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PAN arranca campanha com denúncias de transporte de animais — e quer alianças com os outros partidos

No primeiro dia de campanha eleitoral, a caravana do PAN andou pelo Alentejo para denunciar o transporte de animais sem condições e a escravidão na agricultura. E piscou o olho ao Bloco de Esquerda.

Artigo em atualização ao longo do dia

Foi sobretudo para falar de animais e natureza que o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) aproveitou a primeira manhã de campanha eleitoral. O deputado único do partido e cabeça-de-lista por Lisboa, André Silva, passou a manhã desta terça-feira entre o porto de Sines e um olival intensivo no concelho de Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, para — naquela que é a primeira grande campanha eleitoral do PAN após a eleição inédita em 2015 — denunciar as condições em que o gado é exportado a partir de Portugal e para contestar o recurso à agricultura intensiva na produção de azeite.

A primeira paragem da caravana do PAN (que é composta por apenas um carro híbrido que transporta André Silva e os colaboradores mais próximos) foi o porto de Sines, onde se juntou a Cristina Rodrigues, cabeça-de-lista por Setúbal, e a elementos da Sines Animal Save, uma associação de defesa dos direitos dos animais. No porto, em frente a um navio de transporte de gado vivo, foi Noel Santos, da associação que luta pelo fim do consumo de animais, que deu início à conversa entre os ativistas e os jornalistas — já que a primeira ação não envolveu qualquer contacto com o público. “Aquele navio tem milhares de borregos a bordo”, disse, antes de acrescentar: “Vai demorar cerca de 13 dias a chegar a Israel”.

Cristina Rodrigues, cabeça-de-lista pelo distrito de Setúbal, interrompeu-o para lembrar a diretiva europeia que impede os transportes de longa duração de animais vivos — ou seja, superiores a oito horas de duração — e para sublinhar que entre as propostas do PAN se encontra a obrigatoriedade de um médico veterinário a bordo de todos estes navios e também o impedimento de exportação de animais para países onde não sejam cumpridas as normas europeias para o abate de animais. Em Israel, por exemplo, os animais são sangrados até à morte “por causa dos rituais religiosos”, lembrou Noel Santos.

Noel Santos e Alice Basílio, da Sines Animal Save, juntaram-se a André Silva na primeira ação de campanha do PAN (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

“Portugal está a incumprir a diretiva europeia que determina que não deve haver transportes de longa duração, superiores a 8 horas. Os transportes, muitas vezes, duram oito, nove, dez, 13 dias”, disse André Silva, criticando também o envio de animais para países onde não existem condições dignas de abate. Na União Europeia, garante, o abate é feito com recurso ao atordoamento, ao contrário do que é feito em muitos países de destino do gado vivo exportado por Portugal.

“Todas as propostas do PAN têm sido sucessivamente chumbadas. Este é um problema que preocupa cada vez mais pessoas. Não faz sentido que estes produtores recebam apoios da UE. Não faz sentido que estes apoios estejam a ser concedidos para terem vantagem na exportação quando não são os portugueses a beneficiar”, afirmou André Silva, acrescentando ainda que quer que a tutela da proteção dos animais deixe o Ministério da Agricultura e passe para o do Ambiente.

Ao fundo, o navio de transporte de gado vivo a que os ativistas da Animal Save se referem (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

Bloco é “aliado” e não adversário, garante André Silva

Reagindo à entrevista de Catarina Martins em que a líder do Bloco de Esquerda disse que o PAN daria menos trabalho a Costa, André Silva preferiu encarar os bloquistas como aliados.

“Estamos em período eleitoral e é natural que todos os partidos queiram não perder o protagonismo que têm junto do PS ou não perder a força que têm, a sua representação, seja à esquerda seja à direita, porque percebem que pode haver aqui um crescimento do PAN. Nós entendemos estes partidos sempre como aliados. Aliás, o BE tem sido em algumas matérias um aliado do PAN no sentido de fazer aprovar algumas iniciativas. Têm votado ao nosso lado em muitas matérias. Fizemos inclusivamente iniciativas conjuntas. Acima de tudo, olhamos para a política e para os outros partidos sempre numa perspetiva de cooperação, muito mais do que competição. É importante criar pontes, estabelecer pontes, quer à esquerda quer à direita, para fazer avançar algumas causas, como estas que aqui estamos a falar”, disse André Silva.

Catarina Martins diz que PS prefere PAN para não ter de discutir reformas à esquerda

“Se há cada vez mais espaço mediático para se falar sobre o PAN, se existem críticas da esquerda e da direita, significa que alguma coisa de bom estamos a fazer. Quando a direita diz que o PAN é um partido de esquerda, quando a esquerda diz que o PAN é um partido de direita, alguma coisa estamos a fazer bem, estamos no caminho certo, e essas críticas, do nosso ponto de vista, significam a valorização do trabalho. Da nossa parte, olhamos para os outros partidos sempre como possíveis aliados para fazer avançar causas”, acrescentou.

“Não é aceitável uma única situação de escravidão em Portugal”

Do porto de Sines, André Silva seguiu para o concelho de Santiago do Cacém, para visitar um olival intensivo e denunciar, de uma vez, dois problemas: o impacto ambiental da produção intensiva de azeite e as situações de trabalho precário, tráfico humano e até escravidão que ocorrem em várias zonas de agricultura do Alentejo.

Numa estrada que separa um olival tradicional de um intensivo, o candidato do PAN fez questão de sublinhar as diferenças entre os dois. Enquanto no olival tradicional há um máximo de 50 árvores por hectare, no intensivo o limite ultrapassa os dois milhares. “Portugal, neste momento, está a desenvolver a sua produção de azeite de uma forma insustentável”, não havendo “limites à sua produção”, assinalou André Silva.

Salientando que “foi importante o salto” que Portugal deu há anos no que toca à produção de azeite, André Silva explicou que atualmente o país é autossuficiente em 150% nesta produção. “E não há ideia ou intenções de parar com o crescimento ilimitado na produção de azeite à custa da depredação dos recursos, solos e de água”, lamentou, explicando que “o olival intensivo faz um uso pouco responsável e pouco eficiente de água num contexto de alterações climáticas, em que devíamos ter uma produção de alimentos mais sustentável”.

André Silva no olival intensivo durante a manhã desta quarta-feira, em Santiago do Cacém (JOÃO FRANCISCO GOMES/OBSERVADOR)

André Silva apresentou ainda a proposta de que os rótulos das garrafas de azeite passem a incluir a indicação do método de produção — se é em olival tradicional, intensivo ou super-intensivo —, para dar mais liberdade aos consumidores de apoiarem a produção tradicional.

Foi naquele olival em Santiago do Cacém que André Silva alertou para dois problemas humanos que se vivem sobretudo no Alentejo. Por um lado, “os migrantes em situação precária, que estão a fazer pressões enormes sobre os serviços públicos e centros de saúde, sem que haja qualquer reforço”. Por outro, o facto de Portugal ser, de acordo com o Observatório para o Tráfico de Seres Humanos, “o segundo país com maiores índices de tráficos de seres humanos”.

“Portugal não pode continuar a fazer o desenvolvimento e crescimento económico à custa também de enorme precariedade e também de tráfico de seres humanos. Não é aceitável no século XXI que Portugal possa ter uma única pessoa a trabalhar em situação de escravidão. Estamos a falar de situações contexto laboral. Apanha da amêijoa no estuário do Tejo, olival intensivo, estufas na costa vicentina. Há uma série de atividades agrícolas em zonas recônditas”, denunciou André Silva.

A campanha do PAN esta quarta-feira acabou a meio da tarde ainda no Alentejo, no Centro de Educação Ambiental do Vale Gonçalinho, em Castro Verde, num projeto da Liga para a Proteção da Natureza que ocupa mais de 1.500 hectares de terrenos alentejanos onde é promovida a preservação de aves estepárias. André Silva aproveitou para montar um ninho para aves e um abrigo para morcegos durante uma visita às instalações do centro e acabou a colaborar na plantação de ervas aromáticas que serão usadas num projeto de educação sensorial.

Dali, seguiu direto para o centro da vila de Castro Verde, onde distribuiu panfletos — em papel reciclado, o único material de campanha distribuído pelo candidato. O sol forte e a hora de pouco movimento acabaram por não colaborar com a ação de campanha. Mas certo é que André Silva saiu de Castro Verde com pelo menos mais um voto. Maria Amélia, 72 anos, conversou com o candidato do PAN enquanto lanchava num café mesmo no centro da localidade e ficou convencida a votar neles. “Aqui sente-se bem as alterações climáticas, está tudo seco”, argumentou. Vai votar em André Silva, porque, diz, é o único que se preocupa com o ambiente. E remata, apontando para o neto: “Não é por mim, é por ele”.

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