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O advento da pandemia recuperou velhas questões que pareciam escondidas sob o manto da normalidade. Entre elas encontramos o conceito do “estado de exceção” e a discussão sobre a sua eventual banalização perante os imperativos da necessidade. Desde março de 2020 que se multiplicaram as referências, em textos de vários intelectuais europeus, ao ressurgimento do “mundo hobbesiano”. Afinal, Thomas Hobbes, o grande filósofo inglês do século XVII, tinha escrito precisamente a partir de um momento de exceção, da experiência da guerra civil. Falar da exceção parece remeter para uma revisitação da lógica hobbesiana.

Como que oportunamente, em 2021 cumprem-se os 370 anos da publicação do seu magnum opus, o Leviatã. Muitos são aqueles que não ficam indiferentes a uma referência da obra: o Leviatã é daqueles livros que nos dizem sempre alguma coisa – nem que seja, como evidencia o nosso subconsciente, uma certa aversão. A consciência dominante dos nossos tempos não pode deixar de observar Hobbes com a desconfiança natural de quem olha para o grande artífice do Estado absoluto contra o qual se moveram tantas lutas pelos modernos “direitos, liberdades e garantias”. No entanto, para quem se aventura a ler o Leviatã, percebe-se que se está perante uma obra excecional, um livro que aborda problemas imutáveis à condição humana. Publicado em 1651, reflete o espírito do seu tempo, com os seus conflitos e idiossincrasias. Atendendo à circunstância, o Leviatã foi, como disse um grande estudioso de Hobbes, uma “vitória dialética” – Hobbes foi também um homem que se envolveu nas controvérsias do momento, tomou partido, fez inimigos, lutou com as suas armas. Mas o Leviatã é uma obra incontornável precisamente porque ultrapassa a sua situação histórica: o argumento e as suas implicações não se podem reduzir à conjuntura, sob pena de não compreendermos o lugar de Hobbes como filósofo político e moral da modernidade. Passados 370 anos, o que nos diz hoje a grande obra do filósofo de Malmesbury?

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