O caso é real e é contado ao Observador pelo Comparajá.pt, uma plataforma de comparação de produtos de crédito. Um casal decidiu, em 2014, comprar um T3 nos Olivais, em Lisboa, com financiamento de 200 mil euros (uma casa com 110 m2). Na altura, quando o país apenas começava a sair da forte crise, o casal contratou com um banco um crédito com spread de 3,5%. Em 2019, quando ainda faltava pagar 180 mil euros, os dois decidiram “mexer-se”, procuraram alternativas e celebraram um novo contrato com um spread de 1,1%. Resultado: passaram a pagar menos 246 euros de prestação por mês – e, no final do crédito, terão poupado quase 80 mil euros.

Haverá no país cerca de 390 mil famílias que podem estar a desperdiçar poupanças significativas, como se pode calcular através dos dados oficiais sobre quantos contratos de crédito foram celebrados nos anos em que os spreads – isto é, a margem de lucro dos bancos – estavam em níveis bem superiores aos atuais. E a conclusão é que quem tem spreads acima de 1,4% deve procurar alternativas melhores, recomenda o ComparaJá. Sobretudo porque, como comprovou o cliente-mistério do Observador, os bancos estão em “guerra” acesa e até livram os clientes de todas, ou quase todas, as despesas associadas à transferência do processo.

“Isto é um processo muito rápido. Envolve alguma burocracia mas essas dores de barriga tenho-as eu, não tem o senhor”, disse ao cliente-mistério um funcionário de uma sucursal do MillenniumBCP na Grande Lisboa, curiosamente um banco que nem sequer publicita no seu site a campanha que existe e que suporta praticamente todas as despesas do processo – incluindo a mais pesada de todas: pagar ao banco “velho” a penalização por amortização antecipada do crédito, que pode ir até 0,5% do montante ainda em dívida no caso dos créditos de taxa variável, indexada à Euribor.

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