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Nesta Lisboa, Eusébio viverá para sempre /premium

O King morreu há cinco anos. Há quatro o seu nome foi imortalizado numa avenida. Mas há sítios (e pessoas) onde ele nunca morreu, nem morrerá.

(este texto foi originalmente publicado a 5 de janeiro de 2015, no primeiro aniversário da morte de Eusébio)

Ir para casa. Naquela sexta-feira chuvosa, o terceiro dia de 2014, foi esse o conselho do barbeiro a um homem abatido e cansado. Descansar. Ter cuidado. Sentado na cadeira que sempre ocupava no cabeleireiro do Hotel Ritz, Eusébio, já com a barba feita, não tinha grande vontade de se mexer. As palavras do barbeiro revelaram-se mais certeiras do que alguém poderia prever. O King foi para casa, sim, mas não aquela onde dormia todas as noites. A casa que o recebeu, dois dias depois, foi a de toda a vida: o Estádio da Luz. Ali chegou já sem vida, para ser homenageado uma última vez.

Se por casa entendermos o local onde somos felizes, Eusébio era homem de muitas casas. Nos últimos anos de vida, o seu dia-a-dia era relativamente simples e passado quase sempre na Lisboa que o acolheu no início dos anos 1960, quando ainda só era uma jovem promessa do futebol nacional. De manhã dormia. Cerca das 14h, saía para almoçar na Adega da Tia Matilde, onde ficava várias horas. Depois, regressava a casa para descansar e, pelas 21h, voltava a sair, desta vez para a Marisqueira Sete Mares, onde chegava a estar até à 1h ou 2h.

Um triângulo pouco complexo onde as histórias e memórias se multiplicavam. “O Eusébio era assim: onde o tratavam bem e onde ele gostava de estar, estava”. Os olhos de António Caldeirinha ainda começam a marejar quando fala do maior goleador do Benfica. Foram amigos durante quase quarenta anos e, no ano e meio que precedeu a morte do atleta, Caldeirinha foi o seu motorista. “Se eu fosse mulher, era paixão para toda a vida”, ri-se, lembrando com saudade o dia em que conheceu o ídolo.

António Caldeirinha. A sua história com Eusébio começou com um Datsun Triesse

© Miguel Soares/Observador

Foi no fim dos anos 1960, quando Caldeirinha regressou do Ultramar e foi trabalhar para uma oficina de automóveis que era de um amigo de Eusébio. Certo dia, o jogador entrou pela garagem adentro e a amizade começou. “Montei-lhe um autorrádio num Datsun Triesse”, um automóvel que, na altura, só três portugueses tinham: Nené, Eusébio e Messias, todos jogadores do Benfica. Pelo trabalho na oficina e pela convivência que começou a ter com o King, Caldeirinha passou também a fazer parte da vida do clube encarnado. Conviveu com dezenas de jogadores e, a dada altura, o trabalho de mecânico levou-o para muito perto da casa de Torres, o Bom Gigante, de quem também era amigo. O mais curioso talvez seja que Caldeirinha nunca teve uma grande paixão pelo desporto-rei. “Nunca joguei à bola, nunca percebi nada de futebol”.

Futebol, o tema omnipresente na vida de Eusébio. Não havia, aliás, muito mais assunto de conversa quando se estava com ele. Em meados dos anos 1990, uma das casas do King era o restaurante A Paz, na zona da Ajuda. Ia ali muito frequentemente, praticamente todos os dias em alguns períodos dos cerca de 20 anos em que foi presença assídua. Nesse restaurante, deu-se a dada altura um encontro improvável: durante uns meses, o antigo futebolista jantava todas as quintas-feiras com o tenente-coronel Melo Antunes, militar de abril acabado de regressar de Paris, onde fora subdiretor da UNESCO. E de que falavam? Bola, pois claro.

João Martins Pereira, um fotógrafo frequentador de A Paz, foi uma testemunha privilegiada desses encontros. Sentava-se à mesma mesa que Eusébio e Melo Antunes, invariavelmente a segunda a contar da entrada, e com eles partilhava “noites delirantes”. Num “convívio que tinha uma graça tremenda”, a “inteligência finíssima e encantadora” do militar juntava-se à “memória prodigiosa” do Pantera Negra, que era capaz de passar horas e horas a recordar golos e jogadas que fizera. Afinal, estavam na presença de um vencedor da Bola de Ouro (melhor jogador do mundo) e duas Botas de Ouro (melhor marcador do mundo), que chegaram a ser exibidas no restaurante. “Era uma conversa com alguma leveza, com uns risos à mistura, uma coisa descontraída e descomprometida”, recorda o fotógrafo.

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O atual dono de A Paz é o filho do fundador da casa, já falecido, cuja amizade com jogadores do Belenenses levou o Pantera Negra às mesas do restaurante. Quando o antigo avançado por ali apareceu, Paulo teria uns 18 anos. “Melo Antunes quase não falava a ninguém, mas passado um ano ou dois de o Eusébio cá vir começaram a ganhar uma amizade imensa”, lembra o agora empresário, para quem aquele convívio era surpreendente. “Juntavam-se aqui a ver os jogos e a comentá-los” enquanto comiam os filetes de garoupa que deram fama à casa, ou o bife do lombo que Eusébio muito apreciava, ou as cabeças de peixe que atraíam muitos outros jogadores de futebol, não apenas do Benfica.

Quando o ex-futebolista chegou àquele restaurante da Ajuda, o ídolo de Paulo era Chalana (que, curiosamente, só lá terá ido uma vez), mas a presença do King rapidamente o deslumbrou. “Gostava de ouvir as histórias que ele contava” e, por vezes, quando o discurso de Eusébio não era tão fluente, Paulo ajudava-o com algumas palavras. E começou a ter as suas próprias histórias com o novo ídolo. “A certa altura, os miúdos sabiam que [ele] estava cá e queriam autógrafos.” Como o Pantera Negra não gostava de assinar papéis em branco, mandou fazer uns postais com a sua fotografia no Mundial 1966, com os quais andava sempre. Alguns deles ficaram ali, atrás do balcão, onde Paulo, “umas quatro ou cinco vezes”, com autorização de Eusébio, forjou a assinatura dele e deixou felizes vários adeptos.

"Fui confidente dele. Só não dormi com ele, mas conheci todos os seus segredos"
João Besteiro, barbeiro

UM DANÇARINO

“Eusébio, tem cuidado. Vai para casa”. Durante quase cinquenta anos, João Besteiro foi o homem que se encarregou de fazer a barba àquele que muitos consideram o melhor futebolista de todos os tempos. Naquela sexta-feira, 3 de janeiro, escassos dois dias antes da morte do King, foi da boca de Besteiro que saíram as palavras de aviso ao craque, para que se cuidasse. Aparada a barba, “ali ficou, um bocado, sem vontade, sem nada”.

O salão de cabeleireiro do Ritz fica num recanto discreto do hotel, onde se entra através de uma porta despretensiosa. Naquelas cadeiras, sentam-se diariamente dezenas de pessoas, muitas delas figuras públicas. Eusébio era cliente regular: todas as sextas-feiras, por volta das 13h30, ia ali aparar a barba, que deixava crescer durante o resto da semana. Era assim desde dezembro de 1960, quando Eusébio era um rapaz de 18 anos acabado de chegar a Lisboa com um nome falso, trazido por um dirigente do Benfica. “A primeira coisa que fez foi vir cortar o cabelo”, afirma João Besteiro, na altura a trabalhar na barbearia Brasília, ao Marquês de Pombal.

"Quem é que não sabe que o sr. Eusébio gostava imenso de whisky? Toda a gente sabe."
António Caldeirinha, motorista

Numa terra que não conhecia e entre gente estranha, Eusébio encontrou no barbeiro João a primeira amizade, que se extravasou para lá da relação comercial que os unia. “Fui confidente dele. Só não dormi com ele, mas conheci todos os seus segredos”, conta este sportinguista que costumava discutir futebol com o Pantera Negra e com quem, quando Eusébio ainda era solteiro, foi muitas vezes à Caves do Mundial e outras discotecas de música africana. “Se eu não fosse futebolista, era o maior dançarino do mundo”, brincava o jogador.

João Besteiro mudou várias vezes de salão e Eusébio foi sempre atrás. Depois dele, outros jogadores do Benfica começaram a aparecer também. No tempo de Béla Guttman, “toda a equipa cortava o cabelo comigo”, conta o barbeiro, hoje com 81 anos, a quem se ouvem algumas frases no presente, como se Eusébio ali estivesse. E, de certa forma, está. Naquela sexta-feira, 3 de janeiro, foi um homem visivelmente cansado e abatido que chegou ao Ritz. Sem disposição para nada, a estrela benfiquista nem sequer queria tirar uma fotografia para oferecer a uma menina que ali andava. Mas como era a filha do embaixador dos Emirados Árabes Unidos, de quem o Pantera era amigo, ele acedeu. Essa fotografia foi a última que tirou em vida.

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UM HOMEM DE HÁBITOS

Contrariando o conselho do barbeiro João, Eusébio saiu do Ritz e foi para outra casa: a Adega da Tia Matilde, no bairro do Rego. Foi a penúltima vez que ali almoçou. Voltaria, no sábado, 4 de janeiro, para a última ceia: robalo grelhado, que já não conseguiu comer até ao fim. A mesa que o Pantera Negra costumava ocupar é hoje uma espécie de altar à sua memória. Ninguém se sentou mais ali desde a morte de Eusébio, exceção feita à mulher e às filhas, que almoçaram naquela mesa no dia do pai, a 19 de março.

Além de uma lápide em plástico com a fotografia de Eusébio colocada em cima da mesa e de uma vela que se acende todas as noites, a parafernália de objetos evocativos da lenda do Benfica é vasta e surge mal se entra no espaço. Fotografias, caricaturas, recortes de jornais, galhardetes: tudo na decoração desta casa respira futebol. A aquisição mais recente é um busto em bronze de Eusébio, colocado logo no balcão da entrada, que chegou à Tia Matilde em maio de 2014, aquando da final da Liga dos Campeões que se jogou no Estádio da Luz. A estatueta veio de Boston, explica Emílio Andrade, dono do restaurante e sócio 68 do Benfica que acabou por também criar uma forte ligação com o goleador.

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“O Eusébio veio a esta casa ainda antes de regularizar a sua situação de jogador de futebol do Benfica”, conta. Em Lourenço Marques (Maputo, Moçambique), o Pantera representava o Sporting daquela cidade. Depois, veio para Portugal incógnito, onde era disputado pelos dois rivais da capital, Benfica e Sporting. Ninguém podia saber – especialmente no clube de Alvalade – que Eusébio já estava em Lisboa. “Domingos Claudino [dirigente do Benfica] levou-o a ver um Sporting – Académica no Estádio de Alvalade. Ele festejou quando o Sporting meteu um golo” e Claudino teve medo que alguém o reconhecesse, diz Emílio. À saída do jogo, a caminho de Lagos, onde foi passar um tempo até a situação estar regularizada, Eusébio almoçou ali pela primeira vez.

Foi a primeira de muitas vezes. Enquanto jogou, Eusébio parava na Tia Matilde pelo menos uma vez por semana, geralmente com colegas de equipa – Costa Pereira e Mário Coluna, mais habitualmente -, e só depois de abandonar os relvados e regressar definitivamente dos Estados Unidos (onde cumpriu uma época como jogador de futsal), é que passou a ser assíduo, almoçando ali praticamente todos os dias. Comia sobretudo peixe – grelhado, em caldeirada, em canja -, mas também tinha um gosto especial por carne (feijoada e cozido à portuguesa estavam entre os seus pratos favoritos).

Emílio, hoje com 93 anos, fala de Eusébio como “um filho adotivo”, cuja morte o apanhou de surpresa e o deixou “bastante abalado”, mesmo que, dia após dia, fosse vendo a estrela a esmorecer e a vida a fugir do Pantera. “Tinha tanto de boa pessoa como de bom jogador de futebol”, refere o dono da Tia Matilde, que rejeita a ideia de que o King fosse pessoa de excessos de álcool e comida. “Quem diz [isso], talvez não saiba o que diz. Não quer dizer que fosse um menino de leite, mas não se embebedava”.

"Primeiro a escola, depois a escola, depois a escola, depois o futebol"
Eusébio

UM “HOMEM TÍMIDO”

António Caldeirinha prefere falar de um Eusébio vivo do que de um Eusébio morto. “Ainda está muito fresco. Já estive duas vezes à porta do cemitério para entrar e não consegui”. Mas, pede, se é para falar de Eusébio em vida, que não se fale de fantasias. “Quem é que não sabe que o sr. Eusébio gostava imenso de whisky? Toda a gente sabe. Não era homem de andar em grandes mariscadas e grandes patuscadas”, diz. O King gostava de whisky, de vinho, de gin, de boa comida, de dançar, cantar, contar anedotas, ir a clubes de strip. Nada que o devesse envergonhar, dizem os amigos, que destacam que Eusébio era um “homem tímido” com um “enorme respeito” pela família.

José Morais foi, nos últimos sete ou oito anos da vida do ex-jogador, uma espécie de assessor de Eusébio. “Vivia quase 24 horas com ele, fazia um bocadinho de tudo”. Por isso, sabe exatamente qual era a Lisboa que Eusébio frequentava. Ao clube noturno Gallery, por exemplo, o King ia uma a duas vezes por mês, “para beber o seu copo e estar com os amigos”. Além dos restaurantes onde ia todos os dias, quase religiosamente, Eusébio ainda frequentava outros mais espaçadamente: o Pabe, o Via Graça, a Casa do Bacalhau, uma tasca na Calçada de Carriche onde se comia lampreia, um restaurante de Sesimbra que entretanto fechou e uma pizzaria nos Restauradores, que foi onde, em 2007, o antigo internacional português teve um primeiro problema cardíaco.

Morais lembra-se bem desse dia. “Foi nos 18 anos da minha filha que lhe deu o primeiro problema no coração”. A rapariga festejava o seu aniversário no andar de cima da pizzaria e José decidiu fazer-lhe uma surpresa, levando lá o Pantera Negra. Mas Eusébio não chegou a subir, pois começou a sentir-se mal. “Oh King, vamos embora”, dizia-lhe Morais. “Não, não”, respondia o ex-jogador. Acabaram por sair e Eusébio foi internado nesse mesmo dia no Hospital da Luz, onde foi operado. “Se tem ido para casa descansar, como ia sempre, tinha-lhe acontecido o que aconteceu quando faleceu”, refere Morais. Ainda hoje, o quarto onde King esteve internado no Hospital da Luz se chama “suite Eusébio”.

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UM MIÚDO ENTRE MIÚDOS

Nos locais por onde passou, nas pessoas a quem tocou, Eusébio continua vivo. E essa memória ganha expressão física. Na Adega da Tia Matilde e na Marisqueira Sete Mares, onde jantava praticamente todas as noites (e onde, certa vez, se esqueceram que ele lá estava e apagaram as luzes), as mesas de Eusébio nunca mais foram usadas. No restaurante A Paz tal não era possível, porque o espaço é diminuto. Mas o Pantera está imortalizado num busto, único no mundo, de que Paulo fala com orgulho. “Foi para uma negociata: este é o busto original, o molde, era para ser feito em miniaturas e vendido”. Com o tamanho real da cara da lenda do futebol, o busto é de 1995, foi assinado por Eusébio e acabou por ficar na casa por ter sido ali que o jogador e o negociante de bustos celebraram contrato.

O restaurante A Paz foi fundado pelo pai de Paulo, António, e tinha à frente da cozinha a mãe, Elvira, autora dos tão famosos filetes de garoupa que atraíam Eusébio, João Martins Pereira, Melo Antunes, Fernando Nogueira, Humberto Coelho, Magnusson, Coluna e tantos outros. Além do que ali comia, Eusébio levava muitas vezes outros pratos para casa, como a mousse de chocolate que uma das filhas adorava. O próprio António, por vezes, levava comida ao hospital onde o ex-jogador era frequentemente internado, por breves períodos, devido a problemas no joelho.

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Esses problemas no joelho, resultado de anos e anos de infiltrações e lesões mal curadas, impediam-no de dar grandes voltas, o que justifica que a rotina dos últimos anos de vida fosse tão simples. Quando ia ao estrangeiro, José Morais assegurava uma cadeira de rodas ao Pantera para toda a estada e todas as deslocações eram pensadas para evitar esforços desnecessários. Apesar das dificuldades de locomoção, acompanhar o Benfica, a seleção nacional e “coisas que houvesse com miúdos” eram indispensáveis. Tanto José Morais como Caldeirinha relembram Eusébio como um homem “muito carinhoso para as crianças”, que tinha um grande prazer em falar com os mais pequenos. Costumava dizer-lhes: “Primeiro a escola, depois a escola, depois a escola, depois o futebol”.

“Uma vez fomos almoçar a uma churrasqueira em Famões”, relata Caldeirinha para exemplificar o carinho do King pelas crianças. “Nunca mais me esqueço que o miúdo, filho do dono, a falar com o Eusébio sobre futebol, parecia que estava a falar com um miúdo da idade dele.” Outro episódio: quando o filho do meio de Paulo nasceu, foi ele próprio, Eusébio, que se ofereceu para ser padrinho de batizado (isso não chegou a acontecer).

"Tinha tanto de boa pessoa como de bom jogador de futebol"
Emílio Andrade, dono do restaurante Adega da Tia Matilde

UM IMORTAL

Para quem lidava com Eusébio diariamente, os problemas de saúde eram evidentes e agravavam-se a cada dia que passava. O próprio tinha também consciência disso, mesmo que não o verbalizasse. “Não tinha um dom da palavra muito grande, mas sabia tudo o que estava a acontecer [consigo]”, diz Caldeirinha, que recorda um homem muito divertido e brincalhão mesmo nas fases em que andava mais em baixo. “Era um gozão de primeira apanha, ria-se como um perdido”. E pregava partidas. Ora fazia Caldeirinha levantar-se a meio da noite alegando problemas no carro que não existiam só para que o motorista lhe fosse fazer companhia à Sete Mares, ora o deixava irritado por ter de pagar mais de cinco contos nas portagens da A1 sozinho, para depois lhe dar um envelope da Brisa, fingindo que tinha sido a concessionária a devolver-lhe o dinheiro.

Tantas eram as brincadeiras entre o grupo que andava com o Pantera que Caldeirinha nem acreditou quando lhe ligaram a informá-lo da morte dele. Depois, confirmou que era verdade e foi das primeiras pessoas a chegar à casa de Eusébio. “Estava deitado, dava a impressão de que estava a dormir. Sempre pensei que o Eusébio aguentasse mais uns anitos. Aliás, ele às vezes na brincadeira dizia que ia viver até aos 100 anos.”

Eusébio era tudo isto. Um dos melhores futebolistas de todos os tempos, um homem que trocou a capital de uma colónia pela capital do império e cá fez sucesso, um embaixador do Benfica e de Portugal no mundo, um marido e pai de duas filhas, uma pessoa brincalhona que apreciava o seu whisky, um homem que se viu obrigado a emigrar para sobreviver, um jogador que tinha especial carinho em derrotar o Sporting e tinha nesse clube alguns dos maiores amigos.

Eusébio da Silva Ferreira morreu a 5 de janeiro de 2014, aos 71 anos, a escassos vinte dias do 72º aniversário. Foi sepultado no cemitério do Lumiar no dia seguinte, mas nesta Lisboa que ele frequentou, e que o acolheu, viverá para sempre.

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Andreia Reisinho Costa

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