Postiga. “Scolari dizia ‘guri, não volta a fazer isso'” /premium

26 Agosto 2018

Um dos poucos portugueses com golos em três Europeus, mais penálti à Panenka, tetra pelo FC Porto e campeão indiano pelo Kolkata. Eis Postiga, último capitão do Sporting a marcar na Luz antes de Nani.

Romelu Lukaku. Na lista dos cromos do Mundial-2018 em falta do filho de Hélder Postiga, só tenho um no meu naco de repetidos. É o de Lukaku. Envio-lhe a foto por Whatsapp, recebo imediatamente uma resposta de rejúbilo e marca-se a entrega do dito cujo para um hotel ali nas Olaias, perto da RTP. No ato da entrega, toma lá uma entrevista. Piiiiiimbas, vai buscar.

E esta foto?
É gira, porque toda a gente fala do penálti mas foi este golo que nos levou ao prolongamento. Ah, e foi no meu primeiro jogo em Europeus.

Nunca tinhas jogado, nem um minuto com Espanha ou Rússia?
Nada, foi mesmo a minha estreia. Fiquei ligado àquela mini polémica da substituição do Figo.

Quando ele saiu pela linha final?
Isso, pela linha final. Foi quando o Scolari arriscou tudo e o Deco acabou com lateral direito.

Uyyyy, a sério?
Jogámos com uma equipa super ofensiva: Rui Costa, eu, Nuno Gomes, Ronaldo e Simão. Para quem acompanha a Seleção, foi um dos jogos mais emocionantes de sempre: eles marcam, nós empatamos, damos a volta, consentimos o empate e vamos para penáltis. Aí, o Ricardo tira as luvas e ainda dá mais espetáculo. Foi um grande jogo, ainda por cima eu jogava em Inglaterra nessa altura e esse golo teve um sabor especial.

Eras do Tottenham: experiência infeliz ou boa?
Saí prematuramente do FC Porto, clube, e Porto, cidade. Foi um grande choque chegar a uma metrópole europeia como Londres, com milhões de habitantes. E também foi surpreendente chegar ao Tottenham, que ainda estava atrás do FC Porto em termos de organização.

Quem era o teu treinador?
Glenn Hoddle. Ele queria uma cultura europeia continental, só que é complicado andares a lutar contra todos dentro do teu clube. O Hoddle sai em Setembro, entra o David Pleat e aquilo muda completamente a minha vida. Tive muitas dificuldades, mas foi, acima de tudo, um ano de aprendizagem em que amadureci como pessoa. Vê bem, saí do FC Porto como o puto maravilha. E saí na mesma altura de outros putos maravilha, como Quaresma para o Barcelona e Ronaldo para o Manchester United. Eu só tinha 19 anos e era o melhor marcador, julgava que tudo era fácil, que aparecia feito. De repente, no Tottenham, a realidade é outra e sou obrigado a mudar de pensamento, de meter os pés no chão, como quem diz ‘isto não é assim tão fácil, devemos continuar a trabalhar’.

O que tu encontraste de diferente na Premier League?
É um mundo à parte, fascinante. O futebol inglês é muito curioso, porque só sentes o fervor dos adeptos no dia de jogo, seja sábado ou domingo. Nos outros dias, és uma pessoa normal: vais à rua, passeias em Chelsea, bebes café aqui, almoças ali e estás completamente à vontade. Sejas do Tottenham ou do Chelsea. O curioso é que levei o meu filho a ver um Chelsea-Tottenham há uns meses e aquela cultura é demais: os adeptos juntam-se bem cedo num pub e daí saem para o estádio, às 15h. Há adeptos fanáticos, criadores de ambientes mais agressivos, mas, por norma, o futebol inglês é a festa da família.

E dentro do campo?
Nunca me saiu da cabeça uma frase do Poyet, agora treinador: ‘Tu vais notar a diferença quando jogarmos com mais de cinco estrangeiros’. Isto é, quando jogávamos só com cinco da ilha, entre ingleses, irlandeses e escoceses, o nosso futebol era mais criterioso. Aliás, não é por acaso que esse é o ano em que o Arsenal é campeão sem derrotas, só com um inglês ou dois.

Quantos golos marcaste no Tottenham?
Dois, um para a Premier League e outro para a Taça.

E esperavas ser convocado para o Euro-2004 com uma época assim?
Foi à base da confiança do selecionador, digo eu. Por tudo aquilo que tinha feito no passado recente, na tal época do FC Porto vencedor da Taça UEFA em 2002-03. E também porque surgi como terceiro avançado numa convocatória em que havia um gap muito grande entre a chamada geração de ouro, em peso, e eu, Ronaldo e Tiago. Pelo meio, se a memória não me falha, só Nuno Gomes e Beto.

Estreaste-te então com a Inglaterra. Marcaste de cabeça e depois aquele penálti. Que te passou pela cabeça?
O penálti vem no seguimento desta fotografia porque é um momento em que estava super confiante.

O teu penálti é o sexto, o primeiro da segunda série.
Certo. No fim da primeira série, havia 4-4 e fomos para o desempate do desempate. A partir daí, é um pouco ao sabor do assumir a responsabilidade. Aquela coisa do olhar uns para os outros e entender o que nos vai na alma. Eu assumi a responsabilidade. Ou a irresponsabilidade, neste caso. Digo isto porque o fruto dessa irresponsabilidade vem da confiança.

E já sabias que ias fazer um Panenka?
Como te digo, estava confiante. E agora acrescento: estava confiante para fazer algo diferente. Já tinha visto o guarda-redes deles e percebi que ele queria sempre adivinhar o lado. Ora bem, se a isso juntarmos o facto de a marca do penálti estar já fustigada, o que implicava mais delicadeza e menos força no pontapé, se não estava sujeito a que me acontecesse o mesmo que ao Beckham e ao Rui Costa [bola para a fila Z].

Portanto, cá vai um Panenka.
Já tinha feito uma vez nos Sub-21, com a França, num célebre jogo de qualificação. E também tinha feito num jogo com a Noruega, pela Seleção B.

Foi um alívio ter visto a bola lá dentro, imagino.
Nem imaginas, ahahahahahah. O curioso é que não sabia da tamanha responsabilidade. Não sabia que éramos eliminados se falhasse. Só tive essa noção no dia seguinte.

Então?
O Scolari deu folga e alguns de nós apanhámos um voo rumo ao Porto para passar o dia com a família. À entrada para o avião, o Fernando [Couto] pergunta-me ‘Miúdo, tu sabias que íamos para a rua se falhasses?’. E foi aí que comecei a pensar: ‘De facto, se falhasse, não ia ser bonito de apagar da memória’.

E o Scolari ficou contente?
Contente, contente? Muito. Aliviado? Mais ainda, ahahahahah. Deu-me na cabeça estilo ‘Ó guri, você não volta a fazer isso’. Ele tratava os miúdos por guri. Ahahahahah.

Nesse Verão, voltas para o FC Porto.
Ahhhhhh, pois foi. O regresso a casa. Se calhar, foi precipitado e ainda hoje acho que devia ter insistido mais uma época no Tottenham. Até o próprio presidente do Tottenham, que ainda hoje é o mesmo, pediu-me para ficar e disse-me que era normal não me adaptar completamente ao fim de um ano. Só que o coração falou mais alto, a conversa com o presidente do FC Porto também me puxou e, pronto, regressei. Mas regressei com outro estatuto. Se saí como o menino querido em 2003, voltei em 2004 como um jogador mais rodado, com um ano no estrangeiro.

Já foste para o Euro-2004 como jogador do FC Porto?
Não, não. As conversações só começaram depois do Euro e até houve uma equipa aqui da capital a mostrar inicialmente o interesse.

Ai sim, não me lembrava. O Benfica?
Houve conversações, sim. O FC Porto soube e, claro, antecipou-se. O discurso do presidente do FC Porto tinha a ver com o voltar a ser importante numa equipa, estatuto que perdera no Tottenham e deseja recuperar.

E recuperaste?
No início, até me sentia bem só que a bola não entrava e os níveis de confiança começaram a baixar. Depois, a margem de erro também não era a mesma. Lá está, vinha do estrangeiro e a exigência já era diferente. Resumindo, senti algumas dificuldades. Ahahahahah.

E o FC Porto desceu consideravelmente de forma.
Foi um ano difícil, de transição. O FC Porto tinha sido campeão europeu e assistiu a algumas saídas, como Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira. É verdade que se reforçou muito bem, com Luís Fabiano e Diego, por exemplo, só que perdemos 22 pontos em casa no Campeonato e isso é imperdoável. Mesmo assim, lutámos pelo título até à última jornada e o Benfica deve ter sido o campeão nacional com menos pontos de sempre.

Outro ano de aprendizagem, então.
É mesmo, outro. O futebol é um mundo à parte, vive muito do momento e tão depressa te tira o que tens, tão depressa passas de besta a bestial e vice-versa.

A seguir a essa época, o FC Porto é tetracampeão português.
Passámos de um ano atribulado em matéria de treinadores, com três entre Del Neri, Víctor Fernández e José Couceiro, para um ano calmo com o Co Adriaanse.

Calmo? Ouvi dizer coisas dele do arco da velha.
Ahahahahahah, ele chegou ao Porto com umas ideias engraçadas, produto de uma cultura totalmente diferente. Era tudo a regra e esquadro.

Estilo o quê?
Estilo o extremo esquerdo tem de ir cruzar à linha e o ponta de lança tem de estar ao primeiro poste. Tudo nele era bem explicado. Um dia, estávamos a meio de uma palestra e ele vira-se para mim: ‘Ò Hélder, tu vais ser o key player‘. Isto ainda na pré-época. A verdade é que as coisas começaram a correr-me bem e foi-me dado o número 10. Só que [Hélder pára de falar e ri-se]…

Só que o quê?
Há um jogo da Seleção e empatamos na Rússia ou o que é e lesiono-me. Quando voltei ao Porto, fui tratar da lesão e recuperei. Feita a recuperação durante um mês, percebi que a relação já não era a mesma. Sem nunca saber o que se tinha passado, percebi que ia ser difícil de reativar o diálogo. Ainda me chamou uma ou duas vezes. Uma delas foi com o Inter, dessa não me esqueço: estava a correr e ele chama-me à parte a dizer-me que não estava a correr com a mesma intensidade dos meus companheiros. Criámos ali um atrito, nunca mais resolvido. Mas, atenção, foi um treinador com ideias completamente diferentes e o único que vi a jogar só com três defesas numa equipa super-ofensiva.

Ele sai na pré-época seguinte, não é?
Mas aí já não estou no FC Porto, e sim no Saint-Étienne.

Ah pois, foste para França.
Só volto ao FC Porto precisamente com a saída do Co Adriaanse, a pedido do Jesualdo Ferreira, o seu substituto. E faço parte do tricampeonato. No ano do tetra, já estou noutro clube português.

Pois ééééé. Como é que apareces no Sporting?
Olha, nem estava à espera de regressar a Portugal, só que recebi uma chamada de um amigo em comum do Pedro Barbosa, na altura o diretor desportivo do Sporting, e chegámos a um acordo. Sempre gostei do Pedro pela forma de estar bastante direta. O treinador era o Paulo Bento e identificava-me com a sua mensagem em campo, por isso embarquei na aventura do Sporting. Sabes, o Sporting é um clube diferente, especial na forma como trata os jogadores. Tanto assim é que o meu filho mais velho é do Sporting. Tanto assim é que a minha filha é alfacinha, nasceu aqui. E a verdade é que o Sporting também faz parte da minha vida, até porque fui capitão de equipa. Aliás, uso braçadeira nessa foto.

Eischhhh, é verdade. Nem tinha reparado.
Foram bons momentos. Na primeira época, não fomos campeões por infelicidade. Na segunda, fizemos uma época má. Na terceira, que diz respeito a este golo ao Benfica na Luz, é bom, muito bom. E até recebo uma proposta financeira ótima da Rússia, só que o Sporting não me deixar sair com o argumento de que precisa de mim. Na altura, o treinador era o Paulo Sérgio. O Liedson ia sair e eu ia ficar. E fiquei. Na boa. Só que tive três presidentes mais cinco diretores desportivos e isso desgasta qualquer um. Até os próprios sócios e adeptos. Aliás, acabo por sair no início da quarta época precisamente por isso: há um jogo com a Olhanense, já na era Domingos, acho, e marco um golo, que depois é anulado por fora-de-jogo. Acabámos por empatar esse jogo e as pessoas começaram a assobiar. E percebi que o meu tempo tinha acabado no Sporting.


Espera aí, lembro-me agora que o golo ao Benfica na foto é o da minha estreia como capitão no Sporting. É curioso. Lá está, o Sporting deixou-me marcas bem boas. Só que há um período em que tens de colocar um ponto final porque já estás cansado de levar com tudo. Por isso, falei com o Carlos Freitas e, juntos, procurámos um clube. Encontrámos uma solução no Saragoça.

É a tua terceira aventura no estrangeiro, após Tottenham e Saint-Étienne?
Quarta. Aí no meio há o Panathinaikos.

O Panathiniakos. Gostas mesmo do verde.
Ahahahahahah. E só não fomos campeões porque o Olympiacos ganhou uma coisa qualquer na secretaria, uma daquelas confusões, e aproximou-se de nós a umas cinco jornadas do fim. Se não fosse isso, éramos campeões com o Peseiro.

E jogaste algum Olympiacos-Panathinaikos?
Aquilo é do mais estranho que há. Quando jogas fora, é mesmo fora.

Então?
Não entram adeptos da equipa visitante. Mesmo. Zero. E tenho uma história engraçada a respeito do dérbi: estamos a sair da nossa sede em direção ao estádio do Olympiacos e estão à vontade umas oito mil pessoas a puxar por nós, a empurrar o autocarro e tal. Um mar de gente, como se já estivéssemos dentro do estádio. Eu estava a ouvir música e acusei todo aquele barulho, óbvio. O Karagounis, que ainda jogava no Panathinaikos, olha para mim, percebe o meu espanto e diz-me: ‘Isto? Agora imagina se ganhares’. Na altura, empatámos 0-0.

E esta sabes qual é?
Aiiiiiiii, este golo tem uma dimensão emocional brutal, porque acontece contra a Dinamarca, no dia seguinte a uma conferência de imprensa em que o treinador foi mais que um treinador, foi meu amigo. Quer dizer, o Paulo [Bento] sempre foi meu amigo, só que aí deu mesmo a cara.

Porquê?
Tínhamos perdido o primeiro jogo do Euro-2012 com a Alemanha e choveram críticas, algumas bem pessoais. Quer dizer, aceito críticas, as mais fundamentadas, e ali não foi assim. Daí estar grato ao Paulo pela defesa dos nossos interesses e do meu valor. Esse golo foi a melhor resposta aos críticos e incluiu-me num restrito lote de jogadores com golos em três Europeus [2004, 2008, 2012].

É um bom Europeu de Portugal.
Estivemos a um passo de ser campeões. Saímos de cá já debaixo de alguma crítica pela derrota com a Turquia por 3-1, chegámos à Polónia, fala-se muito do nosso hotel que era muito caro e depois ainda perdemos 1-0 com a Alemanha. E, pronto, está a crítica montada. A verdade é que conseguimos dar a volta e só fomos eliminados pela Espanha nos penáltis, com uma bola na trave do Bruno Alves ou do João Moutinho.

Do Bruno Alves. O penálti do João Moutinho foi defesa do Casillas.
Seja, uma bola à trave do Bruno. Do Bruno, que é um gajo que marca super-bem os penáltis. Se tivéssemos uma pontinha de sorte, nem digo ponta, só uma pontinha, se tivéssemos um pontinha de sorte, tínhamos sido campeões.

Na altura, estavas no Saragoça.
Adorei viver em Saragoça, social e desportivamente. Foi o Meira quem me ligou a dizer que precisavam de mim. Nesse fim-de-semana, o Saragoça tinha perdido 6-0 com o Real Madrid. Ahahahahahah. Achei mesmo que precisavam de mim e fui à aventura. Sabes uma coisa? Comecei a marcar golos: nove na primeira época, 14 na segunda. Aliás, fui comparado ao Rui Jordão, que também marcou 14 nos anos 70. A equipa era fixe e o ambiente espetacular. Estavam lá o Meira, o Rúben Micael, o Paulo da Silva, o paraguaio mais internacional de sempre, o guarda-redes argentino Leo Franco mais o Roberto. Foi uma experiência bem boa, já para não falar que joguei com Real Madrid e Barcelona, o que dá outra força ao nosso currículo. Por falar nisso, marquei pelo Valencia ao Barcelona, ahahahahahah.

Pois, tu fazes Saragoça, Valencia, Lazio e Deportivo.
Adorei a Liga espanhola pela intensidade. A italiana nem tive tempo de experimentar, só com dois jogos.

Pelo meio, o Mundial-2014.
Nem fales disso, foi a competição mais azarada em que entrei. Tudo nos correu mal. No primeiro jogo, perdemos 4-0 com a Alemanha e ainda convivemos com as lesões de Coentrão, Hugo Almeida e Patrício.

Segue-se o jogo em Manaus, com os EUA.
Chegámos lá no dia anterior. A viagem de avião foi longa, mais parecia um voo intercontinental. Depois, Manaus é no meio da Amazónia e a humidade era uma coisa do além. No dia em que aterrámos, chovia torrencialmente, ao ponto das ruas estarem inundadas. No dia seguinte, um calor descomunal. Encostavas o ouvido ao vidro do autocarro e queimavas-te. Era surreal. Dentro do campo, havia insetos do tamanho de borboletas. Eles batiam-te nas pernas e travavam-te o andamento, era incrível.

És titular com os EUA?
Sou titular e as coisas até nos começam a correr bem, com o golo do Nani e o domínio do jogo. Aos 18 minutos, paaaaaau, sinto uma picada e caio. Levanto-me e insisto. Para quê? Para nada, a picada não me larga. Fico lixado, é daqueles momentos em que tudo te cai em cima e ficas sem saída. O que eu pensava era nos seis meses de sacrifício e superação arruinados naquele instante.

Quando é que recuperas?
No Depor.

Em que ano?
Aquele em que nos salvámos da descida no último instante, com o Barcelona, em Camp Nou.

O 2-2 com bis do Salomão?
Esse mesmo, grande tarde.

E depois?
Sou campeão indiano.

Hein?
Fomos campeões, o Atlético Kolkata. Foi uma experiência brutal.

Como foi isso?
Surgiu o convite de um franchising do Atlético Madrid e fui mais uma vez à aventura.

Como é que foi a estreia?
Marquei dois golos.

Ahahahahah, bem bom.
Foi uma experiência inesquecível, porque a Índia dá-te uma perspetiva diferente da realidade. Pelo país em si e também pelo futebol. Repara, eles são mais de mil milhões e isso garante-lhe um espaço de manobra quase ilimitado para crescer. Só precisam de estrutura e organização. A partir daí, o céu é o limite.

Onde é que estavas mesmo?
Calcutá.

Ah pois, Atlético Kolkata. E que tal?
Muito confuso. Saí do aeroporto e pensei ‘onde é que me meti?’ Se bem que vivi num resort durante a duração do campeonato, uns dois meses e meio, quase três. Quando pedia para visitar alguns locais, ficava maravilhado.

Tais como?
O Mercado das Flores, a casa da Madre Teresa, aos templos. Havia todo um mundo por explorar. Se falei há pouco sobre a humidade de Manaus, a de Calcutá era arrepiante com os níveis de poluição. Chegava ao hotel, passava uma toalha branca pelo rosto e ficava toda preta.

Como é que se joga assim?
Fizemos a pré-época em Madrid e depois fomos para a Índia. Era tramado, claro, mas o corpo adapta-se. Os primeiros 15 dias são difíceis, só que depois sentes-te confortável.

E há adeptos nos estádios?
Se há? Claaaaaro. E muitos. O estádio da final é o segundo maior da Ásia, a seguir àquele da Coreia do Norte. E aquilo era um campeonato a sério, cada equipa tinha um jogador-estrela, digamos assim. Simão, Roberto Carlos, Marchena, Mutu, Anelka, eu.

Grande final de carreira.
Nem pensar, ainda há o Rio Ave.

Rio Ave, quando?
Em 2015-16. Sempre quis jogar no clube da minha terra. Embora tenha crescido para o futebol no Varzim, sou natural de Vila do Conde. Então, enquanto recuperava de mais uma lesão, o diretor desportivo picou-me e eu lá fui. Quando assinei o contrato, disse ao presidente que ia marcar o golo de acesso à Europa.

E?
Assim foi, 2-1 ao União, na Madeira. Na última jornada. Ganhámos 2-1 de virada. Foi aí que disse ‘pronto’. Fiquei resolvido comigo mesmo. Há quem queira sair pela porta grande, há quem sonhe assim ou assado, eu só queria acabar com o Rio Ave na Europa.

E conseguiste, caramba.
Foi uma alegria imensa. Ainda fiz uns cinco golos nessa meia época pelo Rio Ave. Comecei por marcar ao Boavista, depois Estoril, Tondela e FC Porto mais União. Fantástico, acabei em beleza.

E, já agora, começaste também assim?
Antes de subir para os juniores, já tinha uma carreira cheia. Ahahahahahah. Fui campeão nacional em todos as camadas jovens pelo FC Porto. Nos iniciados, vs Sporting. Nos juvenis, já não me lembro. Nos juniores, num grupo final com Benfica, Belenenses e Leixões. Lembro-me do duplo confronto com o Benfica: 3-2 na Luz, 6-0 no Porto.

Seis-zero? Quantos golos teus?
Marquei dois golos. Na altura, jogava a nove e meio. O ponta de lança era um Moreira, que depois andou no Oliveirense.

E com quem é que subiste aos seniores?
Octávio Machado. A estreia é em Alvalade, perdemos 1-0 com o Sporting, golo do Niculae. É o dia em que o Octávio me diz ‘Vais marcar o César Prates’, ahahahahahah.

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