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Programa Humaniza: melhorar a qualidade de vida até ao último instante

Melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de fim de vida. Esta é a missão do Programa para o Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas - Humaniza, da Fundação ”la Caixa”. Conheça-o.

Em Portugal, estima-se que 90% das mortes ocorrem devido a doenças crónicas ou avançadas1. Os Cuidados Paliativos assumem-se, assim, não só como uma necessidade, como são, também, considerados um Direito Humano. Contribuem para melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas e respetivas famílias, aquando de uma doença avançada, progressiva ou incurável.

90%

Mortes causadas por doenças crónicas ou avançadas

Foi em 2018 que chegou a Portugal o Programa para o Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas – “Humaniza”, desenvolvido pela Fundação ”la Caixa”, em colaboração com o BPI. Como o nome indica, tem como objetivo o apoio integral a pessoas com doenças avançadas – e seus familiares -, através de uma intervenção psicossocial e espiritual, com equipas de profissionais que complementam estes mesmos cuidados. O núcleo deste Programa são as Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS), com profissionais formados e treinados para prestar um apoio paliativo próximo, sensível e humano. E os números falam por si. Com mais de 6.500 doentes e mais de 8.100 familiares atendidos por ano, as equipas de apoio psicossocial contam com 30 voluntários. Desde o seu início até dezembro de 2024, foram 31.851 os doentes e 39.340 familiares acompanhados, perfazendo um total de 71.191 pessoas.

31851

Doentes apoiados pelo Programa para o Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas - “Humaniza” entre 2018 e 2024

39340

Familiares acompanhados pelo Programa para o Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas - “Humaniza” entre 2018 e 2024

Porque a vontade é sempre a de fazer mais e melhor, apostando em cuidados reforçados e de qualidade, a estes números juntam-se o desenvolvimento de uma nova linha de cuidados psicossociais, em 2022, em lares residenciais, destinada às pessoas em fim de vida e às suas famílias, com a incorporação progressiva nas EAPS de um novo profissional da área da psicologia.

Apoios e equipas

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Para além do trabalho das equipas de cuidados paliativos, o Programa Humaniza presta também o apoio à qualificação profissional de médicos e de enfermeiros, bem como apoia associações que pretendam implementar projetos de sensibilização e promoção de apoio que se dediquem a esta área. Porque nada se faz sozinho, e para levar a cabo toda a sua missão, o Programa conta com Equipas de Apoio Psicossocial e domiciliárias de cuidados paliativos.

Sobre cuidar, na primeira pessoa

A Equipa de Apoio Psicossocial (EAPS) da Unidade Local de Saúde de Santa Maria foi um dos projetos criados no âmbito do Programa Humaniza, impulsionado pela Fundação ”la Caixa”. Com atividade iniciada em 2019, hoje conta com três assistentes sociais, três psicólogos e cinco voluntários, para corresponder às necessidades assistenciais. É, ainda, um dos exemplos práticos do impacto do impulso da Fundação ”la Caixa” para o desenvolvimento desta área. “O nosso objetivo centra-se em melhorar a qualidade de vida das pessoas com doenças avançadas, suas famílias e profissionais. Este apoio é oferecido através de uma abordagem integral e centrada na pessoa, que contempla diferentes dimensões, nomeadamente físicas, sociais, psicológicas e espirituais, em complemento ao apoio médico e de enfermagem e ao suporte já existente na área do serviço social e da psicologia”, quem o explica é Alexandra Ramos Cortês, Coordenadora da EAPS da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, acrescentando o impacto do cruzamento disciplinar em todo este processo: “A EAPS está sediada na Unidade de Medicina Paliativa do Hospital de Santa Maria, uma localização muito central que tem permitido a articulação direta com a equipa interdisciplinar desta unidade. Também tem facilitado o acesso com os outros serviços a que damos apoio intra-hospitalar. A ideia é ampliar o apoio psicossocial e espiritual aos doentes, famílias e profissionais da nossa ULS, nos serviços/equipas e centros recetores com os quais a EAPS tem acordo de colaboração, especificamente a Unidade de Medicina Paliativa, o Hospital de Dia de Oncologia, a Pneumologia – Unidade de Sono e Ventilação Não-Invasiva e ainda duas instituições na comunidade.

Em 2024, a atuação da EAPS foi alargada a Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), através de protocolos estabelecidos com a ULSSM, nas chamadas “camas de proximidade”. Relativamente a este apoio, foram acompanhados mais de 500 doentes e familliares, realizadas intervenções de apoio aos profissionais de saúde e acompanhamentos no luto.

Mas os números não ficam por aqui. Ao longo de todo o processo e percurso, de 2019 a 2024, “foram acompanhados mais de 3.700 novos doentes e mais de 3.500 familiares, incluindo apoio no luto. Trata-se de um trabalho em rede, com as respostas sociais e da saúde que possam, em conjunto, ir ao encontro das necessidades individuais, específicas e únicas de cada pessoa, garantindo os seus direitos, benefícios e apoios sociais”, partilhou a Coordenadora.

Quanto à presença do apoio prestado, ela acontece em todas as fases do processo. Desde o diagnóstico, acompanhamento de famílias e doentes, o luto preparatório, na fase da morte e pós-morte. “A nossa prática, baseia-se numa metodologia personalizada, com intervenções individuais e em grupo, tais como grupos de apoio a doentes, grupos de apoio a profissionais e grupos no luto. A EAPS não trabalha isoladamente, mas está, sim, integrada em equipas interdisciplinares, reforçando a capacidade de resposta face às necessidades sociais, emocionais e existenciais. Só é possível promover o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas trabalhando em equipa”, palavras de Alexandra Cortês que aproveitou a oportunidade para reforçar a importância do voluntariado neste caminho: “O voluntariado tem um papel muito importante, permitindo apoiar os doentes, quer presencialmente, quer telefonicamente, ajudando nas situações de isolamento social, promovendo a relação e criação de um ambiente solidário e humanizado aos doentes e também no apoio às suas famílias”. Mas não só. Também a formação, a investigação e a educação contínua de todos os profissionais torna-se fundamental para o sucesso desta equação. “Destacamos igualmente a formação e a investigação para o desenvolvimento de competências e educação contínuas dos profissionais que integram a EAPS, através do apoio da Fundação, como dos próprios, com também a docência, formação e investigação realizadas pelos mesmos, em diferentes universidades e outras entidades”, reforça.

Quanto ao futuro, que se quer em constante evolução, Alexandra remata partilhando que o objetivo passará por “continuar a expandir a nossa atividade, tendo previsto, para breve, o alargamento do apoio aos cuidados paliativos pediátricos. Pretendemos assim, abraçar novos projetos e desafios, contribuindo para o crescimento do Programa, tendo como missão um apoio cada vez mais sólido, eficiente e sustentado às pessoas com doença avançada, suas famílias, profissionais e toda a comunidade envolvida”.

Tudo isto para que, numa situação em que a esperança de vida se torna mais reduzida, o objetivo seja sempre o de prolongar o conforto, o cuidado e a integridade. Para que a vida seja vida, até ao último instante.

1 Ordem dos Psicólogos Portugueses (2025). Doenças Crónicas: Prevenção e Intervenção Psicológica. Lisboa.

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