A notícia veio por carta e misturava, na mesma página, a convocatória para um “funeral” e, logo de seguida, para um almoço. No final da semana passada, o Conselho de Administração da Associação Mutualista Montepio Geral comunicou aos membros do (agora defunto) Conselho Geral a extinção “imediata” deste órgão, que fiscalizava a atividade do próprio Conselho de Administração. Questionada pelo Observador, fonte oficial alega que “a extinção do Conselho Geral não resulta, em caso algum, de decisão contrária à lei” e sublinha que essa foi uma decisão tomada ao abrigo dos novos estatutos que diz terem sido aprovados “em definitivo” pela tutela (Direção-Geral da Segurança Social). Mas um conjunto de associados que se opõem à atual administração tem muitas dúvidas sobre essa aprovação “em definitivo” dos estatutos, fala em “retaliação” e defende que a mutualista vai ficar sem este órgão de fiscalização numa altura delicada da sua História. A mutualista contrapõe que, enquanto não for eleito novo órgão, essa fiscalização é feita pela assembleia-geral.

Estes associados correspondem, largamente, aos que recentemente convocaram os jornalistas para lançar duras críticas à atual administração – liderada por Virgílio Lima, que “herdou” a presidência de Tomás Correia. O grupo inclui alguns membros do extinto Conselho Geral, figuras “desalinhadas” com a gestão desde o tempo de Tomás Correia, além de membros de listas concorrentes nos últimos atos eleitorais. Os primeiros foram surpreendidos no final da semana passada com a informação, transmitida pelo conselho de administração, que já não teriam de participar na reunião que estava agendada para este dia 19 de novembro porque o organismo tinha sido extinto – ao invés, foram convocados para uma “sessão de despedida, seguida de almoço” nesta sexta-feira, 20 de novembro.

Figuras como Eugénio Rosa, entre vários outros, insurgiram-se de imediato contra esta decisão de extinguir o Conselho Geral quando ainda não houve eleições para a futura “Assembleia de Representantes”, um organismo plural que, na prática, iria assumir o essencial das funções de fiscalização da gestão que sempre teve o Conselho Geral. Este organismo era composto por 23 membros, 11 nomeados por inerência e 12 nomeados pelos associados – incluía nomes diversos como a ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, o ex-vice-governador do Banco de Portugal João Costa Pinto, o líder da comissão de trabalhadores Carlos Areal e o ex-chefe de gabinete de Guterres e Sócrates Luís Patrão (a lista completa ainda está no site da mutualista, aqui).

A Assembleia de Representantes terá 30 membros, também representando as várias “sensibilidades” que existem na maior mutualista portuguesa, com cerca de 600 mil membros. Mas fonte oficial da mutualista, contactada pelo Observador, considera que “o Conselho Geral não é substituído pela Assembleia de Representantes” e que são dois órgãos que “não se confundem na sua natureza”.

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