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No passado dia 18 de Janeiro decorreram 85 anos sobre os acontecimentos revolucionários que, entre nós, culminaram a efervescência comunista, especialmente vigorosa durante a segunda metade do ano de 1933. Não me apercebi de qualquer referência mediática significativa à efeméride pelo que resolvi discorrer um pouco sobre o que realmente aconteceu… e a mitificação que ficou para a história. Na manipulação do relato “ajustado” à tendência hegemónica do PCP, a narrativa dos acontecimentos relacionados com a tentativa da greve geral de então ficou circunscrita quase por inteiro à Marinha Grande. E embora reconhecendo que o processo revolucionário não atingira os objectivos inicialmente ambicionados, os escribas comunistas não hesitaram em afirmar, para memória futura, que o 18 de Janeiro não fora uma derrota da “classe operária”, mas uma clara vitória do PCP.

O ano de 1933 fora um marco importante na cena política nacional e, igualmente, na internacional. Em Portugal, fora votada e aprovada uma nova Constituição e inaugurado um novo enquadramento político – o Estado Novo. Pela primeira vez, mulheres iam poder votar e ser eleitas. Quer católicos quer nacionais-sindicalistas agitavam-se e ajeitavam-se, cindidos pelo vórtice centrípeto do regime. As forças oposicionistas à Situação, congregadas naquilo a que se usava chamar o Reviralho, continuavam a conspirar, indecisas entre a insistência nas fracassadas tentativas do modelo do pronunciamento militar e a sublevação civil, eventualmente catalisada pela erupção de movimentos grevistas generalizados.

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