Pode a polémica com Serena Williams minar a luta feminista? /premium

11 Setembro 2018930

Uns afirmam que a luta pelos direitos das mulheres não se faz "pela destruição de raquetes". Outros defendem que o árbitro foi mais rígido por Serena ser mulher. O que dizem os feministas em Portugal.

Se Serena Williams tivesse ganho a final feminina do US Open no último fim-de-semana seria o 24.º grande título da carreira da norte-americana. Mas as coisas não estavam a correr de feição para a atleta de 37 anos: Naomi Osaka, de apenas 20, filha de pai haitiano e mãe japonesa, que quando chegou aos EUA já Serena ganhava troféus, estava a ser melhor em campo que a sua ídolo. Na esperança de reverter a situação, Patrick Mouratoglou, treinador de Williams, começou a gesticular para dentro de campo para dar indicações à tenista. O gesto, proibido pelas regras, valeu a primeira de três advertências do árbitro português Carlos Ramos, a perda de estribeiras da atleta, numa sucessão de acontecimentos que acabou com a perda do jogo e a derrota final. Mas foi muito mais que isso. Foi o início de um novo debate sobre o sexismo no mundo do desporto. E de uma divergência entre os mais conhecidos defensores dos direitos das mulheres que chegaram a Portugal. 

Serena Williams foi mal educada ou o árbitro reagiu com ela de forma diferente por ser mulher e não faria o mesmo se fosse um homem a falar-lhe no mesmo tom?

Comecemos pelos factos. Carlos Ramos, o árbitro português destacado para o jogo, é conhecido pelo seu rigor. Estava atento quando viu Serena receber indicações do treinador e deu a primeira advertência a Serena: estava a quebrar as regras do Grand Slam por coaching e se continuasse a fazê-lo seria penalizada. A tenista não gostou e apontou o dedo ao árbitro: “Fazer batota é coisa que nunca fiz na minha vida. Tenho uma filha e ensino-lhe a fazer o correto“. Ramos ignorou. O jogo prosseguiu, mas a vantagem continuava do lado de Naomi Osaka. Serena irritou-se, atirou a raquete para o chão e destruiu-a, voltando a ser advertida pelo comportamento.

Após estas duas advertências, Serena voltou a enfrentar o árbitro: “Você roubou-me um ponto. É um ladrão também“. Foi então que Carlos Ramos tomou a decisão que iria dividir opiniões e marcar a final feminina do US Open: terceira advertência por linguagem incorreta e penalização de um jogo. Pouco depois, como pouco mais de uma hora jogada, a partida terminava com uma vitória histórica de Naomi Osaka — que se tornou na primeira atleta japonesa a ganhar a competição — e com uma derrota igualmente histórica de Serena Williams pelos parciais de 6-2 e 6-4.

No final, a norte-americana adensou ainda mais a polémica: segundo ela, a penalização só tinha acontecido porque ser mulher: “Há muitos homens aqui mesmo que diriam muita coisa, mas só porque são homens isto não lhes acontece“. Serena Williams acusava assim Carlos Ramos de ser machista.

A polémica estava lançada. As redes sociais enchiam-se de mensagens de apoio e de críticas. Uns defendiam Williams, que sempre lutara pelos direitos das desportistas (ainda recentemente fora proibida de usar um macacão que facilitava a circulação com o argumento de “mostrar demasiado o corpo” e não o de que melhorava a performance — argumento válido, aliás o material era o mesmo que levou a proibir os famosos fatos de natação e Michael Phelps). Outras criticavam-na, dizendo que com gestos de má-educação e mau-perder destruíra anos de luta pelos direitos das mulheres (apesar da provocação de ter reaparecido nos courts de tutu).

Em defesa de Serena: “É uma expressão evidente de machismo e de patriarcado”

A primeira vez que Patrícia Vassallo e Silva, membro do Por Todas Nós – Movimento Feminista, soube da polémica protagonizada por Serena Williams e Carlos Ramos foi “em conversa de rua”, explica ela ao Observador através de uma conversa pelo Facebook: “Apresentaram-me a situação como: ‘Lá está mais uma mulher que, lá porque é famosa, acha que pode tratar assim o árbitro’. Com este simples exemplo, vemos que os primeiros comentários que observei foram logo sexistas e não sobre a ética do desporto ou sobre as respetivas regras de comportamento“. E o motivo disso tornou-se claro para ela: “Na realidade é muito mais simples fazer comentários sexistas para justificar esta situação”.

"Apresentaram-me a situação como: 'Lá está mais uma mulher que, lá porque é famosa, acha que pode tratar assim o árbitro'. Com este simples exemplo, vemos que os primeiros comentários que observei foram logo sexistas e não sobre a ética do desporto ou sobre as respetivas regras de comportamento"
Patrícia Vassallo e Silva, membro do Por Todas Nós - Movimento Feminista

Mas sobre o caso particular de Serena Williams, Patrícia Vassallo e Silva não consegue concluir se as decisões de Carlos Ramos foram causadas por preconceitos contra as mulheres, ainda que estes “existam nesta área, que existem”. “No desporto existe muita descriminação e sexismo. A igualdade de género não é propriamente o seu forte, como podemos ver diariamente nas notícias”. Outro caso marcou o US Open e gerou polémica: a tenista francesa Aliza Cornet tinha a camisola ao contrário, tirou-a numa pausa e voltou a vesti-la ficando por momentos em top desportivo, mas isso valeu-lhe uma advertência do árbitro por conduta anti-desportiva. Multiplicaram-se, então, fotos de tenistas em tronco nu a quem nada aconteceu e um rol de críticas.

Contudo, Patrícia Vassala e Silva acha que o conflito entre a tenista norte-americana e o árbitro português no torneio do Grand Slam não prejudica a luta feminista. Bem pelo contrário, até a pode ajudar: “Acontecimentos como estes existem desde de sempre e o nosso objetivo é acabar com eles, mas para tal é preciso que se denuncie e que não se fique calada. Serena Wiliams denunciou o facto de estar a ser vítima de sexismo e de racismo. É muito importante que toda a gente o faça e que siga o seu exemplo. A tenista sabia que iria ter consequências e não deixou de o fazer e mostrar como se sentia“.

Daniel Cardoso, professor catedrático na Universidade Lusófona, também é da opinião de que Carlos Ramos foi motivado por estigmas sexistas no confronto com Serena Williams: “Neste caso é importante analisar como é que o mesmo árbitro agiu em circunstâncias semelhantes com outros atletas. Daquilo que eu tenho acompanhado, parece-me que este árbitro foi mais brando e menos rigoroso com tenistas homens. E isso evidencia que há um duplo padrão”, comenta ao telefone com o Observador.

Mas tão preocupante quanto a atitude do árbitro foi a cobertura mediática feita ao episódio, considera o feminista: “É preciso ter em conta a forma como a cobertura mediática tende a criticar muito mais severamente Serena Williams do que fez em situações semelhantes com tenistas homens. Esta é uma expressão evidente de machismo e de patriarcado em que há um duplo padrão moral. Se o mesmo comportamento tivesse sido adotado por um homem, falaríamos de uma expressão de força e de poder. Como este caso acontece com uma mulher, falamos de descontrolo”.

"Esta é uma expressão evidente de machismo e de patriarcado em que há um duplo padrão moral. Se o mesmo comportamento tivesse sido adotado por um homem, falaríamos de uma expressão de força e de poder. Como este caso acontece com uma mulher, falamos de descontrolo".
Daniel Cardoso, professor catedrático na Universidade Lusófona

O árbitro português advertiu Serena Williams por três situações: primeiro por coaching, que acontece quando um tenista em campo recebe indicações do treinador sentado nas bancadas — algo que é permitido na maior parte dos jogos, mas que é proibido nas competições do Grand Slam —, depois por ter partido a raquete após uma jogada que lhe correu mal e por último por abuso verbal, quando chamou “ladrão” a Carlos Ramos por lhe ter retirado um ponto.

Imagens recolhidas pelos órgãos de comunicação social no campo mostram que, de facto, o treinador Patrick Mouratoglou estava a gesticular a partir das bancadas para dar indicações a Serena Williams. O próprio acabou por admitir, mais tarde, que o fez. Mas Daniel Cardoso acredita que, mesmo que tal não tivesse acontecido, as críticas a Serena Williams seriam igualmente vincadas: “Não nos podemos por a especular sobre coisas que não aconteceram, mas o que normalmente acontece é que a opinião pública toma uma posição independentemente dos factos. Não me espantaria que, mesmo que se apurasse que não havia batota, a opinião pública desviasse a atenção sobre esse facto para se concentrar noutro que justificasse as críticas”, comenta o professor universitário.

De uma maneira ou de outra, Daniel Cardoso não acredita que o episódio entre Serena Williams e Carlos Ramos possa assombrar a luta pelos direitos das mulheres: “Não vai dificultar esta causa. Bem pelo contrário, situações como esta são a razão de ser da luta pelos direitos das mulheres. É a expressão do problema“, conclui.

A opinião de Daniel Cardoso vai ao encontro da de Billie Jean King, considerada uma das melhores tenistas de sempre. A atleta utilizou o Twitter para dizer que “várias coisas correram muito mal durante as finais do US Open”: “A receção de indicações do treinador devia ser permitida no ténis. Não é e, por causa disso, um jogador foi penalizado pelas ações do treinador. Isso não deveria acontecer”, disse Billie Jean King. Depois, a ex-tenista saiu em defesa de Serena Williams: “Quando uma mulher fica emocionada, ela é ‘histérica’ e é penalizada por isso. Quando um homem faz o mesmo, ele é ‘sincero’ e não há repercussões. Obrigada, Serena Williams, por chamar a atenção para este duplo padrão. Mais vozes são necessárias para fazer o mesmo”.

A reforçar este argumento está também o tweet de James Blake, ex-tenista norte-americano: “Tenho de admitir que já disse pior e não fui penalizado. E também já recebi uma ‘advertência suave’ do juiz, quando eles me dizem para parar de fazer alguma coisa ou então recebo uma indicação de violação. Ele deveria ter-lhe dado, pelo menos, essa cortesia. É triste estragar uma final bem disputada por causa disto”, escreveu ele no Twitter. E ainda as declarações de Steve Simon, líder da Associação Feminina de Ténis: “Nós vemos os rapazes fazerem isto a toda a hora. Eles viram-se contra o árbitro e nada acontece. Não há igualdade“.

E quem a contesta: “O combate não passa pela destruição de raquetes”

Isabel Moreira, deputada do Partido Socialista e conhecida defensora dos direitos das mulheres, não partilha da mesma opinião. Ao Observador, a feminista diz que a atitude de Serena Williams se resume a “uma má atitude anti-desportiva e injustificada”: “Daquilo que tenho visto sobre esse caso parece-me que Serena Williams não esteve bem e que as decisões do árbitro não têm nada a ver com sexismo”. Mas isso não pode ser desculpa para diminuir a causa feminista, avisa Isabel Moreira: “Serena Williams foi infeliz, sim. Mas isso não significa que os detratores da causa feminista tenham agora mais espaço para dizer: ‘Cá está como as feministas reagem a quem as enfrenta’. Isso não está correto. Ou seja: apesar de Serena Williams ter agido incorretamente, isso não pode servir para atacar uma luta tão importante como esta pelos direitos das mulheres e pela igualdade de género”.

Questionada sobre se é legítimo que Serena Williams tenha justificado o comportamento de sábado com a luta feminista, Isabel Moreira responde: “Isso fica com ela”.

"Serena Williams foi infeliz, sim. Mas isso não significa que os detratores da causa feminista tenham agora mais espaço para dizer: ‘Cá está como as feministas reagem a quem as enfrenta’. Isso não está correto".
Isabel Moreira, deputada do PS

Esta opinião vai ao encontro da de Sandra Benfica, dirigente do Movimento Democrático de Mulheres. A associação tem na sua estrutura um conjunto de feministas dedicadas aos direitos das mulheres e à igualdade de género dentro do mundo do desporto. E segundo esse grupo, “o facto de, eventualmente, alguns árbitros ou árbitras aplicarem sanções aos comportamentos anti-desportivos baseadas em critérios ambíguos na penalização de jogadores, sejam mulheres ou homens, não pode servir de desculpa ao tipo de comportamento a que assistimos”, começa por dizer.

Ao telefone com o Observador, Sandra Benfica sublinhou que “felizmente, nem tudo o que se passa dentro do mundo do desporto entre as mulheres são expressões de machismo”: “A luta pelo feminismo não pode servir de justificação para qualquer conflito como o que aconteceu na final feminina desta competição”, acrescentou a dirigente do Movimento. Até porque havia outra mulher em campo e, na visão de Sandra Benfica, essa sim foi desrespeitada: “A outra atleta [Naomi Osaka] venceu e ainda assim foi assobiada e diminuída. Também era pertinente perceber o motivo, se existem preconceitos raciais por detrás desses assobios”, diz.

Numa declaração ao Observador, desta vez enviada por e-mail, o grupo Mulheres e o Desporto do Movimento Democrático de Mulheres afirma: “A disputa de um título na final de um Grand Slam é sempre um momento de grande expetativa e tensão por parte dos principais intervenientes: atletas e árbitras ou árbitros”. Mas isso não justifica nenhum comportamento reprovável por qualquer um deles, sublinha: “Como qualquer atleta, profissional ou não, os jogadores de ténis têm obrigação de respeitar as regras da sua modalidade desportiva, e quando não o fazem estão sujeitas ou sujeitos às respetivas sanções, principalmente quando se trata de mau comportamento desportivo”.

"Felizmente, nem tudo o que se passa dentro do mundo do desporto entre as mulheres são expressões de machismo. A luta pelo feminismo não pode servir de justificação para qualquer conflito como o que acontece na final feminina desta competição".
Sandra Benfica, dirigente do Movimento Democrático de Mulheres

Apesar de o Movimento Democrático de Mulheres acreditar que Carlos Ramos pode não ter sido motivado por princípios machistas na decisão de penalizar Serena Williams, Sandra Benfica avisa que há mesmo um grande preconceito contra as mulheres no desporto: “É verdade que é importante chamar a atenção para um ‘duplo padrão’ que discrimina as mulheres, no ténis ou no desporto em geral, e não só para as atletas de elite: o valor dos prémios monetários, o acesso aos patrocínios que determina as condições de participação no alto rendimento, a crónica sub-representação mediática e a trivialização e marginalização das suas prestações desportivas”.

Ainda assim, Sandra Benfica não acredita que o episódio na final feminina do US Open possa prejudicar a luta “justíssima” pelos direitos das mulheres: “A luta pela igualdade entre mulheres e homens no ténis, ou no desporto em geral, tem mais de 100 anos de avanços e recuos, de nomes mediatizados e por isso populares, mas sobretudo de muitas mulheres e de muitos homens anónimos. A luta pela igualdade estaria muito fragilizada se dependesse unicamente de um punhado de atletas mais famosas”. E neste caso em particular, “o combate a desenvolver não passa pela destruição de raquetes

"A luta pela igualdade estaria muito fragilizada se dependesse unicamente de um punhado de atletas mais famosas. Neste caso em particular, o combate a desenvolver não passa pela destruição de raquetes”.
Movimento Democrático de Mulheres
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Este debate também teve repercussões em Espanha. Lá, a filósofia e integradora social Loola Pérez disse que “Serena Williams usa a vitimização de uma maneira bastante perversa“: “As mulheres, como pessoas, podem fazer coisas boas e más e o comportamento que ela estava a ter não era apropriado para as regras do jogo. O árbitro estava no direito de repreendê-la. Eu acho que mulheres poderosas com uma personalidade tão forte quanto a que ela tem no campo têm de ser honestos com elas mesmas e saber quando estão a fazer as coisas certas e quando fazem as coisas erradas”. Loola Pérez também condena que o comportamento de Serena Williams tenha desviado as atenções da vencedora do jogo, Naomi Osaka: “Ela roubou todo o protagonismo da sua oponente”.

Mari Ángeles Cabré, diretora do Observatório Cultural do Género, também critica que Serena Williams tenha chamado a luta feminista para este acontecimento: “Gritas porque te estão a desrespeitar como mulher, gritas porque o feminismo te dá forças para o fazer? Não, Serena, o feminismo não é um escudo com que parar todos os golpes que a vida nos dá. O feminismo exige responsabilidade e um bom uso. Como qualquer veículo pode levar-te muito longe. Mas se o usares mal podes ter um acidente”.

O que dizem as atletas portuguesas: entre as críticas e as oportunidades

Em declarações ao Observador, Irina Rodrigues, atleta portuguesa do lançamento do disco, disse nunca ter sido vítima de sexismo: “Nunca senti nada disso e a arbitragem sempre foi imparcial. Nunca tive problemas. A única coisa vagamente machista que ouvi foi dizer que o lançamento d0 disco é uma coisa de homens, mas isso não me incomodou”, conta ao telefone.

Questionada sobre os acontecimentos na final feminina do US Open, Irina Rodrigues começou por dizer que Serena Williams “é um ícone no desporto, principalmente para as mulheres”, mas que agiu mal no sábado: “Acima de tudo, a Serena não conseguiu estar serena. O que ela fez com a raquete, na minha opinião, foi apenas má educação“, disse. E completou: “Ela alegou que estava a ser vítima de sexismo e de racismo quando isso não faz sentido, pelo menos olhando para o passado do árbitro. O Carlos Ramos é conhecido por ser bastante rígido em finais de competições de ténis, tanto com homens, como com mulheres. Já fez isto, tanto com um sexo como com outro”.

"Ela alegou que estava a ser vítima de sexismo e de racismo quando isso não faz sentido, pelo menos olhando para o passado do árbitro. O Carlos Ramos é conhecido por ser bastante rígido em finais de competições de ténis, tanto com homens como com mulheres. Já fez isto, tanto com um sexo como com outro".
Irina Rodrigues, atleta de lançamento de disco

Já Inês Henriques, que não comenta o caso Serena Williams por não o conhecer a fundo, denuncia que já passou por várias situações sexistas no atletismo. A campeã e recordista mundial dos 50 km marcha disse ao Observador que “normalmente os valores monetários dos prémios para os homens e para os mulheres são iguais”, mas que “é preciso batalhar muito” para que isso permaneça assim: “Havia uma prova cá em Portugal em que os organizadores queriam dar prémios inferiores às mulheres. A Susana Feitor e eu recusámo-nos a participar como forma de manifestação, para não abrir precedentes porque isso podia tornar-se normal. Isso também aconteceu com um Campeonato de Portugal de 20 km. A Susana Feitor é que falou àas instituições competentes e isso não foi para frente”.

No atletismo, essa “pressão constante”, como adjetiva Inês Henriques, também existe: “As oportunidades costumam ser iguais. Agora falta trabalhar para que os 50 km marcha femininos passem a existir nos Jogos Olímpicos. Faltam dois anos para os Jogos e ainda não temos a certeza se essa modalidade vai existir para as mulheres. Isto não faz sentido”, conclui a marchadora portuguesa.

E o cartoon da polémica

Entretanto, há um cartoon que está inflamar uma nova discussão: desta vez é o artista Mark Knight que está a ser adjetivado de “racista”. No cartoon publicado no Herald Sun da Austrália, Serena Williams aparece a saltar em cima da raquete, enquanto o árbitro fala com uma Naomi Osaka loira e diz: “Podes apenas deixá-la ganhar?”. As críticas dirigem-se ao traço utilizado pelo artista, que alguns dizem assemelhar-se às caricaturas de Jim Crow (imagem da segregação racial nos EUA), por causa das expressões no rosto de Serena Williams.

J.K. Rowling, a escritora de “Harry Potter”, disse nas redes sociais: “Bem feito em reduzir uma das maiores desportistas vivas a imagens racistas e sexistas e transformar uma segunda grande desportista num adereço sem rosto”. Jemele Hill, jornalista desportivo da ESPN, também criticou Mark Knight e disse que o racismo no desenho era “quase tão subtil como a voz de Fran Drescher”, conhecida pela voz anasalada e pelo sotaque nova-iorquino muito vincado.

Apesar do artista já ter explicado que não teve qualquer intenção racista e que é apenas um a caricatura da tenista, as críticas só adensam a polémica.

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