Primavera “será quase um tubo de ensaio”, por ser o primeiro no calendário, e revelou que não tinha sido contactado por qualquer autoridade de saúde. “Não somos autoridade, não podemos impor regras próprias de saúde nos nossos eventos, precisamos que nos digam o que é para fazer. Há dez anos, quando houve um surto de Gripe A, também ninguém nos contactou e como somos pessoas de bom senso tomámos na altura a iniciativa de distribuir desinfetante de mãos”, exemplificou.

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem recebido indicações atualizadas da DGS, as mesmas que estão a ser disponibilizadas ao grande público, e acompanha a situação através do gabinete clínico, pelo que serão tomadas medidas "em caso de necessidade”, garantiu o gabinete de imprensa.

“Estive esta semana com os organizadores do Primavera Sound Barcelona, que têm uma preocupação maior do que a nossa porque já há casos de coronavírus na Catalunha e estão numa cidade mais metropolitana do que o Porto, mas eles também não sabem o que fazer”, disse José Barreiro. “Contactaram as autoridades de saúde da Catalunha e não havia nenhuma recomendação em Espanha para preparar uma tentativa de controlo da doença.” O cancelamento do Primavera não se coloca, segundo o produtor, e só acontecerá “se o Estado decretar essa medida”.

Os organizadores do Super Bock Super Rock estão a acompanhar o tema “serenamente”, informou a produtora Música no Coração, do empresário Luís Montez. O festival do Meco, em Sesimbra, decorre este ano entre 16 e 18 de julho e em 2019 juntou 30 mil pessoas na primeira noite. Por estar a quase cinco meses de distância, faz com que o  coronavírus seja ainda um assunto cheio de interrogações. Fonte da produtora sublinhou que “se for o caso” serão implementadas e cumpridas “todas as indicações, sem exceção, dadas pelas autoridades competentes”.

Festivais de verão têm dúvidas e confiam que DGS transmitirá procedimentos a adotar

Mensagem idêntica foi enviada ao Observador por uma porta-voz do Rock in Rio Lisboa: “Estamos a aguardar indicações das autoridades competentes e iremos implementar todas as medidas que venham a ser necessárias”, apontou. O festival está marcado para os últimos dois fins de semana de junho, no Parque da Bela Vista. Na edição mais recente, em 2018, registou 280 mil espectadores.

Perante o primeiro caso suspeito de infeção pelo coronavírus nos Açores, identificado na Ilha Terceira, os organizadores do festival Tremor disseram na sexta-feira que estão “atentos mas otimistas” e para já não equacionam qualquer cancelamento, apesar de dois artistas programados serem oriundos de Milão e de Xangai, precisamente duas zonas especialmente afetadas pelo covid-19. A sétima edição do Tremor acontece na ilha de São Miguel entre 31 de março e a 4 abril e tem programadas mais de 30 bandas, DJs e produtores.

“Medidas preventivas” na Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem recebido indicações atualizadas da DGS, as mesmas que estão a ser disponibilizadas ao grande público, e acompanha a situação através do gabinete clínico, pelo que serão tomadas medidas “em caso de necessidade”, garantiu o gabinete de imprensa. A limitação do acesso aos jardins da Gulbenkian e ao museu, em função do risco de contágio pelo novo coronavírus, não era hipótese a meio desta semana e o cancelamento ou adiamento de espetáculos e exposições tammém não. Em 2018, último ano contabilizado, a Gulbenkian recebeu mais de 680 mil pessoas só no museu e nos concertos — uma média de 57 mil por mês.

A Casa da Música, no Porto, informou que se "mantém atenta à evolução da epidemia" e "prepara atualmente o plano de emergência caso se venha a constatar a contaminação do covid-19 na região do Porto". Esse plano de emergência baseia-se nos "procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em empresas" emitidos pela DGS e pensados para os trabalhadores, explicou uma porta-voz.

“A Fundação tem planos de contingência para situações de eventual surto epidémico. Não estamos a distribuir máscaras de proteção, mas podem ser facultadas em caso de necessidade. Os funcionários foram devidamente informados dos cuidados a ter e existem postos fixos com desinfetante”, acrescentou a mesma fonte. Além disso, “já foram tomadas medidas preventivas de reforço da limpeza e no sentido de aumentar a sua frequência, sobretudo em dias de maior afluência pública”. A fundação presidida por Isabel Mota sublinhou que quaisquer ações internas terão de ser alinhadas com as recomendações da DGS, do ECDC e da OMS.

Fechar os jardins da Gulbenikian ao público, ou limitar o acesso, é uma questão que ainda não se coloca

Já no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, que entre 23 a 26 de abril organiza o festival de música clássica Dias da Música (onde serão assinalados os 250 anos do nascimento de Beethoven), não está previsto qualquer cancelamento de eventos em função do coronavírus, assegurou a administração. “Qualquer alteração fundamentada será prontamente comunicada”, acrescentou.

O CCB recebeu entretanto orientações do Ministério da Cultura, que tem a tutela, no sentido de ser ativado um plano de contingência interno. “Na presente fase, de acordo com o plano de contingência interno, está prevista a sinalização de instruções em diversos locais e a instalação de dispensadores com solução alcoólica”, conforme indicações da DGS e do ECDC. “A utilização de máscaras é um procedimento que não se justifica na presente data”, explicou na sexta-feira à tarde a administração presidida por Elísio Summavielle. Limitar o acesso público ao edifício também “não está previsto nem se justifica” por enquanto.

Quanto à Casa da Música, no Porto, informou que se “mantém atenta à evolução da epidemia” e “prepara atualmente o plano de emergência caso se venha a constatar a contaminação do covid-19 na região do Porto”. Esse plano de emergência baseia-se nos “procedimentos de prevenção, controlo e vigilância em empresas” emitidos pela DGS e pensados para os trabalhadores, explicou uma porta-voz. “Ainda no âmbito deste plano estarão previstos os procedimentos relacionados com público” da instituição. Um dos próximos espetáculos da Casa da Música é um concerto a 13 de março com a Orquestra Sinfónica do Porto no auditório principal do edifício, a Sala Suggia, com 1.238 lugares.

Porto e Lisboa: municípios com abordagem diferente

Em suspenso e à procura de dados concretos estão outras estruturas culturais do Porto. A empresa municipal de cultura da cidade, que gere três salas de espetáculos e uma galeria de arte, não tinha recebido até meio da semana quaisquer contactos da DGS  e nem tinha planos de contingência em prática ou em definição. Segundo a assessoria de imprensa, a Ágora está “atenta” e disponível para “adotar as medidas aconselhadas” pelas autoridades de saúde. “Somente após notificação da DGS” haverá, por exemplo, distribuição de máscaras de proteção, de folhetos informativos ou de desinfetante de mãos juntos dos frequentadores do Teatro Municipal do Porto, Teatro Rivoli, Teatro Campo Alegre e da Galeria Municipal do Porto. A assessoria da Ágora informou que o encerramento destes espaços ao público e o cancelamento ou adiamento de espetáculos e eventos “será ponderado na devida altura” se necessário.

A Fundação de Serralves, que inclui o museu de arte contemporânea, a Casa de Serralves e a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, já implementou esta semana, por sua iniciativa, algumas medidas: "distribuição de informação preventiva por todos os colaboradores e o reforço das rotinas de higienização" nos vários núcleos, de acordo com a administração.

Ainda a norte, o presidente Coliseu do Porto soube pelas notícias das recomendações da DGS. “Não fomos contactados pelas autoridades”, indicou o gabinete de imprensa. Já esta sexta-feira, Eduardo Paz Barroso mandou distribuir dispensadores de gel desinfetante nas casas de banho utilizadas pelo público e ainda nos bastidores, nas áreas artísticas e nas áreas administrativas, além de cartazes e desdobráveis informativos. Por seu lado, a Fundação de Serralves, que inclui o museu de arte contemporânea, a Casa de Serralves e a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, já implementou esta semana, por sua iniciativa, algumas medidas: “distribuição de informação preventiva por todos os colaboradores e o reforço das rotinas de higienização” nos vários núcleos, de acordo com a administração. A fundação referiu ainda que “irá seguir os protocolos e boas práticas de atuação previstas para este tipo de situação que forem indicadas pelas entidades oficiais competentes”.

Sala principal do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa

Em Lisboa, a empresa municipal de cultura transmitiu ao Observador na quinta-feira à noite que já tinha entrado em contacto com a DGS e “está a seguir atentamente a evolução da epidemia e a tomar todas as medidas indicadas” pela autoridade de saúde. Fonte oficial acrescentou que a EGEAC, caso o surto atinja Portugal e em especial a cidade de Lisboa, “tudo fará para prevenir eventuais riscos de contaminação”, de acordo com “diretivas das autoridades” e “sem alarmismos”. Por enquanto, a estrutura responsável pela gestão de espaços como o Castelo de São Jorge, o Padrão dos Descobrimentos, o Cinema São Jorge ou o Teatro Municipal São Luiz assegura que já divulgou junto dos funcionários “as medidas de prevenção e os procedimentos corretos em caso de suspeita de contágio”.

Já esta segunda-feira, a administração da Altice Arena, em Lisboa, explicou que “dispõe de plano de contingência com base nos comunicados e orientações da DGS e OMS” e outras medidas “serão executadas mediante os desenvolvimentos existentes”. “Não está prevista qualquer limitação” no acesso ao recinto, por não haver recomendações nesse sentido por parte da DGS.

O Observador tentou contactar, até ao momento sem êxito, responsáveis pelo Coliseu de Lisboa. Também ficaram sem resposta pedidos de informação dirigidos aos produtores dos festivais NOS Alive e Paredes de Coura.

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