São resultados com que os quatro intrépidos que responderam ao convite esperam inspirar outros para se juntarem a este grupo. São eles que farão com que a Bel cumpra a sua missão: ser a companhia mais sustentável em Portugal, do prado ao prato. E para lá chegar, a empresa traçou um objetivo concreto: ter 100% do seu leite proveniente de explorações que pratiquem agricultura regenerativa até 2030. Isso implica trilhar novos caminhos, e ser pioneira na promoção e no acompanhamento destes métodos.
Mas, afinal, o que é agricultura regenerativa?
O conceito é simples: “Trabalhar a terra de forma que seja mais produtiva, e, ao mesmo tempo, não seja castigada”. É trazer o passado para o presente e antecipar o futuro, aliando saberes antigos a práticas inovadoras. Dar tempo ao tempo, criando espaço para a regeneração, abrir caminhos, para que a água e os nutrientes possam penetrar e movimentar-se no solo, devolver vida, tanto à superfície, como debaixo da terra. Acima de tudo, é reconhecer que há vida para além do imediato, coisa que exige profundidade. Daí que, depois da paciência, Odette Ménard deixa mais uma máxima que deve guiar a exploração dos solos: “dig a little, learn a lot”, ou, portuguesmente falando, cava um pouco, aprende muito.
Mas, aqui, o “pouco” não deve ser interpretado literalmente. Bem pelo contrário. “É preciso cavar em profundidade, não só olhar para os primeiros 30 centímetros”, sublinha a investigadora. Até porque, num solo saudável, não compactado, “uma raiz pode descer vários metros à procura de água”.
E se quem lê este artigo fica com dúvidas em relação a quanto cavar, aqui fica a resposta: “tanto quanto conseguirem”.
Mas de nada serve cavar, se não se souber do que se anda à procura. O sistema CROP (colheita, em inglês) ajuda, elencando quatro elementos a que se deve estar atento: Cobertura dos solos, Raízes, Oxigénio e Porosidade. A obtenção de respostas convoca vários sentidos. É preciso ver a cor, sentir a textura e o cheiro da terra.
Nos Açores, há quatro produtores de leite que, com o apoio da Bel, estão a implementar novas técnicas de preservação e regeneração dos solos. Aqui, além do subsolo, importa também implementar novos métodos de pastoreio, evitando o pisoteio excessivo da terra.
E os resultados são já visíveis. Um dos produtores tem agora “uma erva tão boa, que até o cãozinho a vai petiscar”.
Onde antes era cascalho, agora há vida
É o testemunho de Henrique Cordeiro, da exploração Agro Milhafres. Conta que tem “um terreno cascalhudo, nas terras altas. Em dois anos, já vemos vida naquelas terras. Se alguém me dissesse que podia fazer isso, dizia que era mentira”. E acrescenta que, no ano passado, quando a região vivia uma seca agrícola, aquele foi “o único pasto em que, de quatro em quatro semanas, as vacas tinham erva para comer”.
Luís Gonzaga é produtor certificado do programa Vacas Felizes desde 2018. A preocupação com a sustentabilidade acompanha-o desde cedo. Cresceu numa família de agricultores e sempre prestou atenção à erosão dos solos. Numa altura em que “o rendimento não era muito” percebeu que “quando há um problema, é preciso arranjar uma solução”.
Para todos os que fazem da terra a sua vida, Odette Ménard deixa um último conselho aos agricultores, que talvez possamos todos integrar. “Tomem conta do solo, das nossas famílias, do mundo. Tenham orgulho do vosso trabalho”.